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Tite evita entrar em polêmica, mas ressalta: 'Não sou hipócrita, não sou alienado'

Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Assim como na entrevista coletiva após o último treino, o técnico Tite evitou entrar em polêmica após a vitória da Seleção Brasileira sobre o Paraguai por 2 a 0, na noite desta terça-feira (8), no Defensores del Chaco, pela oitava rodada das Eliminatórias. O treinador se esquivou de falar sobre o afastamento de Rogério Caboclo da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o descontentamento dos jogadores em relação à realização da Copa América no Brasil. No entanto, ele ressaltou não ser hipócrita e nem alienado sobre o que está acontecendo.

 

"Pensei no trabalho, nas exigências que teria, cada dia, cada momento, quem escalar certo. Consultamos, trabalhamos. Quero fazer um agradecimento especial ao Thomás (Koerich) e ao Bruno (Baquete, ambos analistas de desempenho). Eles passaram dois dias sem almoçar direito, em função de todo o trabalho realizado. “Eu quero aquela imagem, eu quero aquela situação, porque o atleta não pode fazer isso, eu quero cobrar ele, mas também mostrar ali…” Essa construção, que por vezes no bastidor, e, não por nada, mas que a mídia não tem acesso, o quanto é importante na construção do trabalho. Essa é a situação que eu pensei. Peguei minha energia toda e fiquei voltado para isso", afirmou. "Não sou hipócrita, não sou alienado e sei que as coisas acontecem. Mas sei dar prioridade. Prioridade é meu trabalho e a dignidade do meu trabalho", completou.

 

Rogério Caboclo foi afastado por 30 dias após uma funcionária formalizar uma denúncia contra ele de assédio sexual e moral. Porém, existe a possibilidade dele ser reconduzido à cadeira. Na coletiva, Tite foi questionado se aceitaria seguir no comando da Seleção, caso o dirigente volte ao cargo.

 

"Se eu não tivesse parado de jogar aos 27 anos, eu não seria técnico. Não dá para responder no "se"", respondeu.

 

Apesar do tema principal ter sido os bastidores do selecionado, Tite exaltou a boa fase dentro de campo. O Brasil não vencia o Paraguai fora de casa há 35 anos.

 

"Estava conversando com o (Eduardo) Berizzo antes e depois do jogo, do grau de dificuldade histórico, pela competitividade nos enfrentamentos que a gente tem. Foi assim na Copa América, onde empatamos em casa. O fato de ter saído na frente nos deu condição de administrar, do jogo sair de uma forma mais fluente. As coisas foram acontecendo com mais naturalidade, a pressão foi para o lado paraguaio. Conseguimos fazer um jogo num parâmetro bom, por isso a vitória veio", falou.

 

O coordenador da Seleção Brasileira, Juninho Paulista, também esteve presente na entrevista e pediu a palavra ao final.

 

"Tivemos semanas desgastantes. Quero parabenizar Tite, a comissão. O trabalho não foi fácil, mas foi de excelência. Estamos felizes de conquistar, de fazer história, de participar, comandar um grupo de de profissionais tão competentes. Dizer isso é importante. Até em nome da entidade, a satisfação em tê-los, a satisfação com o trabalho é grande. O foco principal sempre foi a Copa do Mundo e as Eliminatórias já são Copa do Mundo. Estou aqui para reiterar o manifesto dos atletas. É um manifesto que nos representa. São jogadores, comissão e a delegação de todos os profissionais que trabalham com maior afinco para que a CBF possa dar as melhores condições de trabalho para todos vocês", disse.

 

Agora, a Seleção Brasileira muda a chave para a disputa da Copa América. Tite anunciará a lista de convocação nesta quarta (9) e a tendência é que faça poucas mudanças mantendo o elenco basicamente o mesmo que disputou os dois jogos das eliminatórias. O selecionado entra em campo no próximo domingo (13), às 18h, contra a Venezuela, no Mané Garrincha, no jogo de abertura do torneio continental.

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