UMA OVERDOSE DE ALEGRIA
Não poderia nunca deixar de documentar sobre o maravilhoso e espetacular evento em que estive presente, que foi o show de Ivete Sangalo e Beyoncé na quarta-feira (10) no Parque de Exposições de Salvador. Como disse anteriormente, existe uma barreira que precisa ser quebrada, que é esse estigma de que a Bahia não pode fazer parte do circuito internacional de grandes shows. E ninguém melhor que Ivete Sangalo para fazer isso.
Às 21h Ivete entrou no palco e vi uma platéia torcendo e vibrando em favor dela. Torcendo loucamente por uma pessoa como se fosse uma final de Copa do mundo. E antes que os críticos de plantão se estabeleçam, para começo e fim de conversa, Ivete Sangalo ali representava a Bahia, o meu estado. E torcer por ela significava, antes de mais nada, naquele momento, torcer pelo nosso representante na música mundial.
Então, o que percebia nas pessoas era uma sensação de contentamento e uma demonstração de incentivo tão grande para com ela que é como se quisessem dizer: “Ivete, jogue duro que estamos do seu lado.”
E aí, meu amigo, a mulher jogou duro, mesmo tendo algumas limitações na parte técnica do show, como na iluminação (só podendo usar 40% do equipamento do palco), e na minha impressão no som também, além do limite do espaço no palco. Há de se bater palmas para o esforço dela e da empresa que ela representa em plantar essa semente.
Mas pense em uma menina levada brincando de fazer o que mais gosta. Assim estava a nossa Ivetinha no show. Descontraída, alegre, satisfeita, brincando com a platéia a toda hora. O astral estava tão legal que virava e mexia ela ficava levantando a mão e girando de um lado para outro (numa referencia ao Clip de Beyoncé “Single Ladies”, no qual esse gesto é repetido algumas vezes e se tornou referencia do clip). E todo mundo dava risada e aplaudia.
Ai veio By. E, amigo, quem nunca teve a oportunidade de ver um show de uma artista internacional deveria ao menos uma vez na vida ir ver. É tudo totalmente diferente do que já se viu, a começar pela parte cênica. Sempre defendi, desde os meus tempos de produção, que a qualificação de um show está no sincronismo do palco como um todo. Luz, som, corpo de baile e o que mais estiver sendo usado em um palco tem que trabalhar em perfeita harmonia, pois a plástica perfeita fica bonita ao olhos.
E a todo momento tudo funciona de forma de regra. Na hora mesmo que ela canta a “Ave Maria”, o efeito pretendido é dado tanto para quem olha pelo telão - que tem na luz ao lado dela a idéia de estrelas - quanto para quem olha para o palco - que tem no foco central de um raio de luz branca a idéia de leveza que a música quer passar.
Legal também é quando os artistas de fora começam a tentar agradar a galera local e a língua não ajuda. By mesmo ficou somente no “Salvathor” e eu só torcendo para que ela falasse o ‘xoupa thouda” e nada. A mulher não falou mesmo.
E um detalhe que me saltou aos olhos foi que a banda é toda de mulheres. E pense em uma pegada! Na hora do solo, a mulherada vem à frente do palco ou é focada no telão e manda ver no seu instrumento. Amigo, se fizerem uma banda dessa aqui com a pegada das Ladies, daria o que falar.
Olha Ivete, percebi os seus olhos marejados e a voz embargada quando disse que estava feliz em cantar para sua gente e trazer para o seu estado um show desse porte. Sei que é verdadeiro, porque você assim como eu tem orgulho de ser filho da Bahia e de dignificar a nossa terra lá fora.
Pelo espaço ser curto, posso dizer que o que eu vi e vivi foram realmente momentos especiais que vão ficar marcados para sempre na minha memória. Muitas vezes participamos como testemunhas oculares de fatos que farão parte da história e não nos damos conta disso.
Acredite que meus olhos também ficaram marejados por suas palavras e, dentre muitas pessoas a quem tenho orgulho de dizer que fazem parte da minha terra, tenho um imenso orgulho em dizer que sou conterrâneo de Ivete Sangalo.
A todos um carnaval porreta! E obrigado, Veveta!
