Baianos criam canal no YouTube para abordar cotidiano da população periférica com humor
Por Júnior Moreira
Fundado em maio de 2016, o canal Flopou apareceu no YouTube com o intuito de estabelecer uma ligação direta de baiano para baiano, sem o tradicional estereótipo global, em que o “Meu Rei” é o personagem principal do sotaque local. E após quase 10 meses, o produto encabeçado por Lucas Leto, Rafaela Azevedo e Filipe Marcel acumula quase 13 mil seguidores no Facebook e cerca de 6 mil inscritos no YouTube, totalizando mais de 180 mil visualizações. “A gente meio que se namorava pelos vídeos do Snapchat, pois tínhamos o mesmo tipo de humor. Depois, Rafaela teve a ideia de criar o canal e formamos um grupo no Whatsapp para pensar no nome e formato. Tivemos várias dúvidas, mas saiu”, explica Lucas, aos risos. No conteúdo, são abordados temas como liberdade sexual, empoderamento negro e representatividade, mas com a pegada do humor. “Eu sou negra, lésbica e periférica e ter um negro e outro branco e gordo me fortalecendo é muito bom, pois encoraja outras pessoas, sabe? Na infância, tinha medo de aparecer, de tirar foto, pois me achava feia e gorda. E agora, as pessoas dizem que sou referência para elas”, comemora Rafaela. “É uma questão de representatividade mesmo. A gente não se via na TV e esses vídeos fazem as pessoas se sentirem parte”, completa Marcel.
Apesar da dedicação, eles explicam que o canal ainda não traz retorno financeiro. “Fazemos pela vontade. Às vezes, bate um desânimo pelas dificuldades, porém o carinho que recebemos é muito especial. É um reconhecimento do trabalho. É louco ver pessoas tremendo quando nos encontram na rua”, pontuam. Para encerrar 2016, o grupo Frases de Mainha, um dos maiores virais do YouTube baiano do ano, reuniu diversos canais em um vídeo comemorativo, incluindo o Flopou, e eles comentaram sobre a parceria. “A gente não esperava. Foi um aprendizado muito grande e nos abriu portas para conhecermos outros youtubers de Salvador que já curtiam nosso trabalho. Mainha é realmente uma mãe. Qualquer hora que precisamos, eles param e nos ajudam. Isso é muito importante, pois canais grandes não costumam ajudar quem não está lá em cima”, atentam. Quando questionados sobre a forma de produzir conteúdo, eles são diretos. “Tem que ser natural. Essa é a ideia. A gente tenta apresentar o que somos na vida real”, admite Rafaela, sendo completada por Lucas: “Não temos limites quando se trata de algo entre a gente, mas sempre pensamos no nosso público; se o vídeo terá relação com as pessoas que nos assistem, pois temos a preocupação de não ofender ninguém”. Quanto ao futuro, diversos sonhos e um consenso: “Alcançar e representar mais e mais pessoas. Do menino da periferia até o da orla. Que consigamos ocupar os espaços com nossa verdade, tendo a liberdade de falar sobre tudo”, finalizam.
