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'Eu não tenho raiva, tenho pena de racista', desabafa Tony Garrido em programa de TV

Foto: Reprodução / TV Globo
Toni Garrido participou, na manhã desta quinta-feira (17), do programa ‘Encontro’ e fez críticas contundentes ao racismo. O cantor relembrou o preconceito que sofreu na infância e disse que consegue ver algo positivo nos ataques racistas que Maria Júlia Coutinho, Taís Araújo e Cris Vianna sofreram na internet (clique aqui, aqui e aqui e relembre).

"Isso acontece há 500 anos, agora estamos vendo mais por que temos as redes sociais. Eu, particularmente adoro, entre aspas, que eles se apresentem em redes sociais para que a gente possa identificá-los. É uma facilidade para gente e um serviço social para todo mundo. Os artistas que estão sofrendo essa injúrias, e sempre sofreram têm a oportunidade de dizer a população que esse monstro é pequenininho, existe um remedinho chamado leis que podem combater isso com facilidade. É um momento de luz para gente, pois quando se apresenta podemos combater", explicou ele.

Ele contou, então, sua primeira experiência com o preconceito. "Tenho uma história muito triste, quando ainda não tinha noção de que existiam leis. Estava subindo no elevador do meu prédio de classe média em Copacabana voltando da escola aos 7 anos, quando uma senhora segurou a porta do elevador e perguntou: 'você vai para onde?'. Respondi que para a minha casa e ela disse 'tudo bem, mas seu elevador é o outro', me puxou pelo ombro e me tirou. Fui andando perplexo, subi no outro elevador e contei para a minha mãe, Ofélia, o que tinha acontecido", relatou.

Garrido explicou que a reação de sua mãe lhe deu segurança para lidar com a situação e aprender com a situação. "Ela desceu do jeito que ela estava, de camisola velhinha, e andou dois quarteirões até a delegacia. Ela berrava: 'Eu exijo a lei Afonso Arinos (que proibia a discriminação racial), isso é racismo'. Esse foi meu primeiro contato real com o racismo. Essa lei não prendia, era contravenção. Mas a partir daí ficou mais fácil para mim, porque eu sabia que tinha a lei", desabafou.

Garrido diz como encara a situação atualmente. "Eu não tenho raiva, tenho pena de racista". E chama a atenção para uma consequência do discurso de ódio. "Uma das coisas que o racismo e preconceito criam é a violência pura. Há um grande número de jovens negros que morrem no país por coisas que o racismo promove”, finalizou arrancando aplausos de todos os presentes.

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