Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/

Coluna

Vai lá nele mesmo, Dodge Ram - afogando o sapo!

Por Luis Ganem


Pediram que eu fosse mais enfático nas minhas queixas em relação ao que acho que está acontecendo com a música baiana, mais precisamente o axé. Caramba! Como ser mais enfático depois que disse que o barco está afundando e que, se os que criaram a praga não tentarem dar um antídoto agora, ao invés de ficarem tentando se vender como bons moços, em pouquíssimo tempo nossa música, terá ido muito além do fundo do poço, porque, acreditem, poço nunca tem fundo, é só cavar, que mais profundo fica.

Agora, tudo bem que estamos ficando sem letra, sem música, sem melodia, quase sem nada. Mas que essa moda fuleira do sertanejo que agora se chama arrocha sertanejo já está começando a passar do limite, está. Nos anos 90, quando o mercado fonográfico nacional era quase todo baiano e a moda era falar as coisas da Bahia e seu baianês, tinha um bocado de bacana de fora descendo o pau, dizendo que baiano era isso, era aquilo, as estrelinhas sulistas do pop enlatado nacional viviam mordendo e assoprando em torno do nosso som. Tudo que era feito por aqui, soava como música pobre e fútil.

Pois bem, me aparece agora um bocado de cantador do mato, fazendo um estilo “Ocean drive”, que ao invés de andar a cavalo e cantar música modelo “Tufão” resolvem começar a falar que plantar tomate e milho pode te dar carro importado amarelo ou caminhonete, e ainda tentam vender isso como arrocha, como sendo um ritmo criado por eles. Me poupe e me bata um abacate.

Já até falei sobre isso, mas tenha fé! Toda vez que estou ouvindo rádio e escuto um cantor desses aí dizer no refrão “vem ni mim Dodge Ram” – alguém saberia me dizer quem é esse Dodge Ram que tem que ir nele pelo amor de Deus?! – ou então um que canta que tem um Camaro amarelo e quando tinha uma moto não pegava ninguém e agora pega todo mundo, ou outro que está quebrado, com o cartão bloqueado, não tem carro, veio de carona, mas sabe fazer um lê, lê, lê – imagine a vontade desses sujeitos em leiezar –  fico pensando que se as letras do axé estão ruins, as dessa galera nem se fala.

E aí pergunto eu de novo: quem está combatendo isso? Quem das nossas entidades representativas está barrando esse estilo musical, como fizeram com o nossos ritmos em diversas partes do pais esses anos todos? Porque é lindo agora alguém que defende o estilo “Tufão” dizer que o preconceito é inaceitável nos dias de hoje. E que há espaço na música para todos.

Mas quando todo mundo lá fora se juntou para acabar de afundar o barco que a gente mesmo ajudou a furar, nenhuma viva alma apareceu pra fazer a nossa defesa. A pouca farinha no saco fez com que a gente se canibalizasse a cada dia, um tentando comer o outro. Então as favas em ser politicamente correto. Porque, quando o somos, deixamos nossa gente que trabalha na música sem renda, sem colocar comida em casa, desempregada – sendo bastante claro –, e se é pra gerar emprego dentro do mercado artístico, que seja com o nosso, e não com o dos outros.

Espero que alguma alma vinda desse nosso purgatório musical possa fazer a defesa do nosso arrocha, que foi criado no interior do estado, mais precisamente em Candeias, e não no interior de Goiás ou qualquer lado desses do país, e que foi copiado pelos donos de “humildes residências” que vieram para o carnaval somente aprender a fórmula com os bestas e, depois de trocarem o rotulo, voltaram vendendo a mesma coisa com outro nome.

E tem mais, independente de bairrismo, tenha dó que vou nada me passar por caipira, enfatizando na fala a letra erre, usando bota de cano e calça skinny apertada no saco pra ficar na moda, e ainda ficar cantando que de carro importado ou mandando "vim ne mim" – lá ele–   eu vou ser mais feliz. Vou nada.

 

Luis Ganem 

luisganem@bahianoticias.com.br
Twitter: @luis_ganem