Em lançamento de ‘Segundo Sol’, Márcia Short exalta novela: ‘O axé precisa disso’
Por Júnior Moreira / Pascoal de Oliveira
Uma das convidadas para cantar no evento de lançamento da novela “Segundo Sol”, que ocorre na noite desta segunda-feira (14), no Teatro Castro Alves, Márcia Short aproveitou para avaliar o impacto que a trama pode trazer para o axé. “Eu acho que o axé precisa disso. É um momento muito oportuno para acendermos a nossa música de raiz, para trazer de volta a memória dos percussores e dar oportunidade ao novo. Tanto se fala em renovações, mas ações que, de fato, proporcionem renovação, vemos de forma muita esporádica. A música [baiana], voltando ao cenário nacional, a Bahia volta a ser assunto”, disse a artista ao Bahia Notícias. Para ela, ser convidada para participar do evento foi algo que a deixou contente: “Para mim é uma alegria figurar nesta cena, enquanto soteropolitana, negra, mulher que faz parte da ala da resistência, um raro exemplar que vive apenas de arte, essa loteria injusta. Eu acho que essa novela traz a Bahia de volta ao cenário nacional, em uma posição de horário nobre, e é inquestionável o valor disso. Estou muito feliz em estar aqui e espero que, no percurso, a Bahia seja retratada. A sua verdade da maneira que ela é. E que a gente possa voltar a figurar e a mostrar a Bahia com orgulho”. Ainda sobre o axé, ela fez questão de frisar a importância que a sua trajetória teve para esse ritmo na Bahia. “Eu me considero uma cantora que ajudou a construir esse movimento do axé e faço parte dele independente da minha vontade. Eu sou da época que ninguém queria ser cantor de axé, que era jocoso, “brown”. Dei a minha participação na Banda Mel de 1989 a 1994 e fundei, junto com Robson, o Bandabah. Com o Bandabah, veio um novo conceito de música. Na época fomos considerados muito sofisticados e depois esses arranjadores migraram para as bandas que hoje figuram no cenário nacional. [...] E eu continuo hoje fazendo música da Bahia e a levando para o mundo. Todo canto que eu vou, pegamos canções de outros ritmos e transformamos em axé. A gente faz o axé antigo com uma nova roupagem. Acho que essa é a minha missão”. A respeito das críticas sobre a falta de representatividade negra e baiana na produção, Márcia não escondeu sua opinião. “Acho que pode sim ter mais. Não sei de que forma a Rede Globo vai resolver essa questão, mas é legítimo sim o posicionamento de que temos aqui grandes talentos que poderiam estar na trama. Nós temos Claudia Di Moura, uma grande atriz, maravilhosa, uma mulher que me arrepia só de falar o nome dela. Pode ter certeza que temos o que há de melhor. Temos outros, temos Fabrício [Boliveira], que já demonstra que vai dar show de bola. Mas quando você fala de uma coisa como uma novela, você está falando de um projeto. Existe uma intenção, uma história e a pessoa que está contando. E é ela que vai dizer como ela quer contar a história dela. Eu acho que a gente precisa aguardar para testar e pedir para que a Bahia seja mais negra possível porque a Bahia é negra. O artista, que tem um peso nacional, como Adriana Esteves, Deborah Secco, vem como um reforço. É importante porque essas pessoas são formadoras de opinião, ‘alavancadores’ de audiência. Mas a Bahia é negra”, explicou a cantora.
