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Prestes a lançar 1º DVD da carreira solo, Lincoln reflete sobre cenário do pagode baiano

Por Antônia Fernanda

Foto: Reprodução/Instagram

Pronto para dar um grande passo na carreira musical, o cantor e compositor Lincoln vai lançar no próximo mês o DVD que leva o seu nome e marca o início de uma nova fase. O projeto audiovisual conta com a participação de Xanddy, Bruno Magnata, Kart Love, Vitor Fernandes e Marcynho Sensação, além de 18 músicas autorais. 

Para o baiano, este momento está sendo a realização de um sonho. Em entrevista para o BN, o dono do hit 'Carnavrau' fez uma reflexão sobre o cenário do pagode baiano e contou detalhes do processo criativo de 'Agora É Lincoln'.

"A gente veio construindo ao longo da pandemia um repertório, um trabalho feito com muito carinho...Foram composições próprias e de outros compositores. Ao longo do processo a gente viu que tinha um repertório maduro, com arranjos maduros e que foram construídos de uma forma que trazia a identidade que o artista Lincoln sempre quis para sua performance e história musical", revela o cantor. No entanto, ele ressalta que essa transição da 'Duas Medidas' para a carreira solo já vinha acontecendo desde 2018 e que a ideia se concretizou durante o período pandêmico. 

O DVD traz um repertório diversificado que contempla o período do São João e que também conta com grandes apostas para o Carnaval 2023. "O nome é 'Agora é Lincoln' porque não temos distrações, é um momento que o artista é levado a responsabilidade de fazer o que sempre quis. Eu acho que quando se tem uma direção para encerrar um ciclo e iniciar outros, as pessoas têm diversos motivos. No meu caso, foi um direcionamento provocado pelo o escritório e que eu aceitei porque era seguir o que estava na minha personalidade".

"Nós vivemos a era onde todos os ritmos se misturam e conversam, mas [no DVD] a gente preserva um pagode que eu sempre vim construindo ao longo da minha carreira", diz Sena. O artista ainda ressalta que o cantor Xanddy sempre foi sua maior inspiração.


"Eu comecei [na música] porque eu queria ser Xanddy, porque eu queria ser o 'Harmonia do Samba', ele é o meu grande ídolo. E estar vivendo o som que eu sempre quis fazer é como se eu tivesse retornando ao que me fez iniciar", reflete.

Ao BN, o cantor revelou que o novo projeto vai chegar às ruas a partir do mês de maio e que as músicas serão lançadas periodicamente: "Para a atmosfera do mês de junho temos as músicas com Vitor Fernandes e Marcynho Sensação. Com a virada do semestre a gente começa a trazer mais verão e carnaval". Além disso, Lincoln revelou que uma das canções é uma parceria com uma artista feminina.

"Ela é potente, gigante e com certeza vai estar no clipe dessa música no segundo semestre representando muito bem o nosso verão, é uma das músicas mais fortes para o carnaval. Para quem conhece o meu trabalho, o que eu sou no palco, no trio, ela seria meu 'eu feminino'", descreveu sem revelar o nome da cantora. 

CARREIRA NACIONAL 
No pagode baiano, Lincoln pode encontrar barreiras para alcançar o sucesso nacional, tendo em vista que, por anos, os cantores Léo Santana, Márcio Victor e as bandas Harmonia do Samba e É o Tchan foram uns dos poucos que alcançaram esse feito. Para Lincoln esse fator é possível, mas ele acredita que o gênero sofre com um problema "sistêmico".


"Toda e qualquer área tem as suas dificuldades...Como cantor baiano e produtor do pagode baiano, eu acho que a maior dificuldade talvez seja a nossa comunidade (cantores, músicos, produtores e empresários) entender como profissionalmente devemos nos comportar no mercado nacional. Traduzindo: As relações de empresários e contratantes,  a relação artística com seus fãs, o que você está cantando, como está produzindo, com quem você quer se comunicar”.

Além disso, o artista cita exemplos de artistas baianos que sofreram críticas por quererem mudar de ritmo ou ousar nos trabalhos para conseguir o sucesso nacional. Como o cantor Tierry, que deixou o pagodão para cantar sofrência e que, apesar das críticas do público local, conseguiu "seu lugar ao sol". 


"O público diz que ele 'traiu o movimento do pagode', mas ninguém está no coração desse rapaz (Tierry), e hoje ele brilha como um dos maiores cantores sertanejos do país. A gente só tem essa vida, e temos que ter essa coragem…Às vezes eu percebo que alguns colegas querem dar um salto em sua carreira, se profissionalizar a nível de som, de entrega de shows, e a gente enquanto fã ou seguidor quer que aquele artista se mantenha (na mesma) posição", reflete o baiano.  

Ele ainda completa: "Eu acompanho o Instagram de Léo Santana, que hoje é um dos maiores exponencial (sic) de pagode da nossa terra, da música baiana representada nacionalmente…Quando o cara veste uma roupa que comunica mais com o mundo, a gente (o público) quer que ele vista roupas que vestia há 10 anos atrás, cante músicas de anos atrás".

"É uma responsabilidade sistêmica, não é do empresário, do artista ou do fã…Toda vez que eu vejo alguém tentando virar a chave na Bahia, eu acho que nossa terra é muito conservadora. Percebo meus colegas com medo", afirma o cantor, que questiona: "Como o BaianaSystem, o Attooxxa tem uma agenda muito maior lá fora que aqui?...Como essa cena do Pagotrap ainda é chamada de 'cena alternativa?".

SÃO JOÃO
Quase um ano após a polêmica contratação de Léo Santana para a live de São João da Globo, Lincoln reflete sobre o assunto e diz que, no momento, a diversidade de gêneros musicais no Carnaval ou São João não deveria ser um problema. 

"Eu acho que é um tipo de atitude ao longo prazo vai cair por terra. Eu acho que não só no São João ou Carnaval, mas em todas as tradições do mundo, à medida que a gente se tornou uma aldeia global, as tradições vão sendo adaptadas...Ou a gente entende que o mundo está se transformando, ou a gente se torna uma mão dando murro em ponto de faca".

"Eu não sou a favor de extinguir uma cultura, mas no momento em que o artista é contratado para algo, a culpa não é do artista…Eu acho que o erro talvez seja o trabalhador que tem mais a ver com o período não estar trabalhando, tem que contratar também”.

CARNASAL
Uma das atrações confirmadas do CarnaSal, o cantor vai se apresentar nesta quinta-feira (21), e disse que preparou um repertório repleto com clássicos do pagode baiano e música que estão em alta. 

"[O CarnaSal] vai ter um leão louco, que estava preso com barbante. Soltaram um leão da jaula, porque é um puxador de trio preso há dois anos em casa. Já fizemos dois trios na volta da pandemia, mas com o pranchão em movimento eu tenho certeza que vou me emocionar. Vou levar um repertório atualizadíssimo, clássicos do pagode e músicas autorais”. 

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