Primeiro grupo cênico LGBTQIA+ do Brasil, Casa 4 acredita em expansão dos espetáculos
Por Erem Carla
Primeiro grupo cênico LGBTQIA+ do Brasil, o Casa 4 nasceu há 5 anos do incômodo e da vontade de externar as violências sofridas por esses profissionais de dança nos espaços onde estas danças são promovidas.
“Marcelo Galvão fez a proposta para outros três profissionais de dança, com experiências em dança de salão”, conta Alisson George, dançarino e cofundador do Casa 4.
De acordo com Alisson, o grupo baiano foi pioneiro na dança de salão com trabalhos cênicos para o público LGBTQIA+. “Em registros, a primeira pessoa é Mariana Docampo, que é da Argentina e iniciou as pesquisas para promover eventos com o Tango Queer”.

Foto: Divulgação/Casa 4
Nessa meia década de espetáculos, Alisson conta que ainda se depara com muito preconceito mas considera que houveram avanços.
“Conseguimos avançar muito e fazer este discurso chegar em vários lugares. Fazer as pessoas refletirem sobre o assunto, colocar ele em pauta, já é um grande avanço”, avalia.
Fora dos palcos, dois homens dançando em par ainda chamam atenção, mas as reações divergem de acordo com o ambiente.
“Existem espaços onde as pessoas podem se sentir mais confortáveis para dançar a dois. Os Bailes Contemporâneos de Dança de Salão são um belo exemplo destes lugares. Já nos ambientes mais tradicionais, onde normalmente tem pessoas mais velhas, é comum ver olhares atravessados e bocas tortas quando tem dois homens dançando juntos”, comenta Alisson.
Manter as produções sem apoio e recursos financeiros ainda é um dos maiores desafios do grupo, de acordo com o dançarino.
“O Coletivo Casa 4 é um grupo independente desde sua estreia e é sempre muito árduo o percurso para chegar aos resultados que o público vê”, afirma.

Foto: Divulgação/Casa 4
Apesar das recepções positivas no nordeste, o eixo Rio-São Paulo ainda é mais acolhedor.
“Todas as nossas apresentações pelo Nordeste foram muito calorosas e muito bem recebidas. Porém, descendo mais o país, principalmente em São Paulo, o fluxo é bem mais intenso e acredito que por este motivo a gente tem um retorno aparentemente maior. A gente consegue atingir um público bem grande”, avalia Alisson.
O Teatro SESC do Pelourinho, em Salvador, recebeu dois espetáculos do grupo neste mês e a expectativa é de ampliar as apresentações por todo Brasil.
“Estamos estudando as possibilidades de iniciar a montagem de um novo trabalho em breve. Queremos coisas novas, energias novas sempre. Também estamos trabalhando para circular com os nossos espetáculos. Queremos chegar a um público ainda maior e fazer as pessoas refletirem sobre o viver em sociedade, sobre respeito e sobre amor”, conclui.
