Caetano acha pagode melhor que MPB
Por Fernanda Figueiredo
Durante coletiva de lançamento de Zii e Zie, o mais novo disco de Caetano Veloso, o cantor e compositor falou sobre vários assuntos, muitos deles, bem polêmicos, como é a cara do artista.
Programada para acontecer às 17h de quinta-feira (14), a coletiva foi começar por volta das 18h, devido ao atraso do cantor. Mas a espera, com certeza, valeu à pena. Temperamental, Caetano respondia às perguntas dos jornalistas, hora com bom humor, hora irritado, totalizando cerca de duas horas de pergunta-resposta.
Para o MNU, a data que deve ser comemorada é o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. “O Bembé é uma festa que comemora o 13 de maio desde 1889, é um marco na história. Os pretos comemoram essa data porque acham importante”, justificou Caetano.
Ele também demonstrou insatisfação com a influência da cultura dos EUA, que até hoje é muito forte no Brasil. “Aceitamos tudo que vem de lá sem nem pensar. Temos uma vontade filha da puta de sermos americanos. Imitamos o rock’n’roll, o emo, o movimento negro e o rap”, criticou duramente o tropicalista.
Mas foi só vir o tema pagode para Caetano se derreter todo. “Gosto muito, tenho um orgulho enorme dessa nova música baiana de Carnaval. Esses grupos trouxeram de volta o samba-duro e o samba-chula mais original da Bahia”, disse. Para o artista, as pessoas ainda não perceberam a importância deste tipo de música. “O pagode baiano é muito mais interessante do que o que eu faço”.
O pagode está presente na introdução do novo show do baiano, com inserções de Cole na corda, do Psirico, e Tem que ser viola e Kuduro, do Fantasmão. O show de Zii e Zie chega a Salvador no dia 5 de junho, no Teatro Castro Alves.
Foto: James Martins
