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Jornal critica duramente novo CD de Daniela Mercury

Por Josemar Arlego




O colunista de música Lauro Lisboa Garcia, do jornal Estado de São Paulo, criticou duramente o novo CD de Daniela Mercury, "Canibália", lançado recentemente. O artigo foi publicado nesta quarta-feira (23) e em outros jornais do país através da Agência Estado. Veja, em alguns trechos,  o que diz o artigo:

"Daniela Mercury ressurge com um dos discos mais fracos de sua carreira, embora se faça estrondoso. Canibália sai com cinco capas e cinco sequências diferentes de faixas. O efeito de maquiagem não se limita ao material gráfico de Gringo Cardia: se o conteúdo é inconsistente, como diz o chavão, investe-se na forma. Por fora, bela viola, mas por dentro...Eu Sou Preta é um balaio de clichês de exaltação à baianidade. No reggae Sol do Sul, Daniela cai na repetição, usando velhas aliterações, rimas e imagens óbvias – céu, Sol, som, Sul, mais olhos de farol, azul do mar... Além desta, a face “Latino-América” vem na versão de La Vida Es un Carnaval, sucesso do repertório de Celia Cruz. Dona Desse Lugar recai sobre o universo indígena. Cinco Meninos junta as vozes da família. É muito ecletismo para uma aquarela só. No mais é Dorival Caymmi, Ary Barroso, Tropicália, Glauber Rocha, tribalismo etc. num amontoado de referências e citações com intenções claras, mas de resultado duvidoso. É tanta patriotada – com urras de “Brasil”, “viva Carmen Miranda” e expressões do gênero – que parece um CD produzido pelo Galvão Bueno. Como a insinuar preocupação, eis que há lapsos de “consciência” como no revival de O que Será? (À Flor da Terra) (Chico Buarque) – que Daniela já tinha gravado com Mercedes Sosa –, agora em versão axé cabeça. Como a lembrar que a velha cara política do Brasil, hoje como ontem, “não tem decência, nem nunca terá”, só reforça, antagônico, o abestalhado ufanismo do resto do disco".

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