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Notícia

Votação das contas de 2022 do Vitória é suspensa após atritos no Conselho Deliberativo

Por Nuno Krause

Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

A reunião para votação das contas de 2022 do Vitória foi suspensa nesta terça-feira (30) após atritos no Conselho Deliberativo. Conselheiros de oposição reclamaram da postura do presidente do órgão, Nilton Almeida, durante o encontro. Em protesto, se organizaram para votar pela reprovação do relatório. Eles alegam que Nilton teria conduzido o debate de forma autoritária, impedindo até um dos membros de falar. 

 

Conselheiros da situação, em contrapartida, apontam que aconteceram manifestações desrespeitosas contra o Conselho Diretor e que o movimento pela reprovação das contas foi político, deixando de lado "o bem do Vitória”.

 

A reunião foi marcada para votar o parecer do Conselho Fiscal acerca do balanço apresentado pela diretoria sobre as contas do exercício do ano passado. O julgamento já havia sido adiado uma vez após um atraso na entrega do documento. O Estatuto do Vitória prevê, em seu Artigo 63, inciso I, "c", que esse encontro aconteça “na primeira quinzena de abril de cada ano”. 

 

Ao Bahia Notícias, o conselheiro Mário Pinho relatou que o parecer do Conselho Fiscal sobre as contas foi encaminhado para votação sem as ressalvas feitas pela empresa de auditoria externa RSM Brasil Auditores SC. A partir disso, o conselheiro Cláudio Lessa, experiente na área de contabilidade, teria pedido a fala e Nilton Almeida o teria interrompido.

 

“Ontem à tarde, fiz um relatório complementar com algumas considerações. Falei: vou apresentar essas considerações para que o Conselho faça recomendações de governança, de controle com os gastos. Divulguei esse relatório. Talvez por isso ele não deixou eu falar. Perguntei: por que eu não posso falar? Ele respondeu que porque quem tem que apresentar parecer é o Conselho Fiscal. Falei: vou chamar de opiniões, então, não de parecer. Mas ele não permitiu que eu falasse, cortou o microfone”, afirmou Lessa. 

 

Questionado, Nilton Almeida disse o seguinte: “A reunião foi suspensa e será retomada, após adoção de algumas providências solicitadas. Quanto à minha condução, melhor ouvir conselheiros de outros grupos, que se preocupam unicamente com o bem do clube. Não se interessam por política. É somente isto que tenho a declarar”. 

 

O Bahia Notícias ouviu o conselheiro Antônio Daniel, da situação. Ele alega que a fala de Lessa ocorreu em um momento inoportuno.

 

“Antes, você pode pedir o direito de fala sobre aquele determinado tema, e vai ser concedido no seu devido tempo. O presidente abriu as inscrições e fechou as inscrições. A qualquer tempo, você pode solicitar questão de ordem para falar sobre o andamento da reunião. Ele, no ato da votação, resolveu querer discursar sobre o parecer que fez, que parecia ser muito longo, e a palavra não estava com ele. O presidente por diversas vezes solicitou que ele não deveria se manifestar. Era somente o voto”, contrapôs.

 

Outro fato polêmico foi o de que Nilton Almeida permitiu a fala de Thiago Noronha, diretor das categorias de base do clube, como relatou o conselheiro Diego de Assis.

 

“Alguns conselheiros fizeram críticas ao orçamento. Thiago, em defesa da gestão, não apenas desautorizou, como chamou os conselheiros de mentirosos. Não sabíamos exatamente porque ele estava ali, mas causou um enorme desconforto”, disse, em entrevista ao BN.

 

Cláudio Lessa também questionou a presença do diretor. "Pouco antes da minha fala, um cidadão que eu nem conhecia, o diretor da base do Vitória, que não era para estar presente, tomou a fala e foi muito agressivo. Indicando que as pessoas deveriam aprovar sem ressalvas", declarou.

 

Noronha negou as acusações, e disse que foi convidado por Nilton Almeida para a reunião. Ele pontua que não era o único membro da diretoria presente e que pediu a fala para fazer uma defesa da atual gestão rubro-negra. 

 

“Quando você passa uma informação que não é verídica, é preciso ter cuidado. Três conselheiros apontaram estouro de orçamento, e não houve. O orçamento era de R$ 29 milhões e o gasto foi de R$ 26 milhões. O Conselho Diretor precisava se posicionar. O que eles apontam como estouro são contingências judiciais, que foram contraídas em outras gestões, e que foi pedido pela auditoria externa para serem incluídas no balanço”, pontuou.

 

Em seu balanço, divulgado ainda neste mês, o Vitória anunciou um superávit de R$ 33 milhões no exercício de 2022, que seria representado pela redução da dívida total. O relatório completo está disponível no site do clube

 

"Estavam presentes o vice-presidente Djalma Abreu, o diretor Mário Belo, Ideraldo [Gomes Silva] e Thiago Noronha. O Conselho Diretor apresentou as contas do ano passado. Alguns conselheiros questionaram ou até mesmo acusaram de que teria havido um estouro de orçamento do ano passado. No mês de dezembro, como foi explicado por Ideraldo, houve um contigenciamento de despesas de anos anteriores. Não houve gasto, não se excedeu o valor aprovado", argumentou Antônio Daniel.

 

Outro ponto de atrito na reunião foi quando um dos membros do Conselho Fiscal afirmou que não pôde ver o relatório feito por Raimundo Viana, presidente do órgão, para dar suas contribuições. Ele declarou que se absteve do voto no parecer por causa disso. O Bahia Notícias tentou contato com Viana, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. 

 

Após as polêmicas, o presidente Nilton Almeida teria iniciado a votação com três opções: aprovar sem ressalvas, aprovar com ressalvas e reprovar. A partir do que foi relatado, conselheiros da oposição se organizaram para votar pela reprovação das contas de 2022. 

 

"É a única forma que o Conselho tem de demonstrar insatisfação. Há uma maioria dos grupos de oposição. Se ele não entender que passou a época do 'conselho do amém', vamos acabar caindo nas mesmas armadilhas de prejudicar o clube. Se o Vitória tem as contas reprovadas por uma animosidade, perde os direitos de receber o dinheiro da Libra", ponderou Mário Pinho.

 

"Em protesto, alguns deles votaram dessa forma e começou uma polêmica. Houve pedido de questão de ordem para que a reunião fosse suspensa por 10 minutos. O presidente acatou, e logo quando voltou, não cessando o conflito, entendeu que deveria suspender em definitivo, dando aos conselheiros 48 horas para apresentarem por e-mail quais seriam as ressalvas a serem analisadas pelo plenário”, relatou Antônio Daniel.

 

Uma nova votação será realizada na próxima reunião, que ainda não tem data definida. A convocação deve ser feita pelo presidente do Conselho Deliberativo. A ata da reunião desta terça-feira (30) deve ser divulgada até a próxima sexta (2). 

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