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Convidada por chapa, Visi lamenta falta de diálogo de eleitores: 'Radicalismo complicado'

Por Ian Meneses / Júnior Moreira

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Carla Visi não é apenas uma cantora. Além de formada em Jornalismo e Gestão Ambiental, a artista é filiada ao Partido Verde (PV). Desde sua época na faculdade ela se considera defensora do meio ambiente e encontrou na sigla um posicionamento ideológico que se distancia dos objetivos de outros grupos políticos: “É um partido voltado para sustentabilidade, para as questões ambientais. Ele tem uma visão diferenciada dos partidos que só focam no poder pelo poder”.

 

Indo morar em Portugal por dois anos, depois de ser aprovada para o mestrado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Visi foi questionada se também estaria saindo do Brasil pelo descontentamento com a política. A artista nega e esclarece que a seleção do mestrado na Europa surgiu de forma coincidente no mesmo período de crise política no país. No entanto, não desvia do assunto e faz críticas ao atual sistema, principalmente com relação à polarização radical que se formou.

 

“O que mais me incomoda no Brasil em relação à política é ausência de diálogo. Eu tenho até dificuldade de me posicionar com amigos queridíssimos, sobre opiniões que vão contra Bolsonaro, que vão contra os lulistas. Há um posicionamento muito radical e eu nunca vi isso acontecer no Brasil”, conta. 

 

Ela ainda não decidiu em quem votar e ao mesmo tempo busca estabelecer diálogos com as pessoas próximas. Porém, são nas conversas onde os prós e contras são colocados em julgamento que ela percebe "que há uma certa agressividade, um radicalismo que se torna muito complicado”.

 

Diante de um momento em que a campanha #EleNão recebe a participação de artistas da TV e da música, Carla diz que não votaria em um candidato com posturas agressivas e acredita que quem vota é o principal responsável pelos rumos da política no país. Sobre o chamado "voto útil" - em que se vota em um candidato com quem não se identifica, apenas para que um segundo não ganhe a eleição -, ela se posiciona contra a ideia: “‘Eu vou votar nele, porque não quero mais o PT no poder…’ Eu também não gostaria mais do PT no poder, acho que deveria ter essa alternância de partidos e de ideologias. [...] [Mas] Posturas a favor de armas, a favor da morte, isso jamais! Está fora do meu escopo. Não é bem por aí, as ações são bem mais profundas e não vou, claro, tirar a responsabilidade do povo brasileiro. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas”, acredita. 

 

A cantora lamenta ainda que a “maneira de fazer política no Brasil está equivocada, porque as alianças que fazem no Brasil são alianças oportunistas”. Ela acredita que uma renovação na política brasileira deve ser feita. “Esses políticos antigos desde o Arena e MDB são os verdadeiros fisiologistas, são os caras que mais prejudicaram o nosso país, porque são décadas no poder sem fazer nada e beneficiando a si e aos seus. Então essa turma precisa ser retirada do poder. São salários absurdos, mordomias irreais e isso não é justo”, reclama.  

 

Visi chegou a ser convidada para ser candidata a vice-governadora na chapa do candidato José Ronaldo (DEM), no entanto, a ideia não foi pra frente não só pelo fato de estar indo passar 2 anos no exterior: “Fui convidada para ser vice de José Ronaldo. Não aceitei por causa do projeto em Portugal. Mas acho que não estou preparada para entrar numa disputa eleitoral no contexto político atual”, revela. 

 

Por fim, ela afirma que as pessoas devem ter “um pouquinho de coerência, na hora que a gente quer um político que não seja corrupto” e parte do princípio que “se a gente não é a favor da corrupção, não vamos dar espaço às pequenas corrupções".  

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