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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Levi Lima comenta postura de Tuca ao deixar o Jammil e diz que briga com Manno será inevitável

Por Fernanda Figueiredo

Definitivamente, as palavras livre, leve, leveza, derivam de Levi Lima. Se não derivam, traduzem bem a personalidade do novo cantor da banda Jammil e Uma Noites. Em um bate-papo descontraído e leve (e aqui vale muito a redundância), Levi falou sobre sua saída da banda Via Circular, a desistência de uma carreira solo para se aventurar no grupo deixado por Tuca Fernandes e comentou a saída deste da banda, através da imprensa, sem qualquer comunicado anterior aos sócios. Muito tranqüilo, o jovem não está preocupado com a responsabilidade de assumir o grupo, que tem projeção nacional, pois se diz preparado para isso. Nesta entrevista, Lima conta qual será a nova cara da banda e, sobre a personalidade difícil de Manno Góes, ele demonstra leveza para lidar com essa situação. “Eu acho que todo mundo tem a sua particularidade; eu acho que todo mundo tem um lado chato, um lado louco, um lado de insanidade e, quando existe respeito, tudo isso daí é detalhe. E eu acho que o respeito entre a gente é muito bom e a convivência entre a gente está sendo muito prazerosa”, disse sem, no entanto, descartar a possibilidade de um desentendimento com o baixista e empresário do Jammil. Confira!




"A cara do Jammil vai mudar, naturalmente. Porque eu e Tuca temos personalidades diferentes, posturas diferentes"



Por Fernanda Figueiredo



CH: Levi, muita responsabilidade em assumir a banda Jammil?
L.L:
A responsabilidade é natural, mas eu me sinto preparado porque eu dediquei minha vida até aqui à música, ao aprendizado, eu fiz questão de estudar a parte teórica da música na faculdade, na Ufba, mas tive que trancar no 3º ano porque eu estava viajando bastante e fora a forma que eu estou sendo recebido também, isso vai me tranqüilizando. Eu estou me sentindo em casa e Manno Góes, a equipe toda está deixando bem prazeroso esse dia-a-dia. Então, eu estou achando tudo realmente muito natural.



CH: Você disse que foi muito bem recebido na banda. E os fãs do Jammil, você já teve contato com eles para saber o que eles acham dessa mudança?
L.L:
Olha, eu tive um contato interessante com os fãs do Jammil, porque eu fiz muitas participações nos shows do Jammil, por ser amigo de Manno, da galera toda e sempre tive um carinho muito especial dos fãs do Jammil e depois dessas participações a galera sempre vinha conversar comigo no Twitter, passaram a gostar das minhas músicas e tudo isso foi acontecendo de uma forma muito natural e , inclusive, os fãs têm se manifestado – desde que saíram esses comentários de que eu iria assumir a banda – de forma muito positiva. Então, eu fico até muito feliz e tenham certeza de que eu vou fazer valer toda essa credibilidade.



CH: Tuca Fernandes estava na banda desde o começo e fez fãs por todo o Brasil. Você acha que isso pode ser um empecilho para sua nova jornada?
L.L:
Eu não vejo isso de forma alguma. Acho que nós vamos trazer uma nova gama de fãs, vamos conquistar novos fãs, mas eu acho que a galera gosta muito das músicas do Jammil, além de gostar de todo o trabalho de Tuca e desse histórico que o Jammil construiu, que é muito bonito e merece ser reconhecido. Chegou a hora da gente dar segmento e construir uma nova fase.



CH: Então, você acha que, independente de ser Tuca ou Levi nos vocais do Jammil, os fãs vão continuar seguindo a banda?
L.L:
Acredito. Porque eu acredito que estão nascendo dois novos produtos para a Bahia – e isso é muito importante de ser reconhecido – e a música baiana ganha com isso porque no cenário musical tem espaço para todos os artistas, não só pro Jammil ou Tuca, mas para todos os outros, tem espaço para novos artistas que venham a surgir também e o público tem direito de gostar de quem ele quiser e ele pode não gostar de determinadas coisas de um artista e gostar de outro. Eu acho que isso daí tem que ser uma coisa muito livre e nós estamos aqui para trazer justamente isso: para trazer a música, para trazer a arte e conquistar as pessoas sem nenhum tipo de ansiedade, sem nenhum tipo de prazo.



