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Coluna

O COMÉRCIO INFORMAL DE CDS

 
Na semana que passou, estava lendo um jornal do sul do país quando vi uma matéria que falava sobre a venda de CDs piratas e outra sobre 13 gravadoras no exterior que venceram uma disputa jurídica de três anos contra uma empresa que disponibilizava a troca de musica via internet.
 
Trocando em miúdos, as duas matérias que li sobre o mercado artístico fazem parte de um universo de queixas que são, hoje, senão as principais queixas do mercado fonográfico e musical, ao menos duas das mais fortes e que acarretam em muitas vezes, dizem as gravadoras, grandes perdas para o mercado fonográfico.
 
Mas e os produtos em si? As bandas, os artistas, será que todos vêem ou têm a mesma visão dessa ação da “informalidade”? E o outro lado desta moeda? Como será que enxerga o CD pirata?
 
No Brasil, o comercio de produtos falsificados ou feito de forma ilegal, como os CDs piratas, virou uma forma de lavagem de dinheiro do crime organizado.  Mas pra quem pensa que essa historia é nova está muito enganado.
 
Por mais incrível que pareça, o comércio ilegal de fonogramas (discos) sempre existiu no país, só que de forma mais discreta e usando outros artifícios que não a cópia de CD que vemos hoje.
 
Só para lembrar aos mais saudosos e antigos, antes, lá pelos meados da década de 80, quando no mercado circulava apenas o vinil e a fitas cassete, já havia um comercio de cópia de discos. Até pelo fato de um disco também ser vendido em fita cassete, existiam, sim, equipamentos que copiavam as obras em fitas, que por sua vez eram vendidas em feiras livres ou ponto de ônibus pelo interior do Estado.
 
Lembro até de um amigo meu, hoje um grande jornalista, na época um adolescente que fazia um bom dinheiro copiando e vendendo fitas sob encomenda. Lógico que a discrição era a alma do negócio, pois o medo imperava não só para quem comprava como para quem vendia.
 
A diferença era que o respeito às leis era maior e a policia imprimia marcação cerrada a quem comercializava cópia pirata, que naquela época tinha outra denominação: cópia falsa.
 
A grande questão, e aí não existe espaço pra me aprofundar é: existe alguma forma de combater o comercio do CD pirata? Eu particularmente acho que não, mas vejo com bons olhos algumas iniciativas que já há algum tempo surgiram no meio artístico.
 
De uns dez anos pra cá, algumas gravadoras de capital nacional deixaram de ser apenas empresas prensadoras de CDs para se tornarem também produtoras de artistas que elas divulgam. Ou seja, além de gravar o artista e divulgá-lo, a gravadora ainda se tornou responsável pela venda de shows daquele artista.
 
Aí está, pra mim, um princípio de saída. A partir do momento que eu gravo e divulgo o artista e me torno automaticamente, pelo tempo de veiculação do seu contrato para comigo, parceiro e ou responsável pelos shows que ele faz, eu diminuo em tese o custo da pela perda do mercado informal.
 
Não estou nem quero entrar no mérito jurídico da questão. Estou apenas exponho para os leigos uma das muitas idéias que têm, a curto prazo, diminuído a fuga de receita de algumas gravadoras nacionais. Ter a clara consciência de que o comércio ilegal patrocina o crime organizado, acobertando em muitas vezes crimes maiores do que a sonegação de impostos, é obrigação de todos. Mas também se torna importante saber que a diminuição desse tipo de mercado é complicada quando o Estado não oferece as condições necessárias para a população ter acesso ao emprego.
 
Creio que formas como essas já adotadas pelo mercado fonográfico atenuem as perdas ditas por eles enormes. Apesar de que também os compositores e artistas se fazerem queixosos de nunca terem tido acesso aos números de vendagens das suas abras de forma clara e transparente por muitos anos, o que fica para outra coluna.
 
Estamos aí!
 
Luis Ganem
 
luisganem@bahianoticias.com.br // twitter - @luis_ganem

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