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Magary Lord celebra parceria com Anitta em novo álbum e relembra história curiosa com cantora: "Pai de santo descobriu"

Por Bianca Andrade

Foto: @morena_mediia/ Instagram

O toque da Bahia no novo álbum de Anitta é reconhecível de qualquer lugar do mundo. Seja de forma literal, no toque da percussão, por exemplo, que tem em uma das faixas a assinatura de Tainã Troccoli, percussionista baiano que integra a banda de Marina Sena; ou na voz doce de Melly e Luedji Luna, que são convidadas da funkeira no projeto 'EQUILIBRIVM'.

 

Mas a Bahia também está presente na letra, com a caneta de Melly e de um dos amigos pessoais da família de Anitta, Magary Lord. O compositor de sucessos como 'Inventando Moda', 'Pegada De Dodô' e 'Pessoal Particular' foi o responsável pela faixa mais baiana do álbum, 'Bemba'.

 

 

A faixa, como citada por Anitta, é uma celebração da cultura baiana e dos costumes locais, estado que, para a artista, é considerado berço e território de resistência de crenças como a umbanda e o candomblé.

 

Ao Bahia Notícias, o criador do gênero Black Semba contou que a canção foi feita em parceria com Samir Trindade, Francisco Chagas e Paulo Nascimento e, no momento em que ela estava sendo produzida, já era divertido ouvir e imaginar como ficaria.

 

"Eu lembro muito bem da gente fazendo essa música, e a gente falava que essa música já era sucesso. Toda hora a gente parava para dar risada e celebrar. Quando terminamos de compor, foi num astral lá em cima, já para gravar com Anitta. E quando ela chamou Luedji Luna, foi um presente ainda maior. Nesse projeto, ela está buscando essa africanidade, essa ancestralidade; no dia a dia do álbum, é algo lindo de ver", conta.

 

 

E, afinal, como surgiu a ligação entre Anitta e Magary Lord? Amigo de Mauro Machado, o Painitto, os dois foram apresentados em Salvador pela jornalista Mônica Carvalho, que fez a ponte entre o artista e o pai da cantora. "Na época, Painitto ouviu o som 'Mudança' e começou a curtir muito a música; foi ele que me apresentou para ela. Depois disso, nossa amizade se fortaleceu, cheguei a apresentar algumas composições para ela e rolou essa conexão".

 

Magary ainda dividiu com o BN uma história engraçada envolvendo a família da cantora. Segundo o baiano, Anitta tentou fazer uma surpresa para o pai, dando um show de Magary de presente; no entanto, o pai de santo dela descobriu que o artista estava no local.

 

"[Ela] me convidou para ir ao aniversário do pai dela. 'Ai, o meu pai te adora, vou te dar de presente para o meu pai, ele não pode saber'. Aí, quando chegou lá, ela falou no meio da festa: 'Fiz essa surpresa para meu pai e tal, trouxe alguns amigos, mas não deu certo, meu pai de santo acabou descobrindo que Magary Lord estava aqui na festa'", relembrou aos risos.

 

 

Desde então, a relação, tanto pessoal quanto profissional, só se estreitou. 'Bemba' não é a primeira música de Magary gravada por Anitta. Em 2026, além da faixa no projeto 'EQUILIBRIVM', a cantora foi convidada por Saulo para gravar a canção 'Bênção'.

 

O cantor e compositor revelou que a faixa escolhida pelo parceiro — que já deu voz a um outro grande sucesso do artista, 'Circulou', que ganhou o título de Música do Carnaval em 2012 — estava guardada há 10 anos.

 

"Eu falei para Saulo que essa música tem muito tempo, mais de 11 anos, de quando ele morava em Vilas. Ele deu uma recanteada na música, que ficou maravilhosa, e aí saiu com essa música e teve a sacada de chamar Anitta, que já estava na frequência do ijexá."

 

 

Ao site, Magary falou sobre sua realização como artista, não apenas pela parceria com Anitta, mas em uma análise de toda a sua carreira. Representante de um estilo único, o Black Semba, o baiano, que desacelerou um pouco o ritmo, mas segue trabalhando, afirmou que sente orgulho da história construída por ele ao longo desses anos de carreira.

 

"Quando eu abro meu computador e vejo minhas músicas, eu fico a cada dia mais orgulhoso. Poxa, faz 15 anos disso e, assim, eu fiz um balanço incrível, com originalidade. [...] Há muitos anos que a gente degusta essa ancestralidade de uma forma muito nossa mesmo, a gente é fora da curva, sabe? Mas sempre fiz questão de trazer essa africanidade, essa ancestralidade da música africana, do Black Music, sabe, do repente, do baião, dos funks, do soul, samba rock. Eu sou muito feliz de ter toda essa irreverência, graças aos artistas da Bahia, de Salvador: Gerônimo, que traz aquela sensualidade, Margareth Menezes, Bell, Brown, os blocos afro, a Timbalada, o Olodum, Luiz Caldas."

 

O artista ainda falou sobre a nova geração. Para Magary, não só o álbum novo de Anitta, como a nova geração como um todo, vem tratando com respeito a questão da ancestralidade. O cantor, no entanto, reforçou que é necessário dar mais espaço para essas vozes e para os novos talentos, que têm feito bons trabalhos, mas não têm espaço para divulgar sua arte.

 

Magary ainda estendeu a crítica à música plastificada, como uma forma de incentivar os artistas a viverem mais e produzirem canções de experiência própria e real.

 

"Salvador tem muita gente boa que ainda não apareceu na cena, que não tem condições, que você ouve cantando e vê que era uma oportunidade incrível, que precisava só de um empurrãozinho. Mas a música plastificou demais, ainda mais agora com a IA, com todos esses recursos tecnológicos; aí ficou mais banal. A gente tem que se desprender mais e viver, dedicar um tempo a olhar para a lua, perceber uma estrela, um momento para se inspirar, e consigo mesmo."