‘Belo não nasceu com a bunda pra lua, nasceu com ela dentro dele’, elogia Ju Moraes
Por Aymée Francine / Ailma Teixeira / Renata Pizane
Com seis anos de carreira, Ju Moraes acaba de lançar a música ‘Exclusivo’, que conta com um clipe pra lá de ousado. Baiana, criada em Berimbau, a sambista acredita que a canção e o disco que estão por vir são o seu trabalho mais maduro. “É o início de um trabalho mais maduro em samba. Porque, ‘Exclusivo’, é só um single que vai encabeçar essa nova fase, Acho que qualquer trabalho de um artista, um após o outro, significa uma maturidade, né? Significa um crescimento. E eu sou muito nova. Na música, no samba...”, opina.
O último álbum, ‘Em cada canto, um samba’, foi lançado por Ju em abril de 2014, e a grande mudança para o que está por vir começa nas composições musicais. “Meu primeiro trabalho foi um disco 70% autoral. Tinham três músicas que não eram minhas, mas todas as outras eu assinava sozinha, ou com parceiros. Então, o que aconteceu, nesse trabalho novo, eu acabei vindo com o pensamento que gostaria muito de ser intérprete. Primeiro, porque a gente tem compositores incríveis, não só na Bahia, mas no Brasil inteiro, e de samba, principalmente. Exclusivo é uma composição que foi encomendada pra mim. O Boris e o Belo, que são os produtores desse disco, eles resolveram encomendar uma música pra mim. E, quando eu ouvi a primeira vez, fiquei muito tocada pela melodia, pela letra. A melodia diz muito mais, inclusive do que a letra. Sobre a forma de cantar. O samba tem divisões, que dentro da música, acabaram favorecendo muito pra ela ser a primeira. E casou muito bem, né? Quando eu ouvi a primeira vez, quando Picolé – que é um dos compositores – mandou, eu falei ‘Gente, ele fez tudo que eu queria fazer pra mim’”, disse ela emocionada, garantindo que, ainda assim, nada está confirmado. “Eu continuo compondo”, declarou.
O último álbum, ‘Em cada canto, um samba’, foi lançado por Ju em abril de 2014, e a grande mudança para o que está por vir começa nas composições musicais. “Meu primeiro trabalho foi um disco 70% autoral. Tinham três músicas que não eram minhas, mas todas as outras eu assinava sozinha, ou com parceiros. Então, o que aconteceu, nesse trabalho novo, eu acabei vindo com o pensamento que gostaria muito de ser intérprete. Primeiro, porque a gente tem compositores incríveis, não só na Bahia, mas no Brasil inteiro, e de samba, principalmente. Exclusivo é uma composição que foi encomendada pra mim. O Boris e o Belo, que são os produtores desse disco, eles resolveram encomendar uma música pra mim. E, quando eu ouvi a primeira vez, fiquei muito tocada pela melodia, pela letra. A melodia diz muito mais, inclusive do que a letra. Sobre a forma de cantar. O samba tem divisões, que dentro da música, acabaram favorecendo muito pra ela ser a primeira. E casou muito bem, né? Quando eu ouvi a primeira vez, quando Picolé – que é um dos compositores – mandou, eu falei ‘Gente, ele fez tudo que eu queria fazer pra mim’”, disse ela emocionada, garantindo que, ainda assim, nada está confirmado. “Eu continuo compondo”, declarou.
“Tem vindo muito material muito bom pra mim nesse disco novo, eu ainda não encaixei uma música minha nele, até que encaixe na história. Porque um CD tem que ter uma história, início, meio e fim. E nenhuma de minhas composições encaixou ainda. Mas, por exemplo, Michael Mute, que é quem produziu meu primeiro CD, fez uma música para mim que tá incrível. É um dueto, que eu não sei ainda. Vou ter alguns duetos nesse disco, um deles vai ser com Belo, que eu ainda não sei se vai ser essa música e vão ter outros, com pessoas que tenho muita vontade de fazer. Mas essa música ela é um dueto e eu tenho certeza que vai entrar nesse trabalho. E ela não é samba, é uma balada, MPB, uma música muito bonita que ele fez pra mim”, conta ela sobre a produção do novo álbum.
