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'Meu propósito não é vender capa de revista', diz Danniel Vieira sobre preconceito

Por Júnior Moreira / Pascoal de Oliveira

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Um dos nomes do sertanejo baiano, Danniel Vieira está cheio de planos para 2018. O cantor, que lançou a nova música “Pano de Chão” nesta semana, conversou com o Bahia Notícias sobre dificuldades na carreira, filhos, perspectivas profissionais e preconceito. Quanto a este último assunto, Danniel disse que foi vítima de discriminação por ser um baiano cantando sertanejo e pela forma física. “Até hoje eu sofro. O preconceito começou quando eu não fazia parte daquele grupo que tinha o estereótipo de cantor de axé. E quando eu comecei a fazer parte do sertanejo parecia que eu um traidor porque eu não cantava axé. Aos poucos as pessoas foram mudando isso e entendendo que em Salvador e na Bahia se tinha reggae, forró, pagode... por que não poderia ter sertanejo?”, explicou. Sobre se encaixar na categoria "plus size", ele admite que, apesar disso não o incomodar, ele pensa em fazer alguma dieta por questão de saúde: “Não é uma questão de vaidade e estética. Meu propósito não é vender capa de revista, quero vender minha música. Eu trabalho com música, não trabalho com imagem”. Ele completou sua fala dizendo que os filhos o fizeram refletir sobre algumas coisas, sendo essa uma delas. “A gente sabe que gordura está diretamente ligada à saúde e a obesidade é considerada uma doença. Eu sou obeso. E minha filha me chama de ‘papai gordinho’ e isso me faz repensar o ser gordinho. Se vale a pena eu investir em uma dieta ferrenha para ter mais qualidade de vida e tempo com meus filhos. Os filhos mudam a vida da gente. Eu virei um cara frouxo. Se alguém me der uma fechada no trânsito eu abaixo a cabeça e peço desculpas. Tenho medo até de andar de avião. Tudo isso por causa de meus filhos e isso está mudando um pouco minha cabeça sobre ser gordinho. Eu comecei a ser gordinho de 12 anos para cá, ser gordinho é novidade para mim”.

 

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

Para se manter no mercado da música baiana cantando sertanejo, ele garante que foi preciso ser insistente: “Eu acho que foi um case de persistência, um case de chatice que veio contra tudo e todos. Um gordinho, barbudo, casado e com dois filhos. O que mais bomba nas minhas redes sociais são fotos com minha família. Minha carreira não é pautada na cachaça, na traição e nem na solteirice. [...] Eu sou uma pessoa normal, sou representante do povo, das pessoas normais. Acho que isso é interessante na minha carreira e as pessoas torcem por mim.” A respeito das polêmicas que envolvem o espaço do sertanejo no cenário baiano, ele diz que não há por que contrapor um ritmo a outro. “O que mais me perguntam é: ‘você acha que o sertanejo acabou como axé?’. Elas amam me perguntar isso e me colocar numa situação como se eu tivesse no meio de um sertanejo versus axé. Não existe isso, é muita prepotência de ambas as partes achar que o axé e sertanejo são brigados. Não existe isso.” Para Danniel, o desafio maior é a disparidade entre as atrações mais famosas e as menos conhecidas, além da falta de patrocínios. “A maior é a concorrência desleal que vem de fora de sertanejos grandes. Hoje qualquer sertanejo de fora vem com R$ 2 milhões de investimento na carreira, enquanto Danniel Vieira se frita na própria gordura. O mesmo dinheiro que eu ganho nos meus shows é o mesmo dinheiro que eu pago as minhas contas na banda e na vida pessoal [...] A música baiana não tinha mais investidores como tinha antes. Os que tinham investiam no axé e esses pararam. O problema é do mercado, não é do ritmo.” 

 

Na última segunda-feira (26), Danniel disponibilizou a música “Pano de Chão” nas principais plataformas de streaming e lançou o clipe nesta quarta (28). O músico garante que a música fala sobre o poder das mulheres. “Venho trabalhando nessa canção há um ano e meio. É uma composição de Marilu Santana, Ivan Brasil e Breno Casagrande. É uma canção que fala do cotidiano de um casal, uma coisa bem verídica. A gente sabe que as mulheres mandam. Quando a mulher quer infernizar a vida do cara, ela inferniza e acabou. E a história da música fala sobre isso: a mulher que bate a janela, abre a cortina, bate panela, que faz de tudo para perturbar o cara, mas que no final das contas eles se dão bem. [...] Eu estou até feliz com a repercussão da música porque tem o argumento do empoderamento feminino, das mulheres serem enaltecidas. E mulher gosta disso né? A mulher tem que saber que ela é amada, ela gosta disso. A gente é o pano de chão da história. Minha mulher adorou, ela amou a música. Eu não sei por que [risos]”. O produto audiovisual, segundo ele, foi construído em cima de uma referência conhecida: o filme “Cinquenta Tons Mais Escuros”, da trilogia “Cinquenta Tons de Cinza”. “Minha esposa perguntou: ‘amor, você vai fazer mais do mesmo? Vamos fazer uma coisa diferente’. De madrugada, enquanto estávamos dando leite para meu filho, passou a recomendação de um filme chamado ‘Cinquenta Tons Mais Escuros’. Aí eu falei ‘rapaz, por que a gente não faz um clipe tipo Cinquenta Tons de Cinza com a mulher dominando o cara? Foi isso que a gente pensou e acabamos fazendo. O clipe conta com um casal de amigos meus. [...] Foi um clipe sensual sem ser vulgar. Eu estou participando como se fosse um espírito nas cenas”, detalhou o artista. 

 

 

O cantor finalizou o bate-papo assegurando que, logo depois do São João, lançará outra música, com uma dupla sertaneja que já está gravada. A canção terá influências pop e será primeira música do cantor trabalhada em todo o país. Além disso, Danniel pretende focar na carreira a nível nacional e gravar um DVD com 12 músicas autorais.

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