CH: Qual seu maior receio nessa nova fase?
L.L:
Eu acho que, quando a gente está preparado para as coisas, a gente fica tranqüilo. É igual a prova de matemática que a gente vai fazer sem estudar... Aí, fica nervoso. Mas quando a gente estuda bastante antes, a gente fica torcendo para chegar logo a hora da prova. Então, eu estou me sentindo dessa forma e tenho certeza de que vai ser muito bom para todo mundo e desejo toda sorte para o Tuca, eu sempre admirei ele e eu acredito que quem vai ganhar no final disso tudo é o público e a música baiana.



CH: Como veio o convite para liderar o Jammil?
L.L:
Eu já tinha encerrado a minha história com a Via Circular, que era a minha antiga banda, e ia começar a desenvolver uma carreira solo com a empresa Rede Solo. Então, eu já estava fazendo parte lá da equipe, a gente já estava começando a pensar o meu projeto de carreira solo, quando aconteceu tudo isso com o Jammil. E aí, quando veio o convite para assumir o Jammil, veio junto a esse convite um projeto que eu me apaixonei imediatamente, um projeto muito bonito, que tem justamente essa intenção de trazer alegria e a festa baiana, mas atrelado a uma quantidade maior de informação.



CH: Por que tanto suspense e demora para oficializar sua entrada na banda se, no final, todo mundo já sabia que seria você o escolhido?
L.L:
Eu acho que as coisas têm que ser respeitadas. Estava acontecendo uma saída minha de um projeto e os detalhes precisam ser todos organizados – a parte contratual – para poder realmente anunciar, com convicção, essa novidade. Então, não foi nada mais do que isso: foi o tempo de se resolver a parte de contrato, não só a questão do Jammil, mas a minha questão também, porque eu também tinha algumas pendências a serem resolvidas. Mas o importante é que tudo foi resolvido, que eu estou aqui hoje olhando nos seus olhos bonitos e lhe dando essa entrevista (risos).



CH: Você foi vocalista da Via Circular por muitos anos e não conseguiu decolar, ter uma projeção nacional, como a banda Jammil teve, por exemplo. Você acha que vai conseguir manter a banda nesse patamar?
L.L:
Eu acho que tudo isso faz parte de um processo. A Via Circular foi uma banda que teve uma vida curta, mas que conseguiu se desenvolver com uma boa velocidade. Hoje, as bandas de axé que têm uma representatividade maior tem 20 anos, 15 anos, 10 anos. A Via Circular foi uma banda de quatro anos e estava nesse processo de reconhecimento. E hoje eu consegui pular etapas e estou em uma banda que já tem essa projeção nacional e eu lhe digo: não sou apenas eu que vou conseguir manter isso, mas nós somos uma equipe muito forte e que está trabalhando bastante justamente para dar essa continuidade, essa sequência e eu gosto dos melhores pensamentos, eu acredito que a gente vai conseguir manter e fazer com que ela melhore cada vez mais e se expanda pelo Brasil.



CH: Pois bem. Se a Via Circular estava em processo de reconhecimento, por que você abandonou o barco?
L.L:
Eu pautei a minha carreira muito na questão dos shows, lógico, mas também na questão das composições. E, às vezes, a música chega na frente do artista e as minhas músicas já estavam começando a tomar uma projeção nacional, mas de uma forma bem gradativa e eu acho que, na vida, a gente está aqui para aceitar os desafios e, eu tenho certeza que é um desafio, mas que, nós todos juntos vamos fazer com que tudo isso valha à pena. Então, quando tem amor, quando tem verdade, quando tem alegria, eu acho que vale à pena e é isso que está acontecendo aqui: a gente está tendo prazer em trabalhar, tendo alegria em trabalhar.