Em 2012, Ju Moraes participou da primeira edição do The Voice Brasil no time de Claudia Leitte e terminou a competição em segundo lugar, perdendo para a brasiliense Ellen Oléria. “O The Voice foi uma mola. Mas assim, graças a já ter um trabalho, um repertório, um público. É uma multiplicação, né? De um trabalho que você já faz. Porque o pessoal vê e vai pesquisar, aí vê que tudo existe, vídeos, músicas. Sabe? Isso é muito bom. Quando eu voltei, continuei o meu trabalho, mas com uma outra exposição, com a evolução que tive no programa, de três meses de base, estudo”, contou a jovem, que diz não ter mais relação próxima com a sua técnica. “Eu não conhecia a Claudinha antes do programa e a gente teve uma relação bacana durante, ela gravou uma música comigo para o primeiro CD – que eu adoro e é uma das minhas músicas preferidas do disco, que é ‘Samba Rock com Dendê’, mas ela tem uma agenda muito louca, diferente. Claudinha nem mora mais aqui, praticamente. Então é muito difícil”, explica.
No fim de 2014, a baiana, de 29 anos, foi convidada para participar do show ‘Gigantes do Samba’, cantando com Belo – um dos grandes nomes do samba nacional. Desde então, o cantor se tornou padrinho de Ju. “Eu tava aqui em Salvador, e Guto – meu empresário – estava almoçando e quando foi cumprimentar alguém de alguma rádio e o Belo estava, porque ele tava fazendo o trabalho de divulgação do CD novo dele aqui em Salvador. Nisso eles foram apresentados e disseram ‘Esse é o Guto, da 2GB, empresário de Ju Moraes’ e ele disse logo que gostava de mim, me acompanhava nas redes sociais, que gostava da minha voz e pediu que me levasse no show que ele ia fazer. Aí Guto me levou, muito despretensiosamente, pro show e lá ele perguntou se eu queria cantar com ele. Então eu fui a gente cantou ‘Não deixe o samba morrer’ e ‘Tua Boca’ e foi isso, tá, tchau. No outro dia, ele me mandou uma mensagem no Instagram me elogiando, dizendo que tinha gostado do meu timbre e ai a gente começou a se falar mais. E na conversa ele disse que adoraria fazer um trabalho comigo e eu disse logo ‘eu que adoraria que você pudesse dirigir um trabalho meu’”, contou ela sobre o início da parceria.
Em 2012, Ju Moraes participou da primeira edição do The Voice Brasil no time de Claudia Leitte e terminou a competição em segundo lugar, perdendo para a brasiliense Ellen Oléria. “O The Voice foi uma mola. Mas assim, graças a já ter um trabalho, um repertório, um público. É uma multiplicação, né? De um trabalho que você já faz. Porque o pessoal vê e vai pesquisar, aí vê que tudo existe, vídeos, músicas. Sabe? Isso é muito bom. Quando eu voltei, continuei o meu trabalho, mas com uma outra exposição, com a evolução que tive no programa, de três meses de base, estudo”, contou a jovem, que diz não ter mais relação próxima com a sua técnica. “Eu não conhecia a Claudinha antes do programa e a gente teve uma relação bacana durante, ela gravou uma música comigo para o primeiro CD – que eu adoro e é uma das minhas músicas preferidas do disco, que é ‘Samba Rock com Dendê’, mas ela tem uma agenda muito louca, diferente. Claudinha nem mora mais aqui, praticamente. Então é muito difícil”, explica.
