Jornalista da Globo chora com relato de médico que perdeu filha de 7 anos para Covid-19
A jornalista Aline Midlej, da GloboNews, não conseguiu segurar a emoção e chorou ao vivo nesta quinta-feira (6) ao ouvir o depoimento do médico Rodolfo Aparecido da Silva, que perdeu a filha, Alícia, de apenas sete anos, para a Covid-19.
"Foram quase quatro meses sem ver os meus filhos, por causa do isolamento, na época da pior fase da pandemia. E depois passar por tudo isso. A minha filha não tinha nenhum probleminha de saúde, nunca teve nenhuma doença, nunca foi hospitalizada, não teve cirguria e não tomava nenhuma medicação", relembra o profissional, que trabalhou na linha de frente contra o novo coronavírus.
Segundo relato de Rodolfo, sua filha morreu três dias depois de ter sido contaminada com a doença. "Isso é a coisa mais triste do mundo! O que a gente passou, a impotência de não poder fazer nada, de não conseguir transferir ela de hospital se fosse necessário. Então a gente não quer que outro paciente, outra criança, outro amigo, vivencie isso que a gente passou e está passando ainda. Porque a dor de perder, ainda mais uma criança, não tem como eu te explicar".
O depoimento emocionou a apresentadora do Jornal das Dez, que chorou ao ouvir o relato do médico.
"Doutor Rodolfo, eu sinto muito pelo seu relato. A sua filha tem a idade da minha sobrinha. Desculpe, mas eu queria perguntar ao senhor como é sentir a vacina mais perto, como o seu filho tem lidado com isso? Como que isso tá sendo conversado em casa? Tem sido possível celebrar a chegada da vacinação? O que o senhor tem sonhado em relação a essa nova fase para toda sua família?", perguntou a âncora, com a voz embargada.
Segundo o profissional, ele e a família comemoraram a notícia. "Meu filho chorou de alegria, mesmo com a tristeza da falta da irmã. Mas a gente acredita em Deus e que tudo tem um motivo, a a gente tem que pensar assim pra continuar levando a vida", desabafou.
Ao se despedir, Rodolfo fez um discurso em defesa da ciência e mandou um recado para os responsáveis por crianças. . "Pais, mães, avós, tios, cuidadores das crianças, não deixem de vacinar os seus filhos. De jeito nenhum! A gente quando nasce já recebe a primeira vacina no hospital. Então esse é um passo imenso da ciência. Eu acredito na ciência! E acredito que essa vacina está aí para ajudar, sim, e para não deixar que as crianças, que têm um futuro brilhante, deixem essa vida por não ser vacinado. Que isso toque o coração de todo mundo, para que vacinem as crianças em casa", completou.
