Atrações da Live Weekend, Denny, Léo e Sol Almeida adaptam produções na pandemia
Por Ian Meneses
Durante quase seis meses de pandemia no Brasil, o setor cultural foi atingindo em cheio gerando uma crise nunca antes vista para a categoria. Correndo contra o tempo, artistas e empresários buscaram alternativas para amortecer a queda no faturamento e a crise instalada. Ao longo do período de quarentena, as lives nas redes sociais ajudaram a tornar menos distante o contato entre cantores, bandas e o público. Com a flexibilização na capital baiana sendo feita gradualmente, novos formatos de shows foram possíveis de serem executados.
Adequando-se a esse novo normal de curtir música, desfrutando de um show ao vivo presencial e tomando as medidas de segurança recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), surgiu o evento Live Weekend, que está sendo realizado neste final de semana no Gran Hotel Stella Maris, desde a sexta-feira (4) até a próxima segunda-feira (7). Da sacada de cada um dos quartos, o público acompanhará as apresentações de três baianos que sentiram diretamente os impactos causados pela suspensão das atividades: Denny Denan, Solange Almeida e Léo Santana.
Representante do Axé no evento, Denny encarou a pandemia como um acontecimento de “impacto geral” e percebeu que durante o isolamento a saudade dos shows presenciais e da aglomeração bateu forte: “Pegou pelo coração, pegou pela emoção, até porque, o artista, o cantor, especificamente, ele não gosta de ficar em casa, quer estar sempre no palco, sempre cantando e isso não foi possível”. Assim como o colega, Léo Santana enfrentou a falta de shows e a rotina de antes como uma “sensação muito estranha”. “Não poder viajar, ver meus fãs, fazer os shows e ver a galera ali se divertindo e curtindo nossa música... é a minha saudade, sem dúvidas”, declarou.
Voz do forró na Live Weekend, Solange Almeida, por sua vez, reconhece o momento difícil entre todos os segmentos musicais, mas destaca que a não realização dos festejos juninos em 2020 deve ser tratado de uma forma especial. Segundo a artista, com os shows parados, mais de 50 famílias que dependem de seu projeto foram afetadas e entre abril e junho, na época do São João, 45 apresentações foram canceladas. “Foram e são momentos bastante difíceis. Até retomada total do entretenimento torço para que algo seja feito beneficamente a nossa classe”, destacou.
Se por um lado os shows foram afetados, os três artistas não pararam totalmente suas atividades e aproveitaram o período da quarentena para produzir. Denny, por exemplo, usou o tempo sem a correria costumeira para criar novas letras. “Para a gente que lida com a música, compor é maravilhoso nesse momento, porque geralmente a gente viaja muito, não tem tempo é aquela agonia toda, então quando a gente tem um tempo em casa e começa escrever, essa pandemia também veio para isso. Eu mesmo, particularmente, fiz umas 10 composições”, contou.
Já Léo, apesar de muitos planos cancelados, conseguiu lançar duas canções com clipes na pandemia, entre elas, “Só Você”, com Kevinho e MC Rogerinho e “Proibida para Adolescente”, com MC DuBlack. O ritmo de produção tem sido aos poucos retomado e o cantor já reserva para este mês mais novidades: “Vou gravar ainda em setembro dois novos clipes com dois grandes artistas que super admiro e as músicas ficaram maravilhosas, tenho certeza que o público vai se amarrar”, garantiu. Solange, ainda esse semestre, vai gravar um EP, que ainda está em fase de seleção de músicas e para o início de 2021, possivelmente lançará um novo DVD.
LIVE ATÉ QUANDO?
Para Denny, usar o recurso proporcionado pela live tem sido a forma mais viável de adaptação na pandemia: “Eu acho que live é sempre bom porque, imagine, neste momento de isolamento, quer que a gente vai fazer? Live. A gente não pode fazer outra coisa, que é o momento da gente distribuir a nossa alegria e de certa forma ajudando quem precisa, como cesta básica e o que for”.
Solange, no entanto, vê a situação da futura transição de live para shows normais de forma mais cautelosa: “É um questionamento bastante delicado. Você fica em meio ao ‘se correr o bicho pega e se ficar o bicho come’. Queremos e precisamos voltar, torço muito por isso, mas precisamos também ter bastante responsabilidade, ainda estamos em meio a uma pandemia nos adequando a um novo normal”.
Léo, por sua vez, acredita que “ainda vai levar um tempo para que a gente consiga rever aquela imagem de shows lotados com pessoas juntas”, mas disse acreditar que, em breve, surgirá “uma forma de como os shows possam retomar”. “Anseio por essa vacina, para que saia logo e tudo dar certo, mas acho que já está na hora de começar a pensar em um formato e protocolos para a retomada de shows, muitas famílias dependem disso”, defendeu.
CARNAVAL E SÃO JOÃO 2021
Debater sobre o futuro de duas grandes festas populares tem sido importante para definir, desde já, como a sociedade e os setores envolvidos poderão aproveitar o momento de forma menos prejudicial, tanto na questão da saúde, como também na economia. Até o momento, no entanto, não há uma definição de quando e como o Carnaval e o São João de 2021 irão acontecer (veja aqui).
Questionado sobre o futuro da festa, que normalmente é realizada entre fevereiro e agosto, Denny imagina um “Carnaval normal, independente de adiar ou não”, mas acredita que o tempo de espera dará um gosto diferenciado a folia de Momo por fazer todos os foliões e artista esperarem por mais tempo. Léo, por sua vez, não criou expectativas, mas espera que até lá “a vacina chegue para gente fazer uma grande festa. Perguntada sobre o São João, Solange foi positiva: “Eu sou uma mulher de bastante fé. Pratico todos os dias. E acredito que até lá a ciência e a fé caminharão juntas. Já já isso passará”.
