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A Bahia e suas estações do ano

Por Adrielle Coutinho


Esperando o ônibus na Estação Pirajá. Na maioria das vezes, aliás, quase sempre existe uma fila de mais ou menos 50 pessoas esperando um único ônibus. Quando o buzu se aproxima, os passageiros vão se aglomerando. Quem está esperando, leva empurrão e vai se espremendo na fila até a chegada efetiva do ônibus.
 
- Para, motô! – É o primeiro grito que as pessoas soltam no meio do empurra-empurra.
 
Quando o ônibus para, quem está nas primeiras posições da fila vai se acomodando. Quem está no fundo fica espremido no corredor da condução e na escada do meio. Como baiano gosta de conversar, sempre existem conversas paralelas de desconhecidos:
 
- Má rapaz, isso aqui na estação é todo dia, não tem um que guente.
 
- Né o quê, menina? Tô aqui no sufoco dessa fila ‘derna’ de oito horas, PENSE.
 
Geralmente, quem desce nos primeiros pontos fica na frente do ônibus, em pé, esperando a parada chegar. Quem deseja passar e chegar à porta de saída, encontra uma multidão de pessoas e prefere entoar o grito clássico:
 
- Abre o meio, motô.
 
Todo mundo presente no ônibus costuma ajudar e a gritar também “ABRE, MOTÔ”, “TEM GENTE QUERENDO DESCER”.
 
Até o motorista do ônibus abrir a porta. 
 
A solidariedade coletiva para alguém descer do ônibus acontece desse jeito.