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Notícia

Medalhista paralímpico, Renê Pereira usou drone para achar lugar para treinar na Bahia

Por Leandro Aragão

Foto: Reprodução / Rádio Salvador FM

Medalhista de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, o baiano Renê Pereira falou da dificuldade para encontrar um local de treinamento em Salvador e na região metropolitana. Ele foi o entrevistado desta quarta-feira (8) do programa Bahia Notícias no Ar, apresentado pelos jornalistas Patrícia Abreu e Maurício Leiro, da Rádio Salvador FM 92,3. Terceiro colocado no remo, na categoria skiff simples PR1M1x 2.000 metros, o atleta usou um drone para achar um lugar na Linha Verde.

 

"A gente sabe que não é fácil, tive muito pouco apoio no nosso estado. Espero que essa conquista nossa possa dar visibilidade ao remo, possa mostrar como o remo está hoje em dia na Ribeira. É um esporte centenário. Me coloco como porta-voz dessa causa, porque eu sei dos esforços que fiz, sei em quantas portas eu bati, principalmente do governo do estado, seja para criar uma acessibilidade numa estrutura já montada, seja para tirar plantas, que quando essa estrutura já havia sido montada, foi invadida por baronesas e eu acabei não conseguindo treinar. Vendo cada dia mais as Paralimpíadas se aproximando, eu saí com um drone e GPS na Linha Verde e onde eu via no mapa uma certa concentração de água, eu procurava chegar próximo e ver se era viável para a prática. Acabei achando em Porto Sauípe onde tem uma raia, que não é adequada, já que a quilometragem do remo é de 2 mil metros e lá tinha uma de 500 e outra de mil, mas foi suficiente para que eu começasse a aprimorar minha parte técnica", contou durante a entrevista.

 

Baiano de Itapetinga, Renê relembrou da conquista do bronze no Japão. Apesar de estar confiante e que poderia ter abocanhando a medalha de prata, ele ficou satisfeito com o terceiro lugar no pódio paralímpico devido as dificuldades que enfrentou na prova.

 

"Passei os últimos 40 dias na raia da USP em São Paulo fazendo tomadas de tempo que foram de suma importância para que minha confiança aumentasse e soubesse que de fato estava com tempos competitivos. Mas, obviamente, tudo pode ocorrer numa competição dessa natureza. Aí eu tive uma eliminatória onde realmente consegui colocar em prática todo o meu treinamento, superei um hexacampeão da modalidade, um cara que até então eu nunca havia conseguido vencer e passei de primeira para a final. Na final, tive alguns problemas com minha prova. Não foi uma prova que eu saí satisfeito, porque acho que nesse campeonato, a medalha mais justa seria a de prata. Mas revendo os vídeos e avaliando o que tive durante a prova. Até os primeiros 1.000 metros acabei desenvolvendo uma espasticidade na minha perna, isso para pessoas com lesão medulares susceptíveis a esse movimento voluntário. Então, precisando me concentrar na remada, ter algo assim dessa natureza quebra um pouco a confiança. Mas dos mil em diante, fiz uma prova mais estratégia, controlei o quarto colocado. Não tive como tentar a prata, em virtude entrar de novo a espasticidade. Mas acho que uma medalha dessa não tem cor. A gente sabe que ali estão os melhores, a dificuldade que é chegar nesse patamar", contou. "É nossa, é da Bahia, do Brasil, é da torcida de Itapetinga, que fez uma recepção que mexeu demais com meu coração", completou.

Foto: Miriam Jeske / CPB

 

O bronze deixou Renê com um gostinho de "quero mais". Ao invés de seguir os planos iniciais de deixar as competições esportivas de lado após a medalha paralímpica, ele vai dar sequência à preparação mirando o lugar mais do pódio nos Jogos de Paris 2024.

 

"Minha ideia lá atrás depois de 2016 era ser medalhista nos Jogos de Tóquio e depois disso cuidar da minha vida pessoal, familiar, mas com esse alargamento do ciclo Rio-Tóquio e o encurtamento Tóquio-Paris, não tenho dúvida que vou continuar focado, buscando estar cada mais o local mais alto do pódio. Já tenho experiência suficiente para saber o que precisa ser feito e acho que agora vai ser tudo mais fácil", afirmou.

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