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Coluna

Algumas lembranças - o respeito que não tive

Por Luis Ganem

Alguns dias atrás, mais precisamente em um sexta feira, fui cumprir uma promessa que tinha feito ao cantor Tony Salles (cantor da Banda Raghatoni), e fui ver seu show em uma casa noturna de Salvador. O show começaria às 1h30, mas, como tinha prometido e promessa é dívida, lá fui eu.

No deslocamento para o local, um monte de indagação passou pela minha cabeça, entre elas, uma que sinceramente martelou o pensamento da hora que saí de casa, ao fim do evento: como é difícil fazer sucesso e manter-se na música. Fiquei olhando para trás, para o meu começo e vi o quanto foi duro e difícil, e ainda é, mesmo já com os anos de experiência que tenho.

O interessante nesse processo foi que me veio à mente um monte de lembranças relativas ao tempo que tinha mais participação com bandas. Engraçado como são diferentes as visões de um show ou evento, e como isso fica distinto quando você já esteve dos dois lados. Eu ali vendo o show de Tony Salles me lembrei um pouco de como é árduo essa coisa do sucesso, e como os artistas que estão começando são poucos ou nada respeitados.

Olha, não estou falando do show de Tony não, viu!? Estou falando isso somente para ilustrar como se rala nesse nosso negócio. Como as coisas são difíceis nessa área, como a distância entre o sucesso e o fracasso é bem fina e aparentemente curta, muitas vezes tão curta quanto um passo, que pode ser breve, ou demorar uma vida toda, e nunca ser dado.

E caramba! Como é difícil fazer sucesso, como é deprimente perceber que ninguém esta dando a mínima atenção a você ou a seu show. Somente quem passou por isso, como passei nos meus anos de estrada, pode ter a exata noção do que estou falando.

Houve um momento da minha vida que cheguei até a pensar não mais apoiar as iniciativas que viessem a surgir no mercado fonográfico, em desestimular quem estivesse tentando vencer nesse negócio, justamente por conta das experiências ruins que passei, tanto no campo do reconhecimento enquanto banda, ou mesmo em acreditar nas pessoas e depois me decepcionar.

Mas percebi que a coisa tinha que ser totalmente diferente do meu pensamento. Tenho e temos – o meio artístico em geral – mais é que apoiar as novas iniciativas, dando um pouco da nossa atenção e do nosso apoio moral caso não possamos ajudar de outra forma. Um incentivo moral com palavras de apoio valem muito pra quem está começando, muito mais do que se imagina. Lógico que não é pra sair por aí agindo como um paladino da moralidade e da boa vontade com todo mundo, porque ninguém está aí pra julgar o caráter das pessoas – ai, se eu tivesse visto isso há uns dez anos, risos!! – mas se puder ajudar, ajude. Ao menos no incentivo moral.

Agora uma dica também vou dar a você que quer ajudar. Se o artista ou banda que solicitar sua ajuda ficar com a conversa mole e com a frase: "me ajude". Por experiência digo: pule fora. Pois a primeira coisa que os dito cujos vão fazer quando o sucesso bater a porta deles é te isolar, inventar um monte de coisa, e dizer que tudo que aconteceu foi uma pura e simples obra de Deus (risos!).

É o verdadeiro lobo, em pele de cordeiro, cruz credo (risos!)



Luis ganem
luisganem@bahianoticias.com.br
Twitter: @luis_ganem

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