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Coluna

FOLIÃO PIPOCA

Neste carnaval resolvi que seria um folião pipoca, mas não é o que você está pensando; sim, sou o folião pipoca, mas com refrigerante, ar condicionado, banho de piscina e tudo mais que o conforto do lar pode me proporcionar. Acabei não indo a rua, por diversos motivos, mas um deles o melhor: precisava descansar. E, depois da criação da televisão, vejo todo mundo e ainda curto meu carnaval na paz.


Pois bem, estou fazendo a minha enquete particular, para escolher os melhores do carnaval; entre eles o melhor cantor, cantora, música do carnaval, entre outros. Meu instituto de pesquisa: “Boca do Povo Pesquisa Ltda”, pesquisa com a rapaziada que mais entende de música em salvador, O POVO.
Quero lembrar aqui, para que não haja dúvidas, que as minhas pesquisas são extra-oficiais e têm como parâmetro a chamada “voz do povo”, ou seja, pessoas comuns. São eles o porteiro do prédio onde resido, as meninas que trabalham na portaria do prédio onde trabalho, a moça da lanchonete que leva um lanchinho à tarde para mim (pão integral com ricota, suco de lima sem açúcar e bem gelado), a rapaziada da segurança, o cara que lava meu carro, o guardador de carros da clínica onde faço fisioterapia, meus pais e a turma dos gatinhos e gatinhas da terceira idade que ficam na pracinha de Itaparica fofocando e conversando sobre tudo que há na terra de meu Deus; enfim, todos que tiver oportunidade de perguntar, sendo eles 'gente comum que sente o arrepio no braço quando do que gosta'. Ainda não acabei minha enquete, mas, assim que o fizer, vou trazer a opinião do povo aqui para a coluna Holofote.


Mas um item terminou no fim do carnaval e amigo! Como diria Mário Kertész, "para de novo o mundo que eu quero descer", DALILA deu na “cabeça e no coração”! I-m-p-r-e-s-s-i-o-n-a-n-t-e, de fato Ivete Sangalo é uma abençoada, todos cantavam sua música, vi na televisão declarações de várias pessoas, todos dizendo que votariam em DALILA - se vacilar até passarinho cantou a música -, agora, verdade seja dita, cada um curte do seu jeito. O cara que lava meu carro, esses dias: “Gani, a música é probrema viu vei, né não é! Toda vez que tocava Dalila só via braço passando pelo lado do meu rosto, todo mundo na corda ficava no saci"!


E amigo, lá estava eu feliz vendo o carnaval literalmente de camarote, na maior mordomia, até que chegou em casa a filha de um casal amigo. Pensa no troço: me chama de “tio gang”, foi vestida de odalisca e toda hora perguntava: "você quer me ver dançar “Ivete”? E começava a cantar assim: “vai chamar “balila”, vai chamar balila, lixeiro (ligeiro). Caia na risada e ainda ficava perguntando se eu era amigo do povo da música, pi! pi! pi! pi! pi! pi! pi! pi! pi! parouuu!!!!


Tenho que contar uma história. Meu amigo, criança pequena vendo cantor de axé é pior do que bêbado gritando “toca Raul”. Rapaz, que terror!!!! Se o amigo leitor não passou por isso, boa sorte na sua vez, porque, meu irmão, sofri mais do que vendo o meu time, o BAEEEEEEEAAAAA, jogar contra o Vicetória.
Para você ter uma idéia, todo mundo que a gente via na televisão ela queria saber se eu era amigo. A menina foi da hora que começou a transmissão, até de madrugada, o tempo todo do meu lado me tirando do juízo. Na verdade, a pergunta era assim: "e exe (esse), tio “gang”, é xeu amigo?" E eu respondia que sim. O pior é que a danada na mesma hora dizia: "é mentira sua"! Imagine a cena, vendo televisão e ainda tendo que provar a uma menina de três anos que está falando a verdade. Ela ainda exigia, a cada artista que passava, que eu ligasse do meu celular para ele ou ela que estava no trio para provar que eu estava falando a verdade. Já imaginou a galera atendendo no meio da tocada para falar comigo? Aí, meu irmão, haja criatividade. Falei praticamente com todos os artistas, liguei para todos que passaram na televisão.


Lá ia passando Aline Rosa - linda e com uma voz cada vez mais bonita -, ou meu amigo Sérgio Fernandes - a quem mando um forte abraço e meus parabéns pelo troféu Band Folia -, ou minha amiga Kate, da banda Voadois - que também não deveu nada a ninguém nas suas apresentações -, ou Tatau, que na minha opinião é um dos melhores cantores que a Bahia tem hoje. Ao mesmo tempo, os meninos do Jammil (Mano, Tuca e Beto) que todo ano tem uma música entre as melhores e só passa em alto astral, enfim, toda a galera que desfilou no circuito Barra Ondina eu liguei. Mesmo sabendo que os celulares estariam desligados, liguei para satisfazer a um trocinho, que ainda dava risada da minha cara quando eu fingia que falava com eles e pedia para eu mandar eles cantarem a música que ela queria, “balila”, e ainda ficava chateada quando o artista se despedia na televisão e não cantava a música dela.


Mas, enfim, adorei meu carnaval. Vi todos os amigos pela TV, no entanto, o mais interessante é que os vi pelos olhos de uma criança. E, quando enxergamos pelos olhos de uma criança, é que se exalta toda a verdade de uma imagem; seja pela tela, seja ao vivo na rua, o legal é que as crianças dizem a verdade, não enganam. A verdade é que não adianta tentar manipular uma criança, o que pode acontecer nesses casos é a reprovação, seja da música, da roupa, ou do artista. A criança diz a verdade, e a verdade é que vou ficar um bom tempo sem ver dança do ventre, porque toda vez que a música de Ivete tocava, lá vinha o diacho da menina cantando “vai buscar Balila, vai buscar balila lixeiro"! Me deixe, viu....

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