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'Tentando não pirar', diz Ricardo Chaves sobre restrição de shows e cancelamento do Carnaval

Foto: Glauber Guerra/ Bahia Notícias

O cantor Ricardo Chaves desabafou na última terça-feira (15) sobre as restrições envolvendo o setor de eventos e entretenimento na Bahia devido à pandemia da Covid-19.

 

Em entrevista ao programa BN Na Bola, da Rádio Salvador FM 92,3, apresentado por Emídio Pinto, Glauber Guerra e Ulisses Gama, o artista, um dos precursores da Axé Music, se queixou sobre a forma como o setor vem sendo tratado pelas autoridades.

 

"Eu estou tentando não pirar. Porque a minha vida toda foi construída em cima de trios elétricos e de palcos. É muito difícil viver o que estamos vivendo. O que mais me afetou foram algumas declarações que tentam criminalizar o meu segmento, vincular meu segmento à morte. Quando vemos algumas declarações, dizendo que 'não vou me preocupar com o setor, com alguns artistas e empresários que ganham milhões porque eu penso em vida', foi a mais infeliz que o governador da Bahia deu. Isso dói muito, porque movimentamos e empregamos muita gente. É o sentimento do meu segmento".

 

Segundo Chaves, a proibição deve ir até outubro, quando chega o período de eleições. O mesmo discurso foi feito por Léo Santana ao ironizar a atualização do decreto na última segunda-feira (14) em suas redes sociais (leia aqui). 

 

"Não queremos somente aglomerar. As eleições estão vindo, vai estar todo mundo aglomerando e não teremos ninguém sendo acusado de nada. Estamos passando [pela pandemia], vamos passar, mas não é bacana criminalizar um segmento dessa forma cruel. Ninguém vive sem arte".

 

Durante o bate-papo, o intérprete de 'É o Bicho' ainda fez uma análise sobre o cenário da Axé Music na atualidade e pontuou que acredita que o "declínio" do movimento se deu com a ausência do trio elétrico.

 

"Não conheço um movimento que tenha dominado o cenário nacional durante tanto tempo. O grande problema que ocorreu com esse modelo foi a perda do trio elétrico. Hoje você não tem mais nenhum evento fora do carnaval com o trio elétrico nas ruas. E nossa música é de rua, popular. Quando colocávamos o trio nas ruas, mobilizávamos. A partir do momento que eles não puderam mais sair nas ruas, e passou a ser só em eventos indoor, perdemos a conexão com o público". 

 

 

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