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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Locutor e empresário da Chica Fé diz que o pagode é desorganizado e que o axé perdeu sua origem

Ele era economista e trabalhava na área. Até que um belo dia se cansou de "dinheiro" e foi se aventurar nas ondas do rádio. E não é que deu certo? Hoje, Jefrey Athaíde tem um programa prestes a completar três anos de sucesso na rádio Itaparica FM: o Festa Folia Mix, que aborda temas ligados ao axé e abre espaço para as diversas opções de entretenimento e novos talentos. Mas nesta entrevista polêmica, Jefrey diz que seu programa não aparece numa boa colocação no ibope porque não é comprado e que o pagode não está mais forte que o axé porque seus empresários e artistas são desorganizados. Empresário da banda Chica Fé, o entrevistado desta semana contou como entrou no ramo musical e faz comparações entre Saulo Fernandes (assumiu a banda em sua primeira fase) e o irmão Sérgio Fernandes, que assumiu os vocais da banda com a saída de Saulo. Se Jefrey tivesse que escolher entre a Chica Fé com Saulo e a Chica Fé com Serginho, adivinha com quem ele ficaria? A resposta está logo abaixo. E é claro que a Coluna Holofote não deixou de perguntar sobre a polêmica história do "Todo Enfiado" da professora e da banda "O Troco". Confira!


"Apesar da rádio não aparecer bem no Ibope, porque não o assina, o retorno que a gente tem é fantástico"

Coluna Holofote: Há quantos anos você está no rádio?
Jefrey Athaíde:
Desde 1994.


CH: E como é que começou a sua história com esse veículo/
JA:
Meu pai, José Athaíde já tem 60 anos de rádio, já fez 24 copas do mundo e sempre foi o sonho de meu pai ter um filho que seguisse o caminho do rádio. Só que eu me formei em Economia. Isso foi em 1991, pela Universidade Católica de Salvador. E então, durante algum tempo eu trabalhei na construtora Akyo. Mas você sabe uma hora que você pára assim e pensa “não estou mais a fim de fazer economia, não”, aí eu liguei para meu pai na mesma hora e disse que estava a fim de fazer futebol.


CH: Mas você já gostava de futebol ou foi o caminho que encontrou, já que seu pai era dessa área?
JA:
Eu sempre gostei de futebol. Sempre fui a estádio, sou torcedor do Bahia, fui várias vezes ao Maracanã assistir final de Copa do Brasil e eu também sempre escutava programas de futebol. Aliás, eu escuto todos os programas de rádio. E quando eu disse a meu pai que eu estava a fim de ir para o rádio, ele topou e eu comecei como repórter esportivo setorista do Bahia. E nessa época, também, eu fui trabalhar como gerente de uma loja do Eva. Aí, eu passava o dia todo dentro da lojinha do Eva e todo dia por volta das 16h eu pegava o carro e me mandava para o Fazendão, mas aí, eu já chegava no finalzinho dos treinos do Bahia.


CH: E como você enveredou para o lado da música?
JA:
Olha, eu levei três anos como repórter esportivo. Mas como eu não estava tendo tempo de acompanhar os treinos do Bahia e ir para os jogos por causa do Eva, eu resolvi fazer um programa musical com Jonga na 96 FM, que foi o primeiro programa ligado a músicas de axé. Isso foi em 1997 mais ou menos. Foi daí que eu enveredei para essa área de programa de rádio ligado ao axé.


CH: Por quais rádios de Salvador você já passou?
JA:
Quando a 96 FM foi vendida, eu fui para a Transamérica, depois passei pela rádio Metrópole e agora estou na Itaparica.


CH: E você ficou quanto tempo na Transamérica?
JA:
Entre idas e vindas, uns cinco a seis anos.


CH: Eu faço essa pergunta porque a Transamérica é bem voltada para o axé. Por que você não colocou o programa Festa Folia Mix lá e sim na Itaparica FM?
JA:
Por falta de espaço mesmo. Na época que idealizamos o programa, eu e Pio Medrado, as rádios estavam com os horários tomados com seus parceiros e a única que não tinha, há dois anos e meio, era a Itaparica, que pertence ao Chiclete com Banana.


CH: E como foi a ideia de montar o Festa Folia Mix?
JA:
Eu levei quase dois anos fora do rádio pelos motivos que falei agora. Então, para chegar aos nossos amigos, que são meus amigos hoje, do Chiclete com Banana apareceu Pio Medrado, porque Pio é um cara que tem uma facilidade enorme de ter bons contatos, de ter as portas das produtoras sempre abertas e eu conheci Pio a fundo mesmo aqui no Cheiro, de todo dia ele estar aqui no Cheiro mostrando músicas. Então, na época, eu estava sentindo falta de fazer um programa de rádio e aí eu chamei Pio. Eu tenho um nome chamado “Pop Axé”, que seria o nome do programa inicialmente, mas vai ser um projeto para o futuro. Há três anos, que é o tempo do programa na rádio, eu disse a Pio que ele já tinha a revista chamada “Festa e Folia”e eu disse a ele que ele precisava vender a revista para o rádio e eu sei fazer rádio, tenho experiência com rádio e ele não tinha. Então, a gente uniu o útil ao agradável. Pedi que ele marcasse com Wadinho uma reunião para que eu pudesse mostrar o projeto a ele. Marcou a reunião, eu fui com Pio, mostrei o projeto e na mesma hora Wadinho fechou.


