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Caetano lota a Concha, apresenta um ‘Abraçaço’ arrebatador e dispara: ‘Bahia minha porra’

Por Rafael Albuquerque

Foto: Mellyna Reis/NE10 Bahia
Na última sexta-feira (17) a capital baiana recebeu o show da turnê “Abraçaço”, do disco homônimo de Caetano Veloso. Com a Concha Acústica do Teatro Castro Alves lotada (os ingressos foram esgotados), o cantor santamarense iniciou o espetáculo por volta das 19h30 com a canção “A Bossa Nova é Foda”, single do CD “Abraçaço”, eleito pela revista Rolling Stones Brasil como o melhor disco nacional de 2012. No repertório, canções do novo trabalho se entrelaçavam com hits como “Triste Bahia”, do disco Transa,  "Você Não Entende Nada" (Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo) e “Reconvexo", uma homenagem à irmã Maria Bethânia. A Banda Cê, formada pelos músicos Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo), que passaram pelo disco “Cê” (2006) e “Zii e Zie” (2009) e finalizam a trilogia com o com inovador e elogiado “Abraçaço” (2012), demonstraram bastante sintonia e executaram de forma elogiosa as novas músicas – muitas delas já conhecidas do público, “Um Abraçaço", “Quando o Galo Cantou", "Estou Triste", "Parabéns", dedicada aos aniversariantes presentes, "Um Comunista", em homenagem a Carlos Marighella, morto aos 57 anos, em 1969, e “Funk Melódico”.

 


Caê e sua Banda Cê deram roupagem nova a antigos sucessos e empolgaram o público com "Lindeza" (Circuladô), "Eclipse Oculto" (Uns), “Homem” (Cê), “Odeio” (Multishow Ao Vivo), "Escapulário" (Joia), "Alguém Cantando" (Bicho) e "De Noite na Cama" (Temporada de Verão). Instantes antes de cantar "A Luz de Tieta", Caetano, que já tinha saído do palco com seus músicos e voltado para a finalização do espetáculo, proferiu as que foram suas duas únicas frases no show e fez o público ir ao delírio: “Essa é a Bahia. Bahia minha porra”. E nem precisava falar mais do que isso. O artista, que algumas canções depois saiu do palco em definitivo sem se despedir verbalmente do público – composto também por artistas como o ator Wagner Moura e o cantor Armandinho Macêdo, dominou a plateia do inicio ao fim do show. Ao se jogar no chão, desabotoar a camisa e mostrar o peitoral e a barriga, dançar, sorrir bastante e mostrar a malemolência proposital de seu rebolado, Caetano Veloso reafirmou que não é apenas um cantor, mas um artista performático completo, e que aos 70 anos de idade junta a experiência da vivência em diversos momentos culturais com a jovialidade de quem enfrenta sem problemas o desafio de produzir e lançar um disco inovador e arrebatador como “Abraçaço”.

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