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Coluna

NOSSA SALADA MUSICAL

Tenho dito em várias das minhas crônicas que, sendo o mercado artístico tão competitivo e acirrado, é preciso ter empreendedorismo e muita criatividade para se fazer bons eventos hoje na Bahia.


Escrevo isso pelo fato das grandes festas da Bahia terem ao longo destes 20 anos mudado em muito a forma de serem realizadas para se adequar as movimentações do mercado. No começo, lá pelo fim da década de oitenta, fazer uma grande festa de bloco de Carnaval em Salvador, além de ser cara, dependia em muito da boa vontade do artista convidado (em cem por cento dos casos, artistas do sul e sudeste do país), que viam não somente a Bahia, mas o Norte/Nordeste como o quintal do Brasil.


Muitas vezes o convidado literalmente tirava onda, tirava mesmo. Fazia mil exigências, colocava várias condições para poder vir, era um tal de passagem de primeira classe, hotel cinco estrelas, lista de camarim imensa. Conheço a história de um grande radialista que, envolvido em um show desses, teve que ir ao Rio de Janeiro buscar um artista que resolveu não vir, e, ao chegar lá, descobriu que era tudo brincadeira do sujeito e que o cara viria fazer o show. Só para você entender como éramos tratados.


Enfim, amigo, todo artista de fora 'botava uma banca'. O contratante, em acabado o show, dava graças as Deus. Graças a Deus vírgula, porque quando o show batia na trave, o cara ainda ficava 'puto da vida', pois, além de tirar onda, o artista não justificava a vinda.


Mas esse tipo de evento tem mudado em muito de uns anos para cá. Com a consolidação do axé no mercado nacional entre a década de noventa e começo do século XXI, e, posteriormente, com o aparecimento do pagode e outro ritmos baianos invadindo também este mesmo cenário, os eventos de hoje já não cabem mais apenas com duas bandas; e as bandas de fora fazem questão de tocar na Bahia ou dividir o palco com as nossas estrelas.


A fórmula que nos anos noventa levou trinta e duas mil pessoas para verem a antológica festa Cheiro e Paralamas no clube Espanhol (um abraço para minha Irma Dib Kraychete) deu lugar ao chamado Festival de Música.
Eu explico. Hoje, pela diversidade de ritmos e tendo que agradar a todo tipo de público, não comporta mais a um artista - mesmo os mais solidificados -, trazer apenas a um tipo de ritmo para seus eventos, ou colocar ritmos diferentes no seu repertório.


É preciso que ele coloque vários artistas de ritmos diferentes e com ele o seu público cativo para o evento. Não que isso signifique que a festa esteja perdendo força, muito pelo contrário, isso conota prestígio, em ter os mais variados ritmos ao seu dispor em uma mesma festa.


Aí amigo, é festa para todo lado. Tem arrocha, pagode baiano (pagodão), pagode do sul, axé, todo ritmo que você imaginar. Se torna um grande Ipod, cabe tudo dentro da salada musical. Você nunca cansa de um ritmo só.
E, nisso tudo, o que me deixa mais feliz é perceber que hoje já não somos mais 'quintal de ninguém', ao menos no que diga respeito ao interesse de se apresentar por esses lados. Muito pelo contrário, até porque hoje somos uns dos principais “celeiros” musicais do Brasil e quiçá do mundo.


Agora mesmo nesse mês de julho tem duas festas de arromba para você escolher e verificar como é legal o formato que estou falando. Uma dia quatro de julho com Ivete Sangalo e convidados, e outra dia doze de julho com Parangolé e convidados.


Estarei em ambas. Na de Ivete porque, como diz a festa, “TODO MUNDO VAI” (beijos Ivete) e na do Parangolé dia doze porque, minha galera do pagode, se prepare que vai ser do BALACOBACO, e de camisa colorida (risos) (abraços Leo Santana).

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