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Coluna

OU VAI OU RACHA



Lendo a entrevista do empresário artístico Windson Silva, postada aqui na coluna Holofote no último dia 23, não sabia se ficava feliz ou preocupado em saber que mais um empresário do axé de grande porte se vê temeroso com os rumos do Carnaval de Salvador. O que fica cada vez mais claro é que precisamos parar para “afinar os instrumentos”, pois, da forma que vai, realmente tende a ficar difícil.



Para entender melhor, eu que vivi outrora o começo do circuito Barra - Ondina lembro que ele surgiu por falta de vaga no circuito principal. Não havia mais lugar para novos blocos, não se tinha mais espaço, por isso surgiu o segundo circuito, ou circuito alternativo, como chamavam à época; para resolver essa questão. O grande problema nosso - digo nosso porque fiz e faço também parte desta festa - é que, ao fazer o novo, não planejamos para o futuro, não conseguimos projetar como a festa estaria dali a dez ou quinze anos.



Me diga aí, alguém aqui que começou na Barra imaginou um dia que ela seria o que é hoje? Pessoas que começaram lá como Jorge Roque, do Broder; Valter Viterbo e Tio Paulinho, do bloco Acadêmicas (que saudades dos forrós da Pampanhos com banda Acadêmicas); Ricardo Luzbel, do Fala Garoto! e Adrenalina;  Luciano Freitas e Julio Cotias, do Gula-Gula; Paulinho Sfrega, do Qual é; a galera do Cerveja e Cia - só para citar alguns dos pioneiros do circuito alternativo -, nenhum deles imaginou que um dia uma rede de televisão fosse transmitir o carnaval da Barra ou que haveria camarotes para todo o lado.



O fato é que o que era alternativo ficou permanente. O Carnaval de Salvador tem, atualmente, em seis dias de festa, três circuitos: o Osmar (Campo Grande), Dodô (Barra- Ondina) e Batatinha (Pelourinho). E ainda tem o carnaval nos bairros. A estrutura cresceu, embora o espaço (que precisa ser cada vez maior devido ao número crescente de trios e foliões), a segurança, os serviços e a infraestrutura hoteleira ainda sejam um problema.



A questão é: o que se sugere? É ai, amigo, que mora o problema. Idéia tem um bocado, para tudo quanto é gosto. Tem idéia para os blocos afros, para os blocos com trios, para os artistas independentes, para as grandes estrelas do axé, para os donos de camarotes, enfim, se duvidar, até Obama tem uma idéia para o Carnaval de Salvador.



Precisamos discutir os caminhos a se seguir, pois, se não forem encontrados, estaremos fadados a ter uma festa cada vez mais conflituosa no que diz respeito aos interesses de empresários, poder público e do próprio povo.
O caminho é o planejamento! Puro e simples. Temos, sim, que abrir mão dos interesses pessoais e criar novas regras para a folia de Salvador, para que a festa não seja engolida pelo nosso ego. Da mesma forma que, no passado, alguém teve coragem de criar um novo circuito, de não temer o novo. Virá alguém desta vez? Se vier, conte comigo.

 

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