No fim de 2014, a baiana, de 29 anos, foi convidada para participar do show ‘Gigantes do Samba’, cantando com Belo – um dos grandes nomes do samba nacional. Desde então, o cantor se tornou padrinho de Ju. “Eu tava aqui em Salvador, e Guto – meu empresário – estava almoçando e quando foi cumprimentar alguém de alguma rádio e o Belo estava, porque ele tava fazendo o trabalho de divulgação do CD novo dele aqui em Salvador. Nisso eles foram apresentados e disseram ‘Esse é o Guto, da 2GB, empresário de Ju Moraes’ e ele disse logo que gostava de mim, me acompanhava nas redes sociais, que gostava da minha voz e pediu que me levasse no show que ele ia fazer. Aí Guto me levou, muito despretensiosamente, pro show e lá ele perguntou se eu queria cantar com ele. Então eu fui a gente cantou ‘Não deixe o samba morrer’ e ‘Tua Boca’ e foi isso, tá, tchau. No outro dia, ele me mandou uma mensagem no Instagram me elogiando, dizendo que tinha gostado do meu timbre e ai a gente começou a se falar mais. E na conversa ele disse que adoraria fazer um trabalho comigo e eu disse logo ‘eu que adoraria que você pudesse dirigir um trabalho meu’”, contou ela sobre o início da parceria.

Fã assumida, Ju não esconde a admiração pelo novo mentor. “O Belo é um dos maiores cantores do nosso segmento, se não o maior. E ele tem um repertório de dar inveja... É um cara que se ele precisar fazer um show de 3h só com sucessos, ele faz com sucessos só dele. É um cara que onde toca vira ouro. Ele não nasceu com a bunda pra lua, nasceu com ela dentro dele, né? Eu sempre falo isso. Sempre fui muito chocada com esse tipo de pessoa que tudo que faz vira hit, ele consegue trabalhar um CD inteiro, isso é muito difícil. Tem tanto cantor que toca uma música a vida inteira, ele tem centenas. E aí acabou que conversa vai, vem, eu fui pro Rio e ele teve show, eu fiz participação. Tivemos uma sintonia, objetivos parecidos, uma forma de enxergar a música como primeiro plano, sempre. Sempre tive muita responsabilidade com o que eu canto, sabe? Com as coisas que eu canto, com a forma com qual eu apresento meu trabalho. E ele teve isso também. Ele é muito metódico. E aí que veio essa primeira música, que foi meio um teste pra gente. E eu nunca fui dirigida vocalmente, isso é muito doido. Eu sempre tive direções musicais, mas não ninguém que chegasse, ‘olha Ju, você vai cantar assim tal parte, assim outra’. Ele fez isso, é sem dúvida a minha melhor gravação de voz é ‘Exclusivo’”, enfatiza ela.
Soteropolitana, a sambista contou que muito antes de Belo e Claudinha, um outro artista baiano enxergou sua música e a ajudou a fazer sucesso no mercado. “Tem uma pessoa que me ajudou muito no início, que é Tuca (Fernandes). Eu tenho até músicas com ele. Tuca conheceu meu trabalho muito no início, quando era muito bar, e ele foi, ouviu e gostou muito. Tanto que o irmão dele foi, durante muito tempo, quem vendia meu show direto. Até hoje ele continua comigo. Mas Tuca foi o primeiro artista com quem eu tive contato, que me ajudou muito, me abriu muitas portas, me apresentou a muita gente, me falou muito sobre música, a importância de um repertório, de estudar. Foi quem me disse ‘Bota um piano, vai ficar melhor’... Me ajudou demais”, diz ela, agradecida.
Cantora em um segmento historicamente patriarcal, Ju Moraes não acredita que tenha sofrido nenhum preconceito de gênero em sua caminhada. Muito pelo contrário. “Acho que desperta mais curiosidade de ouvir, né? Não são poucas as mulheres que cantam samba, mas as que tão no cenário... A gente tem Alcione, Beth Carvalho, Pérola Negra, a própria Clara Nunes – que é uma das maiores referências nacionais e internacionais. Acho que as pessoas até curtem: ‘Poxa, ela faz samba. Vamo ouvir!’. Não tem preconceito. Tem um primeiro olhar, aquela coisa... ‘Ah, é novinha’. Pessoal costumava dizer que a gente ia cantar ‘samba de branquinho’, né? Gente, eu não tenho nada disso. A gente foi criado dentro, literalmente, da bagaceira. Meus músicos todos vieram do samba, foram criados na cidade baixa, conhecem o samba a fundo, há muito tempo. Tem sempre um primeiro olhar das pessoas, de desconfiança, mas eu acho normal. A gente tem isso com todo mundo, principalmente sobre uma artista, um trabalho, mas depois fica tudo certo”, detalha ela sem perder o sorriso no rosto.