CH: Mas, você deu a entender anteriormente, que tinha largado a banda Via Circular para seguir carreira solo, como se fosse melhor para você. No entanto, você agora está entrando em outra banda. Fica meio confuso...
L.L:
Entenda uma coisa: eu não cheguei a sair em carreira solo. Eu tinha um projeto de fazer carreira solo. A partir do momento que surgiu a oportunidade de ir para o Jammil, eu achei bom, porque eu me identifico muito com a musicalidade do Jammil, com as canções, me identifico por ter um compositor no grupo, que é o Manno Góes e por que não aceitar esse projeto? O projeto é muito bonito. Quando traz essa questão da informação, a questão cultural, isso tudo me ganha, então, a carreira solo é uma coisa que pode acontecer a qualquer momento. Enquanto a gente está satisfeito, está feliz, está completo em um projeto,a gente pode adiar essa carreira solo ou então, nunca tê-la, a exemplo de diversos artistas que a gente tem aqui no Brasil. Então, eu não vejo isso como uma coisa ruim, pelo contrário, eu vejo como uma coisa muito boa, que acelera esse meu processo de reconhecimento nacional.




"A vida me preparou para hoje ter esse grande parceiro de composição, que é Manno"



CH: O Jammil, com Levi à frente, vai mudar de cara?
L.L:
Eu acho que mudar, naturalmente, muda. Porque são personalidades diferentes, posturas diferentes, pessoas diferentes, são artistas diferentes, mas existem certas essências que não se modificam nunca: a alegria, essa força que o Jammil sempre teve, ele continuará tendo e eu vou trazer um pouco do romantismo também para o trabalho, porque o que a gente quer agora é ampliar os horizontes, ampliar o leque, é atingir novos públicos, novas faixas etárias, enfim, trazer um pouco da minha linguagem também e, naturalmente, isso é uma mudança. Mas tem muita coisa que vai continuar da mesma forma, principalmente essa questão meio pop, essa questão da alegria, da explosão e a gente está muito atualizado do que acontece no mundo inteiro e no Brasil. Por exemplo, quais influências musicais são interessantes pra gente agregar no nosso trabalho, entendeu?



CH: Mas então, vocês vão continuar cantando as músicas do Jammil, que Tuca cantava. E esse DVD novo?
L.L:
Esse DVD vem com músicas novas; as músicas antigas serão regravadas no ano que vem, porque a gente vai estar celebrando 15 anos de Jammil. E as músicas do repertório da história do Jammil a gente continua cantando, afinal de contas, são músicas de Manno Góes. Ele é o compositor da maioria dos sucessos do Jammil e que tem um valor, uma representatividade dentro dessa história. Então, é importante que a gente continue cantando e construindo uma nova história. A gente tem exemplo de muitas bandas que trocaram de vocalista, que já tinham um repertório de sucesso muito grande e que construíram um novo repertório,a  exemplo do Exaltasamba, banda Eva, enfim...Eu estou acreditando muito nisso daí e eu acho que nós temos material humano bastante para construir um novo repertório, uma nova história.



CH: Você conhece Tuca Fernandes. Vocês chegaram a conversar sobre sua entrada no Jammil substituindo ele?
L.L:
A gente nunca conversou sobre esse assunto porque as coisas aconteceram muito rápido e eu acho que esse assunto é uma coisa mais pessoal entre ele e Manno e Paulo Borges e dessa galera que veio com o Jammil até aqui do que minha. Eu acho que o que eu tenho que preservar é a admiração que eu tenho por ele, a amizade e a torcida, porque eu torço muito por ele e eu acho que a Bahia ganha com isso. São dois novos produtos, novos repertórios, novas músicas, novos shows e isso é importantíssimo para a música baiana. Então, eu acredito na leveza das coisas e eu não tenho intenção nenhuma de ser melhor ou igual a Tuca, eu só quero ser Levi.



CH: O que você achou da postura de Tuca Fernandes de anunciar sua saída na mídia, antes mesmo de conversar com os empresários?
L.L:
Eu acho que cada um tem o direito de se expressar da forma que quer e a minha opinião é exatamente a seguinte: quando não está bom, a gente faz o que o nosso coração manda. E se o coração dele mandou ele tomar esse tipo de atitude, eu quero ver todo mundo com um sorriso no rosto, eu quero ver todo mundo feliz, satisfeito e trazer justamente essa vibração positiva, esse otimismo, essa vontade de que as coisas dêem certo em prol da música baiana. Eu não estou pensando só no Jammil, não estou pensando só no Levi, eu estou pensando muito na música baiana.



