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Coluna

BAHIA HALL

Para o axé Brasil, infelizmente, não fui. Não por falta de convite, mas por falta de tempo. Gostaria muito de ter ido, até porque dizem se tratar de umas das maiores festas do axé fora da Bahia. Mesmo que alguns não enxerguem, essas festas demonstram a força que a axé music tem fora do estado. Mesmo havendo opiniões contrárias, penso que o nosso ritmo musical não vai cair mas, sim, se alicerçar cada vez mais.

 


Bom, mas 'casa de ferreiro espeto de pau'! Espeto não, estaca de pau. Eu explico. Tendo labutado pelos lados da produção artística desde seu momento jurássico, convivi no que pode ser chamado de “boom” do axé; e já naquela época havia carência de espaço para grandes eventos. Para vocês terem uma idéia, ao conversar com o criador do axé, Cristóvão Rodrigues, soube que o Baiano de Tênis, quando liberou seu espaço para um show de axé, só contou para seus associados o nome da atração depois da banda estar paga, com medo da reação, isso em 1985.


Naquela época, os clubes sociais eram pontos de concentração da classe média alta. Só realmente liberaram seus espaços para os blocos de carnaval e, conseqüentemente, para o povão, anos depois. Assim surgiram as grandes festas dos clubes de Salvador, como o Português (reduto do Chiclete com Banana), Baiano de Tênis, Associação Atlética da Bahia, Iate Clube, entre outros.

 
Com a criação da lei do silêncio - tão batida ultimamente por Brown - e a reclamação dos sócios quanto a depredação das áreas de lazer e coisa e tal, os clubes foram obrigados a diminuir, quase zerar a quantidade de shows que eram realizados em suas dependências. A partir dai, começamos a ficar reféns dos espaços improvisados, que no infeliz 'jeitinho brasileiro' serviam para fazer um evento quase cem por cento. Por mais que tentassem suprir a carência dos espaços deixados pelos clubes, existiam buracos na sua logística de apoio, como estacionamentos, espaço para bares, sanitários, etc.


Mas ai, quem lê essa coluna se pergunta: e a grande casa de shows da Bahia não supria essa carência? Sim, amigo, supriria se essa casa existisse. Durante todos os anos que passei no meio artístico, sempre ouvi o boato de que seria feita “a grande casa de shows de Salvador”. Ora! Seria na Paralela, lá para os lados do Parque de Exposições, depois seria feita na região da Tancredo Neves, onde hoje existe o Salvador Shopping, em frente ao Centro de Convenções. Até dizer que iria ser feita no fundo do Shopping Iguatemi eu ouvi, só que o tempo vem passando e nada! Somos, hoje, completamente riscados de qualquer grande evento, pois termina indo para Recife, mas não passa por aqui. Até Aracaju, que é bem menor, tem duas casas grandes para eventos.


A mídia vem informa que está em curso uma casa de shows de grande porte, mas, sinceramente, me tornei discípulo de São Tomé; tenho que ver para crer. De boatos estou lotado! O certo é que ficaremos fora do chamado grande circuito de eventos do mágico à grande banda de rock enquanto não tivermos o nosso “BAHIA HALL”.


Para a galera do meio artístico baiano, tá na hora! Temos atualmente o chamado 'consórcio' para tantas coisas; para bar, bloco de carnaval e camarotes. Nossos empresários artísticos baianos têm se juntado para criar tantos negócios, por que não se unir para criar a nossa 'BAHIA HALL'? E por que não?

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