Manno critica o carnaval, mas não olha para o próprio umbigo
Por Fernanda Figueiredo

Frisando estar velho demais para o carnaval que ele está presenciando nos últimos tempos, o guitarrista da banda Jammil e Uma Noites provou que não precisa de palavrões, como outrora, para demonstrar sua insatisfação e criticar o que tem que ser criticado. Saudosista, Manno relembrou os antigos carnavais. " Sou do tempo em que axé se confundia com o cheiro de mijo das ruas durante o carnaval na Praça Castro Alves. Em que os solos de Armandinho ecoavam no Jornal Nacional. Em que pseudo-celebridades não eram necessárias pra tornar a festa especial. Mas sou velho. Sou do tempo das cavernas". Manno também fez uso do sarcasmo corriqueiro ao se referir sobre as premiações que acontecem e as notícias que circulam pós-carnaval. "Me sinto muito mais inteligente quando acaba o carnaval. Afinal, fico sabendo qual foi a melhor e a pior roupa, o melhor e o mais desgrenhado cabelo, o melhor e o pior croquete de camarão. Fico sabendo também quem comeu quem e quem não comeu ninguém". Mas foi sobre o Campo Grande mesmo que o guitarrista da banda Jammil botou pra ferver. "Por mais que se discutam formas de fortalecerem novamente o circuito do Campo Grande, pra mim, mesmo que se solucionem problemas de horários, segurança e estruturas, o circuito Osmar só volta a atrair de fato o público alvo quando a mídia se sentir atraída pra se fixar por lá também. Aquele camarote do Campo Grande, com as redes de TV e seus palanques com caixas de som é o único ponto realmente forte daquele circuito. Não pode, porra. Afinal, é lá que está a Praça Castro Alves, que é do povo. Mas não é a indústria do carnaval somente que tem que resolver o problema do circuito tradicional. É o governo que tem que fazer sua parte também. Investir em um projeto de reurbanização da cidade velha. Atrair hotéis, restaurantes, cinemas praqueles lados de lá. Aí sim. Se isso acontecer e alguns camarotes importantes começarem a fazer parte do cenário do circuito do Campo Grande os artistas, e não só o público, redescobrirão o interesse por este circuito. Ia ser interessante se todos os blocos tivessem esse comportamento de alternar seus dias de desfile entre os circuitos". É, seria bem interessante vermos a banda Jammil cantando para o público do Campo Grande. E o camarote dos Praieiros na Avenida? É, mas acho que nós, da Coluna Holofote, somos velhos, do tempo das cavernas...
