Simbora que o Ara voltou!

Vamos comemorar – ao menos eu vou – finalmente um refresco depois de tanta notícia ruim que a música baiana tem tido ultimamente. Do começo do ano pra cá tem sido tanta pedrada, que, sinceramente, pensei que o ano todo fosse ser assim. Mas, e sempre tem o mais, o axé que está tão desgastado ultimamente, perdendo espaço para o sertanejo universitário, para a festa de boneca e até para o churrasquinho na laje, creio eu agora, vai conseguir respirar um pouco.
Estou falando, para quem não entendeu, sobre a volta em agosto de Tatau para a banda Araketu. Olha, sinceramente falando, e que me desculpem os que não pensam assim, achei ótimo. Primeiro, porque resgata um momento do música baiana em que as coisas davam certo, depois, pela representatividade artística que o produto tinha e talvez, eu disse talvez, ainda tenha, no cenário nacional.
E aí, não querendo ser saudosista, e já sendo (risos!), como a vida parecia mais fácil naquele tempo. Nossa! Como tenho a impressão que era mais feliz. Tudo bem, era mais magro ou menos gordo – como queiram – (risos!) mas, que essa ideia de vida menos complicada existia, tenha certeza. E o Araketu, acredite, remetia em muito a isso.
Era uma literal festa os seus ensaios. Tendo começado na Rua Chile de uma ideia do saudoso Manolo Pousada, o Ara, como era e é carinhosamente conhecido, tinha seu repertório, quase todo autoral, diga-se de passagem, cantado do começo ao fim pela galera que ia ao espaço.
E por falar em espaço, pense em um lugar democrático, colorido, de uma energia positiva única, em que todas as tribos circulavam e se davam em prefeita harmonia. Artistas da hora, e os que queriam ser da hora, o povo da mídia, políticos das mais diversas tendências ideológicas, aspirantes a babacas, e os grandes babacas, era tudo uma alegre torre de babel.
O negocio era tão eclético que, as meninas finas da alta sociedade, e as "primas” – creio ter surgido daí a idéia de se apresentar as “moças de fino trato” como sendo parentes (risos!) – circulavam, se confundiam, e eram confundidas – ou não – (risos!) dado o passar das horas, e dos líquidos etílicos sorvidos (risos!).
Olha a coisa era boa, tão boa, que, mesmo depois de mudado de lugar, a festa não perdeu o brilho. Mas aí então vem a pergunta: se era a festa e a banda eram tão boas, por que acabou? Aí amigo, são outros quinhentos, ou então outros mil e quinhentos (risos!).
Como diz um amigo, quem trabalha por amor é otário (risos!). Partindo desse ponto de vista, creio que Tatau começou a achar que estava trabalhando por amor (risos!). Podem até dizer que estou errado na minha tese, mas creio que a questão principal da saída do cantor foi o valor que estava sendo repassado pelos empresários da Banda para ele
Se bem que, sendo bastante honesto, para o tamanho do ego das partes a época, ia ser muito difícil chegarem a um denominador comum. Até por que, como regra, se por um lado todo artista acha que por ser ovacionado e endeusado pelos fãs possibilita, enquanto banda, tornar-se um sucesso na carreira solo, todo empresário acha que somente ele tem o dedo de midas, e que somente ele consegue fazer algo interessante. Enfim, era como pensavam na época as partes cada um na defesa dos seus interesses.
Ainda bem que o tempo é o senhor de tudo e, no caso das partes envolvidas, a reflexão do erro se deu de ambos os lados. Aprendeu o empresário, que entendeu que repartir mais é preciso. E aprendeu o artista que nem tudo pode ser a ferro e fogo, e nem sempre recuar significa perder, mas prosseguir por outro caminho.
Mesmo que se negue, toda essa ruptura foi muito ruim para todos, principalmente para a nossa música. Tomara que os ensinamentos da vida sirvam para essa nova parceria dos Lacerda e Tatau e que fatos como esse sirvam de lição para as estrelas que estão surgindo e as que estão ai. Na vida, não existe fórmula para relacionamentos, mas deve prevalecer, sempre que possível, o bom senso.
Luis Ganem
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