Durval Lelys fala sobre fim de carreira e cita alguns possíveis substitutos
Durval Lelys dispensa apresentações. Com 25 anos de praia, literalmente, o líder da banda Asa de Águia explicou para a Coluna Holofote porque é conhecido como o “queridinho das patricinhas” e como um cantor da classe A. Apesar do estigma ele, no entanto, se considera, sim, um cantor popular e cita o Salvador Fest como um dos eventos popularescos onde sua banda está inserida. Ou melhor, estava. “ Esse ano eles colocaram o Chiclete”, contou Durval. Conhecido por suas famosas Trivelas, Durvalino conta que tem medo todos os dias de não ter mais criatividade para trazer novidades ao público e fala sobre o fim de carreira. Quem seria seu substituto à frente do Asa? É o própria Durval quem cita não só um, mais dois nomes. Confira esse bate-papo imperdível na Coluna Holofote!
Coluna Holofote: Durval, você se considera um cantor da classe A?
Durval lelys: Não. A gente nasceu despretensiosamente. A galera da praia, que começou a fazer um som. Quando a gente era Banda Pinel, a gente tinha como inspiração a banda Blitz. Aí fizemos uma banda com Ricardo Chaves, Lauro, o irmão dele, Alice Becker, dançarina, com toda uma galera de praia, vamos dizer assim. E depois o Asa continuou nesse segmento, investindo nessa galera. Então a gente pode ter sido, assim, uma das bandas precursoras do movimento, vamos dizer assim... Empresarial do carnaval. Aonde esses meninos que se formam em Engenharia, Arquitetura, Administração, se envolvem com o entretenimento como um negócio. Antigamente, o trio elétrico era visto somente como uma coisa artística, musical. E hoje não. Carnaval virou trio elétrico, virou camarote, virou festa, virou holding e aí, desses meninos, tem milhões de empresários inseridos nisso aí. Então, esses meninos se especializaram nesse segmento de entretenimento.
CH: Mas por que as pessoas sempre comentam que o Asa de Águia só arrasta a galera elitizada?
Durval Lelys: Por serem pessoas de formação graduada e que entraram nesse mercado, a banda ficou acoplada a uma imagem, vamos dizer... Como se fosse uma banda representativa desse setor. Porém, quem toca no carnaval da Bahia é, sempre popular, também. Porque não tem como você não ser com a rede de divulgação, a rede de entretenimento, de uma forma em geral. É lógico que o meu gueto, se eu dissesse assim, vem mais dessa galera [elitizada].
CH: Você não acha que as próprias festas do Asa de Águia segmentam o público e atraem mais a classe A, começando pelo valor dos ingressos?
Durval Lelys: É porque nós temos as festas mais populares e temos, também, as festas mais elitizadas.
CH: Mas as festas populares seriam os carnavais, as micaretas?
Durval Lelys: Não. A gente tocou, recentemente, no Salvador Fest, vamos fazer show em Madre de Deus.
CH: Pois é. Durval no Salvador Fest pegou muita gente de surpresa. Ninguém imaginava você em uma festa que era, predominantemente, de pagode.
Durval Lelys: É porque todos os públicos nos exigem. E aí, como a gente tem quatro festas na Bahia: uma é a Trivela, que é uma festa para turista; a outra é o Forró do Reino, que aí, é mais uma festa popular; a outra é o Salvador Fest, que é popularesco...
CH: Então, quer dizer que a banda Asa de Águia entrou de vez na grade de programação do Salvador Fest?
Durval Lelys: Não. Esse ano a gente já não vai fazer porque agora é o Chiclete (risos).
CH: E não pode ser Asa e Chiclete?
Durval Lelys: Poderia, mas eles mudaram a grade. A gente foi pioneiro. O Asa foi a primeira banda de axé a se apresentar no Salvador Fest, depois teve Asa e Tomate e aí o pessoal, quando vê que dá certo, aí faz e é natural que aconteça. Ano que vem deve ser o Asa de novo, porque eles fazem esse mix. Então, a gente procura estar em todos os eventos. Nós tocamos muito em festas populares. Agora mesmo, eu vou tocar em Madre de Deus na praça pública. Tocamos agora em Sergipe, na praça pública. Então, tem lugares onde a gente atinge diretamente o povão. Mas tem lugares que a gente atinge a classe mais elitizada, também. Então, a gente quando faz uma festa mais elitizada, a gente aplica outros métodos.
CH: As pessoas comentam que você tem cantado menos, está menos empolgado. Podemos dizer que Durval está em fim de carreira?.JPG)
Durval Lelys: (risos)Não existe fim de carreira pra nenhum artista que faz o que gosta. Você, preste atenção: Seu Osmar, ele faleceu em cima de um trio, praticamente. Qualquer artista que faz o que gosta, ele vai tocar a vida inteira. Então, o Asa de Águia vai tocar enquanto eu tiver vivo.
CH: Durval vai ficar velhinho em cima do trio?