CH: Manno Góes tem fama de ser uma pessoa difícil de lidar. Você já conheceu esse lado turrão de Manno?
L.L:
Eu acho que todo mundo tem a sua particularidade; eu acho que todo mundo tem um lado chato, um lado louco, um lado de insanidade e isso não é diferente em mim, em você ou em qualquer pessoa, só que cada um aflora um pouco mais. Eu acho que, quando existe respeito, tudo isso daí é detalhe. E eu acho que o respeito entre a gente é muito bom e a convivência entre a gente está sendo muito prazerosa, porque a gente se parece muito nessa coisa da música, a gente gosta de coisas muito próximas, a gente pensa de forma muito próxima a questão musical, artística e aí, fica muito mais fácil de trabalhar.



CH:Mas vocês já se desentenderam?
L.L:
Desentendimentos existem com qualquer perfil psicológico e em qualquer trabalho, em qualquer ramo – não só o artístico -, então, que a gente vai se desentender, vai com certeza. Como eu me desentendo em casa, você se desentende no seu trabalho, enfim, isso é a coisa mais natural. E é dentro dessa ebulição, geralmente, que surgem as maiores e melhores idéias.



CH: Manno deixa você opinar no novo projeto, ou você é apenas o cantor?
L.L:
Liberdade total, total. E isso foi um dos grande atrativos pra mim, o fato de eu poder colocar a minha assinatura realmente, ter a minha participação, a minha opinião. Da mesma forma que ele opina nas minhas músicas, nas minhas idéias, eu opino nas dele e eu acho que é justamente isso, uma colcha de retalhos que a gente está construindo juntos e isso está me fazendo acreditar ainda mais nesse projeto, porque é um conjunto de idéias, não é uma sobrecarga em um único artista, é um conjunto de idéias.



CH: Você virou parceiro de Manno também na hora de compor. Compor em dupla é mais fácil que sozinho?
L.L:
Eu achava difícil. Eu só conseguia compor sozinho, tanto é que, muitas músicas minhas são de autoria exclusiva minha, mas antes de conhecer Manno eu comecei a compor em parceria. Então, eu fiz música com Tomate; com Jorge Zarath; com Fabinho O’Brian, percussionista de Ivete; com Luciano Pinto, que toca com Claudia Leitte; com Tenison Del Rey; Rubem Tavares, que é um compositor que eu tenho muitas músicas junto também. Enfim, comecei a fazer muitas parcerias e comecei a gostar desse processo. Talvez fosse até a própria vida me preparando para hoje ter um grande parceiro. É bom compor sozinho e é muito bom compor em parceria porque, na música, a gente não tem só o texto, a gente tem as melodias, as idéias de arranjo, então, como cada cabeça é um mundo, tem muita coisa que você pode aproveitar e isso aí é interessante e, às vezes, a coisa pinta você sozinho mesmo, psicografado, praticamente. É muito legal.



CH: Você já compôs alguma música especialmente para esta nova fase no Jammil? Qual vai ser a música de trabalho de vocês para começar essa fase com chave de ouro?
L.L:
A gente está tendo dificuldade para escolher, porque tem muita música legal, a gente tem várias intenções, o próprio projeto nosso é de que, até o carnaval, a gente toque várias músicas e não só uma música. Então, eu não posso falar um nome aqui para você, porque amanhã pode não ser mais isso.



CH: Então, você não sabe se vai ser uma música de sua autoria?
L.L:
Olha, provavelmente vai ser uma música minha em parceria com Manno, ou de minha autoria, ou só de autoria de Manno, isso não é a nossa preocupação. A gente está preocupado com a música que vai representar melhor esse momento, independente do autor. Porque aqui não é uma disputa de compositor, é uma junção, uma união de compositores. Então, naturalmente, a música se escolhe e eu acho que é isso que vai acontecer.

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