Soteropolitana, a sambista contou que muito antes de Belo e Claudinha, um outro artista baiano enxergou sua música e a ajudou a fazer sucesso no mercado. “Tem uma pessoa que me ajudou muito no início, que é Tuca (Fernandes). Eu tenho até músicas com ele. Tuca conheceu meu trabalho muito no início, quando era muito bar, e ele foi, ouviu e gostou muito. Tanto que o irmão dele foi, durante muito tempo, quem vendia meu show direto. Até hoje ele continua comigo. Mas Tuca foi o primeiro artista com quem eu tive contato, que me ajudou muito, me abriu muitas portas, me apresentou a muita gente, me falou muito sobre música, a importância de um repertório, de estudar. Foi quem me disse ‘Bota um piano, vai ficar melhor’... Me ajudou demais”, diz ela, agradecida.
Cantora em um segmento historicamente patriarcal, Ju Moraes não acredita que tenha sofrido nenhum preconceito de gênero em sua caminhada. Muito pelo contrário. “Acho que desperta mais curiosidade de ouvir, né? Não são poucas as mulheres que cantam samba, mas as que tão no cenário... A gente tem Alcione, Beth Carvalho, Pérola Negra, a própria Clara Nunes – que é uma das maiores referências nacionais e internacionais. Acho que as pessoas até curtem: ‘Poxa, ela faz samba. Vamo ouvir!’. Não tem preconceito. Tem um primeiro olhar, aquela coisa... ‘Ah, é novinha’. Pessoal costumava dizer que a gente ia cantar ‘samba de branquinho’, né? Gente, eu não tenho nada disso. A gente foi criado dentro, literalmente, da bagaceira. Meus músicos todos vieram do samba, foram criados na cidade baixa, conhecem o samba a fundo, há muito tempo. Tem sempre um primeiro olhar das pessoas, de desconfiança, mas eu acho normal. A gente tem isso com todo mundo, principalmente sobre uma artista, um trabalho, mas depois fica tudo certo”, detalha ela sem perder o sorriso no rosto.

Como intérprete, a cantora destaca qualquer outro ritmo que não derive do samba ou seja trazido para ele. “Eu quero, principalmente nesse novo disco, explorar meu lado mais intérprete de Música Popular Brasileira. Mas o samba vai estar sempre presente, tanto que essa música nova é um samba. Meio bossa, mas um samba. Eu não me vejo abandonando o samba, muito pelo contrário, me vejo agregando a ele outros elementos. Eu acho que não saberia cantar outra coisa. O samba tem uma divisão que, acho que, por conta dos anos eu incorporei”, diz ela, sem descartar possíveis participações ou interpretações pontuais. “A gente é criada no dendê, né? Acho que as vezes é natural também”, destaca.
Perguntada sobre o Bahia, seu time do coração, Ju dispensa comentários e explica: “Eu tava até feliz, esse papo de futebol me deixou tensa. O Bahia não tem jeito não, rapaz”, finaliza ela sem tirar o sorriso do rosto e o samba da veia. Neste domingo (22), Ju se apresenta, em Salvador, no Alto do Andú, abrindo o show de sua segunda madrinha: Claudia Leitte.
Perguntada sobre o Bahia, seu time do coração, Ju dispensa comentários e explica: “Eu tava até feliz, esse papo de futebol me deixou tensa. O Bahia não tem jeito não, rapaz”, finaliza ela sem tirar o sorriso do rosto e o samba da veia. Neste domingo (22), Ju se apresenta, em Salvador, no Alto do Andú, abrindo o show de sua segunda madrinha: Claudia Leitte.
