RESPONSABILIDADE SOCIAL: A EXCEÇÃO QUE PRECISA VIRAR REGRA

Nesses dias que se passaram, o Brasil, depois da derrota na Copa, parou para acompanhar o caso do goleiro Bruno, que está sendo incriminado pela morte de uma jovem que se dizia mãe do seu filho. Mas, paralelo a isso, dois fatos que observei e passaram despercebidos aos olhos da maioria me levaram a pensar um detalhe que normalmente passa ao largo nas produtoras artísticas não somente da Bahia como do Brasil.
Trata-se da morte de um sargento da PM depois de uma briga na boate de strip-tease com o ex-cantor do É O Tchan Kleber Menezes e a historia de um ex-cantor de uma outra banda de pagode que, salvo engano, foi preso ou se tornou traficante, coisa mais ou menos assim. Estes fatos trazem à tona, ao menos no meu ver, uma realidade que normalmente somos levados a crer que não somos responsáveis: a educação e o encaminhamento dos nossos artistas.
Vou explicar. Talvez pela forma com que esses dois fatos vieram a publico, infelizmente em páginas policiais, o que realmente está estampado nessa situação acaba fugindo aos olhos dos menos atentos. Mas se pararmos para pensar, somos sim, de uma forma ou de outra, responsáveis pela formação educacional dos nossos talentos enquanto indivíduos.
Penso que não adianta tentarmos sempre fazer o artista simplesmente por fazer. Acredito que essa parte da responsabilidade sobre a carga emocional que sempre vem acompanhada do sucesso seja parte da nossa missão. Acho que todos nós, formadores de opinião, produtores e empresários do meio, temos quase que por obrigação cuidar dos nossos “agregados”, não apenas visando o dinheiro, mas sim o ser humano.
Olha, a minha formação neste mercado se deu mais do que nunca pelo aprendizado conseguido ao observar as pessoas que já estavam no meio. No período em que comecei, se aprendia a labuta do oficio de produtor musical em muito vendo a ação dos que já estavam na estrada. E dai íamos tirando os ensinamentos necessários.
Lógico que alguns ensinamentos você não leva consigo como, por exemplo o mau-caratismo ou ainda a ganância descabida. Mas outros, mais agora do que nunca, são importantes na sua formação e entre eles destaco a responsabilidade para com o artista nos seus mais variados estágios.
No tempo que fiquei à frente de alguns “produtos”, sempre levei a sério a minha responsabilidade social aprendida no começo da carreira. Profissionais da música já naquele tempo, como o amigo produtor musical Luciano Freitas (Via Circular), sempre me ensinaram que além da condição de empresário ou produtor é importante que também sejamos educadores. Afinal, é dali e para alguns anos que o nosso fruto de trabalho sairá.
O caso isolado desses dois ex-cantores serviu, entre outras coisas, para poder verificar que muito ainda tem que ser feito quanto a essa questão em específico. Um mercado do tamanho do nosso não pode se abster da responsabilidade de educar e preparar nossos artistas e músicos para o mundo maior além da música.
Partindo da premissa de que nada é eterno e que o sucesso, a fama e o dinheiro um dia podem acabar - o que nesse meio artístico é quase sempre uma realidade -, é importante que possamos de alguma forma contribuir para que armadilhas impostas à nossas estrelas com a chegada do dinheiro possam ser administradas e assistidas sem sobressaltos. Não podemos enxergar essas responsabilidades como além das nossas funções, mas sim como parte delas.
Meu espaço é limitado, mas espero ter lançado uma semente para que a responsabilidade social se torne uma regra no que ainda vejo ser uma exceção.
Sou Luis Ganem.
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