COMEÇAR DE NOVO

Voltamos mais uma vez aos tempos das regravações. Digo isso por que agora o É O Tchan! resolveu fazer o seu DVD ao vivo. E digo retornando por que a banda já estava fora do mercado faz algum tempo. Mesmo sendo pra mim uma interrogação o resultado final desde DVD, acho importante acontecer.
Essa onda de regravações já vinha engatinhado havia algum tempo e outras tentativas tinham sido feitas, mas acredito eu sem grandes repercussões apesar dos expoentes que o fizeram.
O que não é de se admirar, até pela forma com que o mercado musical local vem se comportando no que diz respeito ao surgimento de novos produtos. Por conta disso, não causa espanto que grandes sucessos da musica baiana voltem em relançamentos.
O É o Tchan! tem história pra isso, não podemos negar. Sua condição de emplacar um sucesso atrás do outro por pelo menos cinco anos na década de 90 coloca os caras da banda na marca do gol de poder fazer um bom disco apesar de que, no meu pensamento, um DVD dos grandes sucessos sem colocar a formação original e todas as dançarinas que passaram pela banda já é o primeiro erro.
Estou citando o É o Tchan! por ser um produto que “tecnicamente” estava fora do mercado e resolveu fazer da sua volta uma lembrança e o reavivamento do que foi um dia.
Do nosso Axé, há alguns anos o pessoal da Bandamel (se escreve assim mesmo) tentou se juntar para gravar um DVD também. Salvo engano era Robson, Márcia Short e Alobened Aiam os cantores que tentariam essa volta, mas forças ocultas (risos!) fizeram com que essa ideia fosse abortada logo depois do segundo show e nunca mais se tocou no assunto.
Luis caldas também fez um DVD com os grandes sucessos de sua carreira. No caso dele, não lembro bem como foram as vendas, mas lembro que o CD foi feito pela Caco Discos e que, diga-se de passagem, é um baita DVD que recomendo da primeira à faixa final, simplesmente maravilhoso.
Uma coisa esta constatada e é fato: ninguém grava mais trabalho algum pra somente vender ou ganhar CD de ouro, platina, etc. Essas motivações fonográficas, hoje em dia mais do que nunca, se gravam pra vender shows, só isso. Não consigo ver algum trabalho que só se valha como registro fonográfico puro e simples até por que o mercado informal (pirata) está ai pra tirar qualquer tentativa de sucesso com venda de CDs. Então esse tipo de registro acaba servindo pra alavancar shows, o que não é demérito algum, que fique bem claro.
Penso que fazer um registro em DVD de uma carreira deva ser feito quando se tem consolidado ao menos alguns anos de sucessos e de musicas de sucesso no mercado nacional. Essa história de fazer algo somente por fazer serve pra meia dúzia, mas no fim tudo cai e acaba sendo a emenda pior do que o soneto.
Como não é essa a condição do É o Tchan!, espero que apenas o bom senso impere e que um trabalho que tem tudo pra ser bem feito já não comece com polêmicas desnecessárias.
Luis Ganem
luisganem@bahianoticias.com.br // twitter @luis_ganem
