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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Marcelo Britto - Empresário

“O baiano ama o axé, mas o que ele ouve em casa e no carro é o pagode”. É com essa afirmação que o empresário Marcelo Britto, da Salvador Produções, dimensiona a questão do entretenimento na capital baiana. A lei do silêncio, a falta de investimentos e a renda baixa do soteropolitano também são temas recorrentes nesta entrevista. Confira abaixo na íntegra:

Coluna Holofote: O que você acha da área de entretenimento em Salvador? Está melhorando nos últimos tempos?
Marcelo Britto: Especificamente na parte de shows é um mercado de altos e baixos, bem sazonal. Quando chega o verão começam a acontecer os ensaios e há uma rotatividade muito grande em relação às bandas maiores, que querem fazer seus ensaios em Salvador. No período do primeiro semestre nós vamos mais para o lado forró, mas no geral é um mercado um pouco complicado.

CH: Qual o investimento de vocês durante o ano? Vocês fazem eventos mais específicos ou procuram misturar os ritmos?
MB:
Graças a Deus o povo baiano é muito eclético, com isso, nós temos que fazer eventos bem diversificados, ou seja, misturar o forró com o pagode, o axé com o samba. Agente sempre tem feito isso nos eventos, como o Salvador Fest, que é uma mistura de arrocha, funk, pagode e do samba carioca, e o pessoal recebe isso muito bem. No Encosta N’eu, temos a mistura do forró com o axé e com o pagode. Sempre trazemos essa diversidade para atender as exigências do público baiano.

CH: Qual o próximo evento que a Salvador Produções está preparando?
MB:
Estamos com o Arraiá do Wet’n para o dia 17 de maio. As atrações são Saia Rodada, Limão com Mel, Flávio José, Cacau com Leite e Forrozão do Karai. No último sábado, realizamos o Inté Raiá, que também trouxe grandes atrações do forró à Salvador.

CH: Mas esse evento [Arraiá do Wet’n] seria em parceria com a Penteventos?
MB:
Nós íamos fazer junto com a Penteventos o Forrozão Salvador. Chegamos a discutir a arte e a grade, mas no momento de fechar a grade houve algumas formas diferentes de pensar. Agora, como eu disse, mudamos para o Arraiá do Wet’n.

CH: O que você acha que dá mais retorno financeiro: pagode, axé, forró ou a mistura de ritmos?
MB: A mistura dá retorno, mas o forró e o pagode também são rentáveis. O axé, quando é feito com as bandas grandes, tem a expectativa de dar resultados, mas quando não tem, fica complicado. Quando não se tem o Chiclete, Ivete, Claudinha, Timbalada ou Jammil fica complicado fazer eventos com axé aqui em Salvador. O axé não tem conseguido mostrar uma força em Salvador, a não ser no carnaval, porque durante o ano não conseguimos fazer grandes e bons eventos de axé.

CH: Nesse caso, o ponto de fuga de vocês é o pagode?
MB:
O pagode é muito forte; é de raiz e está no dia-a-dia do povo. O baiano ama o axé, mas o que ele ouve em casa e no carro é o pagode. Nós percebemos isso com o surgimento de bandas como Psirico, Parangolé e Harmonia do Samba. Hoje temos várias bandas de pagode que estão seguindo bem seu caminho.

CH: Sabemos que no local onde fica o Wet’n Wild vai ser construído um empreendimento. Vocês, como arrendatários do Wet’n pretendem fazer o que em relação a isso?
MB:
O que nós sabemos é o que a imprensa também sabe. A informação que temos é que ali vai ser construído um complexo de prédios, mas, as negociações estão travadas e a perspectiva é que não saia nada por agora.

