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Kart Love defende arrocha: ‘Quem tem preconceito não presta atenção na letra’

Por Júnior Moreira

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Com a passagem do Carnaval, as bandas de forró, arrocha e sertanejo começam a divulgar suas opostas para o período junino. É fato. As lojas passam a estampar nas vitrines as roupas quadriculadas, as aulas de dança de salão voltam com tudo e as comidas derivadas do milho também surgem nas prateleiras. A banda Kart Love está de olho nesse movimento. Comandado por Lucas Kart, o grupo é um dos mais conhecidos da cena noturna de Salvador e lançou na última terça-feira (6) a sua mais nova aposta para os próximos meses: “Carteiro”. “Quando ouvi, gostei de cara, pois fala de um tema que ninguém trata mais: cartas de amor. Hoje em dia, só tem Whatsapp do amor (risos). Acho a carta romântica, antiga e bacana. Na história, o cara pede ao carteiro para não entregar, pois significa que ele irá sofrer muito. Foi o que mais me chamou atenção”, explicou o cantor. “Falar de amor com sofrimento me deixa muito feliz, pois gosto de fazer as pessoas refletirem”. A canção é uma composição de Rafael Lemos, João Victor e Gabriel Rocha e a banda deve gravar um clipe da versão acústica nos próximos dias.

Residente do Zen desde setembro de 2017, Lucas revelou que está “adorando” essa oportunidade de reciclar o público. Por outro lado, confessou não temer ser rotulado como “uma banda da noite soteropolitana”. “Se só tocássemos aqui, ficaria preocupado. 'Rapaz, precisamos fazer alguma coisa'. A gente toca muito no interior. Acho ótimo quando a galera do interior chega e escolhe curtir a noite com a gente. Sem falar que fazemos arrocha em uma época que o sertanejo está tão forte”.  Apesar da força deste estilo e de a Bahia ser conhecida como a terra do Axé, o artista pontua que não é difícil levantar essa bandeira aqui. “Já foi. Tinha preconceito e não consigo entender o motivo. É música baiana, foi criado aqui em Candeias. Os caras faziam arrocha no teclado, no interior. É uma força que já tem um tempo. Hoje em dia, acabou totalmente o preconceito. É um ritmo das ruas, assim como o próprio pagode. Tá na veia. É cultural”, salientou e continuou: “No interior, acho que 80% [das pessoas] ouvem arrocha nas ruas e carros. Todas as pessoas já sofreram por amor. E quem tem preconceito é porque não presta atenção na letra. Tem coisa mais romântica que Beatles? Só que as pessoas não percebem. Deveria ser o contrário. Temos que valorizar”, chamou atenção.

Apesar de ser representante desse arrocha universitário, Lucas deu sua opinião sobre o fato da Bahia ainda não ter um grande nome do sertanejo no Brasil. “Na verdade, tudo tem caminhado rumo ao sertanejo. O que me chama atenção lá é a união. Se formos observar os escritórios têm bandas de todos os preços. Precisa disso aqui. A galera se unir não só da boca para fora. Tem que ser na prática, sabe? Produzir, compor, fazer eventos juntos. Sempre tento fazer isso com meus amigos. Gravei com Pablo, Tayrone, Léo Santana...”, observou. Depois, defendeu os artistas da terra. “A gente tem ótimos cantores, como Danniel Vieira, Dan Valente e Seu Maxixe. Temos condições do trabalho crescer. Acho que a galera do arrocha também está se renovando. Devinho Novaes, Mano Walter... todo mundo está produzindo o tempo inteiro. Mas acho que a Bahia é o estado que mais produz talento”, comemorou. Para os próximos passos, após trabalhar o CD “Clássicos do Arrocha – 1: Canto, Bebo e Choro”, que traz grandes sucessos do ritmo, Kart Love irá lançar um outro CD antes do São João e gravará um DVD, em Salvador, até o final de 2018.  Ao longo dos anos, a banda já acumula 9 discos, sendo 6 promocionais, 2 DVDs e 6 clipes gravados.

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