
Reformas no mercado: A tecnologia já se tornou o centro da sociedade?
No comércio, uma revolução aconteceu desde que a primeira operação de compra em uma loja virtual foi realizada no mundo, em 1994, mas antes disso, já tinha algo acontecendo no Brasil.
O primeiro comércio eletrônico do país foi fundado em 1992, mas na época as vendas não eram nem concluídas pela Internet e o site funcionava mais como um tipo de catálogo digital, até porque não havia nenhum tipo de integração de pagamento, certificados de segurança ou recurso para que as operações ocorressem online.
Aliás, nem Wi-Fi existia ainda.
Passaram-se alguns anos até que as lojas virtuais começassem a funcionar de forma parecida com a que se conhece hoje. A primeira transação, no e-commerce brasileiro, aconteceu em 1996.
Com o passar do tempo, novas lojas foram sendo criadas, mas demorou bastante para que pessoas comuns se sentissem preparadas para montar um e-commerce (e mesmo essa nomenclatura, também demorou a ser utilizada no país).
Gigantes influenciaram na normalização das compras digitais
Quando as vendas digitais começaram a tomar forma, elas aconteciam, principalmente, pelo Submarino (que trabalhava apenas com a venda de livros, na época) e pelo Mercado Livre, que hoje é um dos maiores marketplaces do mundo, vendendo absolutamente tudo que se pode imaginar.
No início, as vendas aconteciam, principalmente, entre pessoas físicas, que negociavam produtos usados e seminovos.
Hoje, a plataforma é utilizada para vender produtos originais das maiores e mais caras marcas do mundo, inclusive lançamentos de tecnologia como o Iphone SE, de áudio e vídeo como o BTV A13 Android Box e de moda, como o Nike SB original.
Conforme o público foi se adaptando às compras online através dessas grandes plataformas, outros grandes empresários decidiram investir no e-commerce, ampliando as opções de produtos disponíveis na internet, acelerando a digitalização dos consumidores, e por consequência, retroalimentando a cadeia de investimentos no mercado digital.
Em 2003, passou a ser possível comprar passagens aéreas pela internet, iniciando um tipo de negociação totalmente diferente da que já era praticada na venda de produtos, que eram entregues via postal.
Aliás, no início desse processo, a logística, centralizada nos Correios, só possibilitava envios de itens pequenos e médios, mas até esse segmento foi adaptado, a fim de atender empresas e pessoas que desejavam vender e comprar mobiliário e outros itens maiores ou mais pesados do que poderia ser transportado pela logística convencional.
Hoje, é possível comprar de tudo, e não faltam transportadoras para realizar a entrega!
Os modelos de cadeiras gamer mais baratas ou a máquina de lavar mais cara disponível no mercado podem ser entregues em qualquer lugar do Brasil por preços que, muitas vezes, são mais baixos do que o custo do transporte de uma caixinha de 10 cm que seguiria de São Paulo para o Acre pelos Correios – isso quando o frete não é oferecido como um incentivo para a compra e acaba não tendo custo extra para o cliente.
Prestação de Serviços Também Foi Digitalizada
No empreendedorismo autônomo, as coisas também mudaram. Se nos anos passados, a prestação de serviços era quase sempre relacionada a um tipo de trabalho mecânico, hoje ela está muito mais digital.
Claro que muitos dos tipos de serviços prestados continuam existindo da forma como foram criados, mas muitos deles receberam um tipo de digitalização que mudou tudo a eles relacionados, como, por exemplo, o que aconteceu em relação aos motoristas particulares ou táxis, que precisaram se adaptar à realidade imposta pelo aplicativo de transporte Uber (e, depois, por outros similares).
Enquanto muita gente enxergou a chegada do transporte por app como um concorrente, muitas outras pessoas resolveram apostar nele como uma oportunidade, e mesmo que existam inúmeras críticas a respeito da precarização do trabalho, é fato que, em um país com milhões de desempregados, o Uber possibilitou que muita gente colocasse comida na mesa.
Ainda dentro do segmento, podemos falar sobre como houveram mudanças significativas no mercado, inclusive no que diz respeito às oportunidades de empregos na área digital e tecnológica para mulheres.
Universo feminino, tech e digital
Muito além do que aprender a costurar e cozinhar, as meninas de hoje já estão aprendendo a programar, desenvolver códigos, aplicativos, sistemas e tecnologias, enxergando isso com uma naturalidade que seria impensável até pouquíssimos anos atrás.
Apesar disso, não se pode deixar de citar que as mulheres ainda representam uma parcela muito pequena do mercado de tecnologia e estão inseridas, principalmente, nas áreas relacionadas ao comércio digital e ao design, ficando mais distantes das áreas de programação e desenvolvimento, onde o público masculino ocupa muito mais espaço, mas não por razões unicamente culturais.
A tendência é que esse universo se torne cada vez mais igualitário, principalmente porque as mulheres conseguem conquistar o seu espaço sem precisar se envolver em competições que envolvem apenas suas características femininas.
Elas querem mostrar potencial e capacidade e estão detonando as barreiras para fazer isso, inclusive em segmentos que sempre foram vistos como masculinos, como nos e-sports, mas isso é conteúdo para outra matéria.
Redação: Bruna Bozano
