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Coluna

Os Semideuses

 


Uma coisa que se aprende com a experiência de vida artística é identificar o porquê de alguns produtos que tinham tudo para dar certo no mercado acabarem não conseguindo emergir ao sucesso.
    
Engraçado como todo o mercado musical fica falando do resultado negativo do produto, sem entender como a tal “barbada” que teria ou seria um sucesso fácil, fracassou. As vezes até culpando o “infeliz” do empresário, insinuando que o mesmo não soube fazer com que a mágica acontecesse, sem realmente entender os sinais vindos do produto.
 
Aí, amigo, decorridos esses tantos anos no meio musical, e vendo tanta coisa que não fez sucesso, principalmente de dez anos pra cá, cheguei à conclusão que um dos fatores que atrapalham também em um produto novo é que não basta a voz da banda ser um rosto ou um corpo bonito, tem que ter caráter.
 
Isso mesmo, aquele rosto bonito, com largo sorriso, cara e jeito de gente boa, de historia pobre, cheio de contornos que se fosse um filme, seriam lágrimas do começo ao fim, e que fazem com que o sujeito(a), seja um(a)  “querido”(a), é em verdade um(a) grande e absoluto(a) arrogante, que pensa que seus atributos físicos e vocais quando os tem, o(a) colocam acima de tudo e todos.
 
Ainda mais no mercado comercial de hoje, que valoriza o óbvio e o estereotipado, em detrimento às vozes e letras, que são o que realmente importa, mesmo que alguns dos novos valores surgidos estejam mostrando que o belo na música não precisa ficar restrito a uma bunda ou um par de peitos siliconados – nada contra os mesmos - ou ainda um tórax definido e uma barriga de tanquinho – tudo contra os mesmos – (risos!). Valores comerciais sem pesquisa tendem a afundar rapidamente e isso é fato.
 
Podem até dizer que isso faz parte do caráter da pessoa, e que nem sempre esse tipo de atitude acontece, o que concordo plenamente mas, repare você que tem uma banda ou está começando uma, se seu cantor ou sua cantora forem bonitos e se além de bonito cantarem bem, existe uma grande chance de fazerem parte do time dos bostéticos que não são nada além de: “fezes” na água, mas que se acham.
 
Por isso, tenho dito ultimamente a quem me pergunta, que me fixaria em primeiro plano a dois conceitos para buscar nos novos artistas para a música: voz e caráter. Porque, mesmo que sejamos obrigados a tentar emplacar o estereotipado comercial, e o enlatado “perfeito”, precisamos começar a buscar nos nossos valores do amanhã, o sentimento da voz, e a retidão do caráter partindo daí, para os outros itens que podem identificar um grande artista.
 
Digo isso para que não erremos e continuemos criando semideuses, que se achem onipotentes ou que, famosos ou não, tragam problemas para nós, simples mortais terráqueos (risos!)

 

Luis Ganem
luisganem@bahianoticias.com.br / twitter @luis_ganem

 

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