ALGUMAS BOAS IDEIAS
Sempre que paro pra conversar sobre o meio artístico fico a observar no decorrer do papo o que mais aflige a comunidade artística. Fora acharem que o mercado está saturado, desgastado, cheio de bandas e artistas, a queixa unânime entre todos é que nada de novo acontece.
Mas ora, como nada de novo acontece? Nesses últimos dois anos, o mercado deu uma guinada de quase 180 graus. Se pararmos pra pensar, o pagode nesses últimos dez anos por si tem tido um ritmo em evolução constante.
E antes que comecem a perguntar se eu estou entusiasmado com o pagode, até que estou, sim, mas não somente com o ritmo envolvente e suingado que ele trouxe, mas com a diversidade de idéias que vieram junto com ele.
Lógico que não falo das idéias medíocres e ruins que sempre aparecem como modernidades ou novidades e que, quando o mercado percebe, começa a rejeitar. Falo das boas idéias que vieram para o mercado da musica baiana como um todo.
Na área de eventos principalmente, essas idéias surgidas - vindas de fora, acho eu - que em principio usavam apenas produtos locais se tornaram hoje um diferencial a mais em se tratando de eventos.
Eu explico. O pagode, no seu começo de vida, tirando as grandes bandas de então, fazia suas festas normalmente com quatro ou cinco delas se alternando. Acredito que isso acontecia para diminuir custos, o chamado “bailão”. Naquele momento, isso era um bom negócio para todos.
Essa bandas se alternavam em apresentações de uma hora e meia duas horas e levavam para esses espaços aqueles que gostavam do seu som. No começo isso era legal, porque cada uma entrava com seu custo e, no fim do evento, após pagos os custos, se dividia a ponta para todos os envolvidos.
Essa formatação evoluiu e tem evoluído a tal ponto que as produtoras de axé - denominação que eu particularmente hoje rejeito, pois todas têm bandas de pagode no seu cast – fazem esse tipo de formato em seus eventos. Sendo que outra idéia, creio eu oriunda do pagode, foi assimilada também pelas produtoras, que foi os eventos começando do inicio da tarde. Geralmente, hoje em dia grandes eventos, independente do numero de bandas que possua, começam pela tarde. O que, convenhamos, é mais salutar. E nos dias de hoje menos inseguro.
Neste último fim de semana mesmo, a festa do Chicletão e da Timbalada provou que boas iniciativas, quando incorporadas e melhoradas ,tendem a movimentar um mercado que muito se acha estagnado.
Como disse em outro texto, é preciso entender que o ritmo do pagode veio pra ficar. Deixou, como muito achavam, de ser um modismo, um ritmo passageiro e como toda novidade trouxe a tiracolo idéias boas e ruins. Só não vê quem não quer.
Luis Ganem
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