CH: E você está satisfeito com a audiência do programa?
JA:
Muito. Apesar da rádio não aparecer bem no Ibope, porque não o assina, o retorno que a gente tem é fantástico.


CH: Como é esse retorno?
JA:
Eu tenho centenas de pessoas que ficam no msn comigo, pelos comentários no dia-a-dia de uma entrevista polêmica que a gente lança e também pelas promoções via telefone e site. Essa é a nossa audiência. E a gente sabe que as pessoas ouvem o programa.


CH: Se você tivesse que mudar alguma coisa no Festa Folia Mix, o que mudaria?
JA:
Se pudesse voltar ao passado, eu tentaria um horário novo, um horário que eu tivesse a possibilidade de melhorar a audiência ainda mais. Porque esse horário das 22h é um horário meio ingrato, porque você está voltando da faculdade, está voltando do trabalho, está jantando e a novela arrancou minha audiência de verdade essa semana. Então, eu tentaria um outro horário.


CH: Você é empresário da Banda Chica Fé...
JA:
É, hoje eu sou sócio da banda Chica Fé junto com Windson Silva.


CH: Na sua opinião, a Chica Fé já teve fases melhores?
JA:
São duas fases distintas: uma fase, que foi na época de Saulo Fernandes e foi quando a Chica Fé esteve pronta, pronta mesmo, em todos os aspectos, mas aí, Saulo foi contratado para a banda Eva e tem a fase de Serginho.


CH: Serginho que é irmão de Saulo e está na banda até hoje. Como é que vai a Chica Fé sob o comando dele?
JA:
Olha, Sérgio também está pronto.


CH: Mas a Chica Fé com Saulo e a Chica Fé com Serginho. Se você tivesse de escolher a melhor, qual seria?
JA:
Se eu voltasse ao passado, seria Saulo com a Chica Fé porque nessa época a gente não tinha tanta concorrência como tem hoje e o investimento dessa época, há oito anos, iria facilitar a, não vou dizer explosão, mas a atrair uma mídia maior para a Chica Fé como a que ela vem tendo hoje.


CH: Muita gente acredita que Serginho só canta até hoje porque tem o irmão que tem. Mas e você? Você acredita em Serginho e acha que um dia ele pode vir a ter a notoriedade que tem Saulo?
JA:
Acreditamos bastante no talento de Sérgio, sua carreira independe de ser irmão de Saulo, e o sucesso depende bastante de nosso investimento como empresários, do carisma do artista e da aceitação do público. Porque a gente não pode esquecer que, quando Saulo assumiu a banda Eva, ela já era uma banda nacional e a Chica Fé ainda não é uma banda nacional, como é o Eva. Chica Fé toca, tem muitos shows no Brasil, mas as pessoas não conhecem a Chica Fé como conheciam na época que Saulo foi para a banda Eva. Então, era mais fácil você estourar um produto antes do que é hoje.




"O axé esqueceu a sua base, está elitizado"


CH: Jefrey é empresário de uma banda de axé e tem um programa de axé. Você aproveita esse espaço que tem na rádio para promover a banda Chica Fé?
JA:
Utilizo muito pouco. Inclusive, desde a época em que eu formei a banda Chica Fé, desde a época da “Quinta do Virote”com Saulo, que eu sabia e sei até hoje, separar Jefrey empresário da Chica Fé, do Jefrey produtor de eventos e do Jefrey radialista. Porque eu não me sentiria bem, como não me sinto, estar colocando todo dia a música da Chica Fé, estar falando todo dia da Chica Fé, porque isso não é uma coisa legal.


CH: Você está no mercado de axé há algum tempo. Como você enxerga esse mercado atualmente?
JA:
Está muito difícil, por causa da concorrência.


CH: E o pagode?
JA:
O pagode está fortíssimo. E hoje eu tenho quase certeza de que, se os empresários, os músicos e os artistas de pagode fossem tão organizados como os do axé, eu acho que hoje eles estariam muito mais fortes do que o axé. Porque é popular. E outra coisa: o axé esqueceu sua base. Os artistas, os empresários, esqueceram sua base, que é Salvador. O axé elitizou.


CH: Vocês tocam pagode no programa Festa Folia Mix?
JA:
Tocamos. Mas a gente só toca Guig Ghetto, Harmonia do Samba, Parangolé e Psirico, porque é o pagode com letras bem feitas.


CH: Você não toca músicas de outros grupos de pagode só por conta da letra?
JA:
Exatamente. Não é o perfil do programa colocar pagode com letras que falam mal da mulher, de bunda, essas coisas.


CH: E o que você acha do hit “Todo Enfiado”?
JA:
Eu achei e continuo achando de péssimo gosto. E acho, inclusive, que isso tem tempo para saturar. Sem contar que é ruim para a imagem de Salvador e ruim para a imagem da mulher também, porque desvaloriza as mulheres.


CH: O que você pensa da professora que subiu no palco e dançou a coreografia do “Todo Enfiado”?
JA:
Eu, se fosse uma professora, não faria. Eu estou acompanhando toda essa celeuma e assim, as pessoas, por mais que elas tenham o direito de curtir, de fazerem o que quiserem das suas vidas, elas são referência. A professora é uma referência para os seus alunos.



Por Fernanda Figueiredo

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