Durval Lelys: Mas você não tenha dúvida disso. Porque, preste atenção... Tem coisa melhor do que você sair de casa e ver gente bacana olhando pra você, dizendo que lhe ama, que você é lindo (risos)? Aí não tem como uma pessoa jogar isso fora, se ele gosta do que faz. Então, na verdade, o que faz um artista durar mais são duas coisas: a primeira é a saúde – porque se ele não tiver saúde, infelizmente ele não vai poder continuar – e segundo é o seu carisma e aceitação do público – porque se ele perder público... Ninguém obriga alguém a comprar ingresso de um show. Então, pode ser que o artista chegue um dia e ninguém queira comprar ingresso para o show dele.
CH: Então, essa continuidade não tem nada a ver com dinheiro, ou até, toda a estrutura que acabou sendo montada por trás de Durval?
Durval Lelys: Nunca foi. Eu nunca toquei por dinheiro. Porque eu já era um cara bem-sucedido, profissional, arquiteto. O que me levou a ser o que eu sou foi a farra, a mulherada, a festa que, nesse conceito, eu consegui virar um artista querido e famoso. Porque eu dei sorte e meu dom artístico exalou. Nem eu sabia que poderia ser um grande artista, como eu cheguei. Porque, com 25 anos de estrada, a gente já pode dizer que é um artista consagrado, né? Mas, na verdade, o mais bacana, é como você vê: é a gente inventar coisas, criar coisas que nos arremeta a um processo de criatividade mas, antes de tudo, que seja aceito pelo público. Porque, se o público não lhe aceitar, nada vai dar certo, né?
CH: Bell Marques lançou, recentemente, os filhos dele, na banda Oito7Nove4 e há quem diga que os meninos serão os substitutos do líder do Chiclete. E de Durval? Quem é ou quem são os substitutos?
Durval Lelys: (longa pausa)... Olhe, eu não sei. Porque Bell já tem filho do tamanho dele, maior do que ele até (risos). Os meninos são, já, homens. Embora novos, eu já olho eles como irmãos, né? Eu não vejo mais nem como pai, como filhos. Eu acho que eles já chegaram àquele estágio de irmãos, entendeu? São homens... Bonitos, fortes e muito capazes. Então, eu tenho meu sobrinho, que é o Vitor Kelsh e tenho meu irmão, André Lélis, que são, da família, os artistas que deram seguimento, estão dando seguimento ao lado musical da família. Então, se hoje eu fosse fazer uma carreira solo ou um Asa de Águia novo, o substituto eu ia procurar entre eles.
"Eu nunca toquei por dinheiro"
Coluna Holofote: Durval, você se considera um cantor da classe A?
Durval lelys: Não. A gente nasceu despretensiosamente. A galera da praia, que começou a fazer um som. Quando a gente era Banda Pinel, a gente tinha como inspiração a banda Blitz. Aí fizemos uma banda com Ricardo Chaves, Lauro, o irmão dele, Alice Becker, dançarina, com toda uma galera de praia, vamos dizer assim. E depois o Asa continuou nesse segmento, investindo nessa galera. Então a gente pode ter sido, assim, uma das bandas precursoras do movimento, vamos dizer assim... Empresarial do carnaval. Aonde esses meninos que se formam em Engenharia, Arquitetura, Administração, se envolvem com o entretenimento como um negócio. Antigamente, o trio elétrico era visto somente como uma coisa artística, musical. E hoje não. Carnaval virou trio elétrico, virou camarote, virou festa, virou holding e aí, desses meninos, tem milhões de empresários inseridos nisso aí. Então, esses meninos se especializaram nesse segmento de entretenimento.
CH: Mas por que as pessoas sempre comentam que o Asa de Águia só arrasta a galera elitizada?
Durval Lelys: Por serem pessoas de formação graduada e que entraram nesse mercado, a banda ficou acoplada a uma imagem, vamos dizer... Como se fosse uma banda representativa desse setor. Porém, quem toca no carnaval da Bahia é, sempre popular, também. Porque não tem como você não ser com a rede de divulgação, a rede de entretenimento, de uma forma em geral. É lógico que o meu gueto, se eu dissesse assim, vem mais dessa galera [elitizada].
Durval Lelys: É porque nós temos as festas mais populares e temos, também, as festas mais elitizadas.
CH: Mas as festas populares seriam os carnavais, as micaretas?
Durval Lelys: Não. A gente tocou, recentemente, no Salvador Fest, vamos fazer show em Madre de Deus.
CH: Pois é. Durval no Salvador Fest pegou muita gente de surpresa. Ninguém imaginava você em uma festa que era, predominantemente, de pagode.
Durval Lelys: É porque todos os públicos nos exigem. E aí, como a gente tem quatro festas na Bahia: uma é a Trivela, que é uma festa para turista; a outra é o Forró do Reino, que aí, é mais uma festa popular; a outra é o Salvador Fest, que é popularesco...
