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Notícia

Torcedor do Vitória relata agressão policial no Barradão: “Nem animal é tratado assim”

Por Hugo Araújo

Foto: Reprodução/Instagram

Na noite do último sábado (6), após o Vitória conquistar a Copa do Nordeste diante do Fortaleza, o torcedor rubro-negro Vitor Reis viveu uma experiência traumática no estacionamento do Barradão. Em vídeo publicado nesta segunda-feira (8), ele relatou a agressão sofrida por parte de uma policial militar após a partida, por volta das 22h.

 

Segundo o torcedor, ele estava ajudando uma amiga com deficiência quando foi atingido no braço durante a ação policial na área externa do estádio, local onde a torcida tradicionalmente se reúne antes e depois dos jogos. Vitor precisou procurar atendimento médico e recebeu diagnóstico de lesão no pulso, ficando afastado do trabalho por um período estimado entre oito e 15 dias.

 

"Acabei de sair da UPA. Fui fazer exames. Eu estava ajudando uma amiga a chamar o Uber, que é deficiente. Eu estava de costas, não vi a ação da policial. Ela estava passando mal naquele momento, eu falei para ela tampar o nariz. Eu já não estava enxergando direito porque desde cedo a polícia vinha atuando com gás lacrimogênio e spray. Quando eu percebo a ação da policial, minha única reação foi botar o braço na frente para proteger minha cara", relatou.

 

 

Além da dor causada pela lesão, Vitor destacou que também terá de lidar com os impactos financeiros do afastamento do trabalho.

 

"Trabalho com ar-condicionado, peguei atestado e me passaram um remédio. O médico falou que foi uma lesão no meu pulso. Vou ficar oito a 15 dias em casa. Ajudo minha mãe em casa, faço meus trabalhos por fora também. Vou perder cliente por isso. É complicado", desabafou.

 

O torcedor também criticou a forma como a ação foi conduzida pelos agentes de segurança e afirmou que situações como essa geram insegurança na população.

 

"A gente anda com medo por causa dessas atitudes. Estava compartilhando a internet para uma amiga deficiente e agora estou com o braço engessado sem poder trabalhar. Uma dor miserável que estou sentindo no pulso. Eu mexo meu braço e dói. Temos medo de pessoas que eram para proteger a gente", afirmou.

 

Ainda emocionado, Vitor disse que não participou de qualquer confusão e que apenas celebrava a conquista do clube.

 

"Eu não sou vândalo, só estava ajudando uma amiga e aí a polícia age como se eu fosse vagabundo, animal. Nem animal é tratado assim. Pelo amor de Deus. Fui ver meu time ser campeão e às 22h sou tratado como se fosse um vagabundo, como se estivesse fazendo algo de errado", completou.

 

INVESTIGAÇÃO

Em nota enviada ao Bahia Notícias, a Polícia Militar da Bahia informou que tomou conhecimento da ocorrência e destacou que o policiamento do evento foi planejado para garantir a segurança dos torcedores e dos demais envolvidos.

 

A corporação informou ainda que o Comando-Geral determinou a abertura de um procedimento investigativo por meio da Corregedoria da PM para apurar as circunstâncias do caso, incluindo a análise de imagens, registros operacionais e relatos apresentados.

 

"A Polícia Militar da Bahia reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o aperfeiçoamento contínuo de seus procedimentos, assegurando que os fatos serão rigorosamente apurados no âmbito dos órgãos competentes da Corporação", diz trecho da nota.

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