Autor de 'Abaixa que é Tiro' e 'Contatinho', Diggo se lança como cantor: 'Apostando tudo'
Por Júnior Moreira Bordalo
No Brasil, há uma cultura de que os artistas precisam definir o que são. Diferente do que acontece em países como os EUA e Inglaterra, se você é cantor, deve investir as possibilidades apenas neste ofício. Em outras palavras, ainda é visto com estranheza – principalmente por parte do público – quem deseja ser ao mesmo tempo cantor, ator, dançarino e assim por diante. E, apesar desta consciência, o já conhecido compositor Diggo decidiu apostar suas fichas também em cima dos palcos.
Responsável por sucessos recentes a exemplo de “Hipnotizou”, do Harmonia do Samba e Léo Santana, “Abaixa que é Tiro”, que deu o título de música do Carnaval 2019 a Parangolé, e “Contatinho”, o mais recente trabalho de Léo ao lado de Anitta – que vem se destacando nas plataformas digitais –, o artista quer se arriscar nos palcos. Ele lançou no último dia 29 de outubro sua música de trabalho, “Sou Eu”. Apesar da aparente tranquilidade, ele assume que está “apostando tudo” na nova carreira, mas sem deixar a composição de lado.
“A gente tá deixando naturalmente. Se for acontecer, irá. Estamos bem tranquilos quanto a isso. Vamos fazer o máximo possível para dar certo. Não precisa desespero”, avalia. A resposta veio ao ser questionado se teme não ter o mesmo êxito na carreira de cantor, assim como acontece com os colegas Escandurras e Tierry, que permanecem mais reconhecidos pelas suas letras. “Quero ser lembrado é pela minha musicalidade”, destaca.
Seu single de aposta bebe da fonte do que é produzido pelo ÀttooxxÁ e BaianaSystem. “Na verdade, nosso estilo vai ser pagode com influências do samba, trap, do reggaetteon. Vamos ter tudo dentro. O show vai ser bem divertido. Acho que o ÀttooxxÁ e o Baiana são mais alternativos, a gente vai fazer essa onda, mas tentando ser popular, comercial... trazer o que a galera fala mesmo”, pontua.
INÍCIO
Nascido no Cabula, em Salvador, Diggo começou a carreira em 2013 aos 16 anos por “acidente”. “Comecei a escrever por brincadeira. Fiz uma música, que na época foi gravada pelo New Hit – ‘Libera Geral’ –, depois gostei de compor e continuei fazendo música. Na época, Kannário gravou uma minha e um amigo chegou: ‘você tem voz, velho. Por que não canta?’ Vou tentar. Comecei , fui para roda de samba, misturado com rock”, lembra.
Na infância, seu desejo era de ser dançarino. “Do nada surgiu a vontade de escrever. Minha primeira música de brincadeira foi logo gravada. Nunca tinha pensando em nada desse tipo”. No papo, confessa que para ele tudo já foi escrito e que este é o seu desafio. “A gente vai procurando observar as coisas. O próprio Instagram, conversas com amigos, saídas... Na verdade, já usaram tudo, hoje tem muitas músicas parecidas, pois não tem mais do que falar. Isso me incomoda, mas os próprios artistas pedem. Eles querem ‘bunda’, ‘desce’, ‘quica’, pois é o que faz sucesso... ‘Abaixa que é Tiro’ surgiu assim. A gente falou das mesmas coisas, mas de outra forma”, salienta.

Apesar do sucesso da faixa de Tony Salles no Carnaval, Diggo surpreende ao revelar que a música não deu tanto dinheiro pelos direitos autorais. “Dá para ganhar bem quando estoura de verdade. Se você não tiver um ‘hitzão’, o cara não lucra. ‘Abaixa que é Tiro’, por exemplo, não deu muito dinheiro. ‘Hipnotizou’ foi muito melhor nesse sentido. É porque para o Parango, no meu ponto de vista, a música foi o gás para começar a tocar mais, era uma banda muito regional. Já o Harmonia toca em mais lugares, festas maiores”, contextualiza.
