Chorão deixou dívida 'impagável' com gravadora, diz filho
Alexander Abrão, filho de Chorão, revelou os desafios de administrar o legado do 'Charlie Brown Jr' após morte do pai. Ao G1, ele falou da relação conflituosa com os guitarristas Marcão e Thiago Castanho para registrar a marca da banda.
"Em julho, o Thiago e o Marcão deram entrada no INPI [Instituto Nacional de Propriedade Industrial] com marcas que meu pai já tinha: 'CBJR', 'C.Brown Jr.' Até 'Charlie Brothers', que meu pai não tinha. Pô, 'Charlie Brothers' (risos). Eram coisas assim: 'Charlie Brown 30 anos', Charlie Brown isso e aquilo. Eu falei: 'gente, o que que tá acontecendo?'".
O empresário também disse que em 2005, quando teve a ruptura do Charlie Brown, o pai queria fazer um projeto solo chamado 'Chorão Skate Vibe'. Mas não foi possível, pois ele contrato com a gravadora EMI, hoje incorporada pela Sony.
"O Mainardi, que era presidente da gravadora, falou: 'Pô, você vai fazer projeto solo o caral**! Tu é o Charlie Brown, tu não é o Chorão'. Aí meu pai comprou dos outros músicos os direitos artísticos, de marca, de imagem. Através disso ele virou o dono da banda".
"Desde que meu pai faleceu, uma das pessoas que trabalhava com o meu pai falava: 'O Chorão tem uma dívida impagável com a EMI'. Até hoje essa dívida impagável está aí. A gente paga de pouquinho em pouquinho, porque retém os direitos artísticos. Isso é uma coisa que ninguém sabia".
Segundo Alexandre, além da dívida com a gravadora, o pai também deixou vários "problemas jurídicos e processos".
Na entrevista, ele também falou sobre a relação conflituosa que o pai mantinha com os colegas de banda. "Realmente, meu pai sempre levou o Charlie Brown Jr como uma coisa muito dele. 'É do meu jeito e vai ser do meu jeito'. Eu não penso assim (…) Estamos editando um livro que meu pai começou. Sempre que brigava com alguém, ele falava: 'Não quero mais o cara no livro'. Ia lá e riscava o rosto das fotos
OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Os guitarristas divulgaram duas notas o Instagram após anunciarem a saída do projeto com o filho de Chorão. "Infelizmente, o ego, a vaidade e a ganância falaram mais alto que uma parceria coerente e honesta, fazendo com que a gente tome a decisão de nos desligar da tour anunciada e de qualquer outro projeto que esteja vinculado ao Alexander, filho do Chorão, e suas empresas", diz a primeira nota.
"Diferente do que foi contado, NÃO se trata de querermos o nome, mesmo sabendo que ele não pertence a essas pessoas! Vale lembrar que não existe o registro do nome Charlie Brown Jr no INPI, o que assim não dá direito a ninguém se dizer dono de tal 'marca' como no texto é mencionado. Não iremos aceitar ameaças e coações da empresa e representantes ligados ao Alexandre, filho do Chorão. Temos o direito de tocar nossas músicas com quem e como a gente quiser!", diz a segunda nota