CH: Mas os grandes eventos realizados pela Salvador Produções, na maioria das vezes, são no Wet’n Wild e o público já está acostumado com espaço. Uma possível retirada de vocês do local complicaria a produtora ou vocês já têm um outro espaço em vista?
MB:
Já temos um terreno no final da paralela e estamos com 60% do projeto adiantado. Contratamos inclusive o renomado arquiteto paulista Nelson Fiedler, responsável pelo projeto do Rock’n Rio, em São Paulo. Estamos trazendo Nelson e ele está executando esse projeto pra que esteja pronto provavelmente no segundo semestre desse ano. No novo espaço temos uma perspectiva de 15.000 a 20.000 pessoas, com estacionamentos, com área coberta com tendas, camarotes e palco.

CH: A questão do estacionamento é bem complicada em Salvador. Como vocês estão tratando isso para a nova casa?
MB:
O problema com estacionamento é uma questão mundial. Hoje você vai em qualquer secretaria ou órgão municipal e não tem lugar para estacionar. Lá, estamos fazendo um estudo viário através de uma empresa especializada para realmente nos passar qual a necessidade de vagas do local.

CH: A que você atribui a falta de investimento em casas de qualidade em Salvador, que teria tudo para ser a capital do entretenimento?
MB:
Eu costumo dizer que Salvador é a casa do Axé onde as bandas não têm onde se apresentar [risos]. Agora, isso é fruto do crescimento desordenado da cidade. Também existe uma “lei do silêncio” que atrapalha muito a questão do entretenimento na cidade. Uma lei que não é muito feliz para questão do entretenimento em Salvador. Com o crescimento desordenado nós não conseguimos achar um local estratégico e, com isso, temos que fazer casas fechadas, com ar condicionado e com uma acústica muito grande, gerando custos altos. Como o poder aquisitivo das pessoas de Salvador é muito baixo; o valor do ticket médio aqui também é baixo, se comparado a cidades como São Paulo, Rio, Brasília e Manaus, onde se cobra até R$ 150,00. Então, com um ticket médio baixo, nós não conseguiríamos gerar receita para cobrir o custo de uma casa de qualidade.

CH: Mudando um pouco de assunto, a Salvador Produções pretende lançar o Parangolé mais forte em outros estados, assim como tem sido feito com outras bandas de pagode já renomadas?
MB:
Já temos eventos acertados em Manaus, em Cuiabá e no Rio Branco. No ano passado demos prioridade em atingir o nosso Estado, porém, com a entrada de Marco Antônio, que tem um relacionamento muito forte no mercado nacional, estamos conseguindo realmente abranger outros estados brasileiros. O projeto nesse ano é realmente fortalecer a banda no segundo semestre, ainda mais com o DVD que vamos gravar dia 12 de julho no Salvador Fest.

CH: Quais as novidades da gravação do DVD do Parangolé?
MB:
Vamos fazer um investimento muito bom e um ótimo DVD. Todas as questões técnicas de iluminação, cenografia, estrutura, figurino e músicas já estão sendo executadas. Já estamos fazendo um projeto para um bom DVD. Isso vai consagrar mais ainda o evento e fortalecer a banda.

CH: Vai acontecer haver participação especial no DVD?
MB:
Estamos fechando. A princípio as bandas que vão se apresentar no dia, como Exalta Samba, Harmonia, devem participar, mas não podemos confirmar antes de acertar tudo.

CH: Vocês pretendem investir em outros eventos em Salvador, considerando os já consagrados pela Salvador Produções? Quais os novos projetos?
MB:
Olha, Salvador é um mercado muito difícil de trazer uma atração nacional ou internacional, mesmo porque, como eu já disse, o ticket médio é muito baixo. Na questão dos patrocinadores ficamos a ver navios. Não conseguimos ter um retorno de patrocínio a altura dos eventos que gostaríamos de fazer. Existe um projeto nacional, que já estamos fazendo em Manaus e em Recife, chamado “Samba Manaus” e “Samba Recife”, que é só com bandas de partido alto, como Exalta Samba, Sorriso Maroto e Jorge Aragão. Esse projeto vai acontecer aqui com o nome “Samba Salvador”. Fora isso, as perspectivas da Salvador Produções são a nova casa de show e a manutenção do Wet’n Wild ainda com grandes eventos.

Por Rafael Albuquerque

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