CH: Então, quer dizer que a banda Asa de Águia entrou de vez na grade de programação do Salvador Fest?
Durval Lelys: Não. Esse ano a gente já não vai fazer porque agora é o Chiclete (risos).
CH: E não pode ser Asa e Chiclete?
Durval Lelys: Poderia, mas eles mudaram a grade. A gente foi pioneiro. O Asa foi a primeira banda de axé a se apresentar no Salvador Fest, depois teve Asa e Tomate e aí o pessoal, quando vê que dá certo, aí faz e é natural que aconteça. Ano que vem deve ser o Asa de novo, porque eles fazem esse mix. Então, a gente procura estar em todos os eventos. Nós tocamos muito em festas populares. Agora mesmo, eu vou tocar em Madre de Deus na praça pública. Tocamos agora em Sergipe, na praça pública. Então, tem lugares onde a gente atinge diretamente o povão. Mas tem lugares que a gente atinge a classe mais elitizada, também. Então, a gente quando faz uma festa mais elitizada, a gente aplica outros métodos.
CH: As pessoas comentam que você tem cantado menos, está menos empolgado. Podemos dizer que Durval está em fim de carreira?
Durval Lelys: (risos)Não existe fim de carreira pra nenhum artista que faz o que gosta. Você, preste atenção: Seu Osmar, ele faleceu em cima de um trio, praticamente. Qualquer artista que faz o que gosta, ele vai tocar a vida inteira. Então, o Asa de Águia vai tocar enquanto eu tiver vivo.
CH: Durval vai ficar velhinho em cima do trio?
Durval Lelys: Mas você não tenha dúvida disso. Porque, preste atenção... Tem coisa melhor do que você sair de casa e ver gente bacana olhando pra você, dizendo que lhe ama, que você é lindo (risos)? Aí não tem como uma pessoa jogar isso fora, se ele gosta do que faz. Então, na verdade, o que faz um artista durar mais são duas coisas: a primeira é a saúde – porque se ele não tiver saúde, infelizmente ele não vai poder continuar – e segundo é o seu carisma e aceitação do público – porque se ele perder público... Ninguém obriga alguém a comprar ingresso de um show. Então, pode ser que o artista chegue um dia e ninguém queira comprar ingresso para o show dele.
CH: Então, essa continuidade não tem nada a ver com dinheiro, ou até, toda a estrutura que acabou sendo montada por trás de Durval?
Durval Lelys: Nunca foi. Eu nunca toquei por dinheiro. Porque eu já era um cara bem-sucedido, profissional, arquiteto. O que me levou a ser o que eu sou foi a farra, a mulherada, a festa que, nesse conceito, eu consegui virar um artista querido e famoso. Porque eu dei sorte e meu dom artístico exalou. Nem eu sabia que poderia ser um grande artista, como eu cheguei. Porque, com 25 anos de estrada, a gente já pode dizer que é um artista consagrado, né? Mas, na verdade, o mais bacana, é como você vê: é a gente inventar coisas, criar coisas que nos arremeta a um processo de criatividade mas, antes de tudo, que seja aceito pelo público. Porque, se o público não lhe aceitar, nada vai dar certo, né?
"O que me levou a ser o que eu sou foi a farra, a mulherada, a festa [...] eu consegui virar um artista querido e famoso"
CH: Todo ano Durval Lelys aparece com uma fantasia, um personagem diferente no carnaval. Onde você encontra tanta inspiração? Você tem medo de chegar um ano e não ter mais o que inventar?
Durval Lelys: Isso bate todo dia. Porque foi o que eu acabei de falar: reinventar é um exercício muito duro, né? Você fazer suas invenções, criações, edições...Mas, eu acredito que a criatividade seja um grande dom que Deus me deu, então, eu acho que nada é em vão e eu acho que a brincadeira é o que mais conta numa hora dessas. Agora mesmo, essa “eu quero tcha, eu quero tchu” (e faz o tchu tcha tcha) é uma brincadeira que deu certo e é isso que vale.CH: Bell Marques lançou, recentemente, os filhos dele, na banda Oito7Nove4 e há quem diga que os meninos serão os substitutos do líder do Chiclete. E de Durval? Quem é ou quem são os substitutos?
Durval Lelys: (longa pausa)... Olhe, eu não sei. Porque Bell já tem filho do tamanho dele, maior do que ele até (risos). Os meninos são, já, homens. Embora novos, eu já olho eles como irmãos, né? Eu não vejo mais nem como pai, como filhos. Eu acho que eles já chegaram àquele estágio de irmãos, entendeu? São homens... Bonitos, fortes e muito capazes. Então, eu tenho meu sobrinho, que é o Vitor Kelsh e tenho meu irmão, André Lélis, que são, da família, os artistas que deram seguimento, estão dando seguimento ao lado musical da família. Então, se hoje eu fosse fazer uma carreira solo ou um Asa de Águia novo, o substituto eu ia procurar entre eles.
