O Carnaval de Salvador não é o mesmo
Por Rafael Albuquerque
Realmente o Carnaval de Salvador já não é o mesmo. Aliás, depois de perder boa parte das características culturais em detrimento dos interesses econômicos, agora é justamente a questão financeira o grande problema da maior festa popular de rua do planeta. É que os foliões brasileiros não estão mais dispostos a pagar os valores exorbitantes por um pedaço de pano que dá direito a curtir um, dois ou três dias de folia comandados por uma banda – que muitas vezes nem correspondem às expectativas depositadas e o dinheiro investido – em cima de um caminhão equipado por toneladas de som. A queda nas vendas é latente, basta conferir no site dos três principais grupos que vendem abadás: a Central de Carnaval, o Axé Mix e o Reino da Folia, cujos artistas envolvidos são, respectivamente, Bell Marques, Ivete Sangalo e Durval Lélis, os considerados principais do Carnaval de Salvador. Em todos eles há muitas promoções, pacotes, ofertas, brindes e tantos outros atrativos diferenciais para tentar desencalhar os estoques. Para quem lembra do Camaleão uns 4 anos atrás sabe muito bem disso.
O bloco, considerado top da festa, esgotava logo depois da folia. Mas, atualmente, nem Camaleão, nem Coruja e nem Me Abraça esgotaram. Já se foi o tempo em que no mês de junho, período do São João, os artistas e suas produtoras comemoravam o estouro nas vendas dos tais pedaços de pano. Justiça seja feita, os blocos Timbalada, Eva e Coco Bambu, comandados pela Timbalada, Banda Eva e Asa de Águia, respectivamente, tiveram destaque nos últimos anos. Mesmo sem esgotar com antecedência, foram muito bem comentados e os preços inflacionaram no mercado paralelo de vendas, alimentado pelos cambistas que se concentram na região do Jardim Brasil, na Barra, e no Aeroclube. Aliás, esses lugares servem como verdadeiros termômetros para saber se determinada banda ou bloco vai bombar ou não no carnaval, pois se depender das vendas nas lojas convencionais, a expectativa vai continuar.
