CASCA DE BANANA
Todo artista sonha em algum momento da vida em sair da banda que o projetou e fazer sua carreira solo. Natural que isso aconteça, afinal de contas nem sempre o pensamento do artista bate com o do empresário ou da banda, e é mais do que normal que ele queira colocar suas ideias em pratica.
Em algum momento da vida, concretizando ou não esse sonho, um dia ao menos ele é sonhado. Mas daí acontece o chamado “momento de libertação” e o artista, que na banda tinha toda uma estrutura ao seu lado, se vê da noite para o dia dono do seu destino e senhor das suas vontades.
Pra começar, sabendo os “vampiros” dessa condição indefesa do artista, acontecem aparições a torto e a direito de supostos empresários em cima do sujeito para se tornar seu companheiro de jornada. Bom, aí é que vem a questão: como o artista deve se colocar para não pisar na chamada “casca de banana”?
O enredo é sempre o mesmo: o sujeito largou o empresário antigo porque não concordava com a metodologia que era aplicada na sua carreira. Normalmente quando esses casos de rompimento acontecem, as queixas que aparecem nas justificativas são sempre as mesmas. Falta de atenção, pouco investimento na carreira, acordos primários que são deixados de lado no decorrer do contrato e pior que isso: o artista começa a ser frito com a própria banha.
E para quem pergunta como se faz isso eu explico: um artista já em um estágio de sucesso mediano gera para a empresa mensalmente uma media de uns R$ 200 mil bruto em shows. Disso, os percentuais são repartidos de forma acertada e ainda é feito um reinvestimento na carreira do artista, que pode variar de 15 a 25%.
Esses acordos são feitos no começo da relação para, antes de mais nada, nortear o projeto do artista. Metas a cumprir são sempre importantes nesses acordos, pois antes de mais nada motivam e focam a gestão compactuada.
Dentre alguns desses itens está o investimento inicial, que é aquela ponta (valor) colocado como combustível inicial no novo projeto ora a ser feito. Normalmente, esse valor é dividido em três partes que devem sair em principio do caixa da empresa à qual o artista está se vinculando. Mas aí depois da primeira parte investida, normalmente o acordo é quebrado.
O empresário “vampiro” começa a usar o valor obtido nos shows como reinvestimento e “esquece” que havia dito que colocaria dinheiro do próprio bolso independente do que viesse. Aí, amigo, o artista já começou a escorregar na tal casca de banana.
Porque a partir daí, na primeira queixa que ele fizer, pimba! Começa a ser congelado e esquecido e tudo que foi prometido a ele anteriormente entra no mundo encantado do deixa-pra-lá.
Sempre é bom no começo das relações estabelecer de forma clara essas condicionantes até para não comprometer um trabalho que nunca é fácil. Lógico que ninguém aqui acha que o gesto de descumprimento vem somente do empresário. Sei também que muitos artistas conseguem tornar a relação, que era pra ser fácil, um tormento.
O que espero é que, trazendo a luz à existência do problema, se possa também diminuir os atritos relativos a esse fato. Até para não tornar uma parceria que teria que ser salutar em um problema de marcar maior ou uma verdadeira “casca de banana”.
É isso aí!
Luis Ganem
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