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Após caso de corrupção em RS, presidente da Fenapaf comenta mudanças estruturais

Foto: Divulgação / Fenapaf

A Federação Nacional dos Atletas Profissionais (Fenapaf) passou por uma grande mudança estrutural organizacional após a descoberta de um esquema milionário de corrupção, que desviou cerca de R$ 10 milhões, no comando do Sindicato dos atletas profissionais no estado do Rio Grande do Sul (Siapergs). No final de setembro de 2020, investigações do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) apontaram Jorge Ivo Amaral da Silva, ex-VP da entidade estadual e membro da federação nacional, como o principal suspeito. Na noite desta quarta-feira (30), Felipe Augusto Leite, presidente da Fenapaf, participou do programa BN na Bola da Rádio Salvador FM 92,3, e falou do caso. 

 

"Para nós foi uma surpresa grande o que aconteceu no Rio Grande do Sul. É bom que fique bem claro, que sindicatos estaduais e municipais, temos 21 filiados ao Fenapaf, são entidades de 2º grau e são independentes administrativamente. O que ocorreu no Rio de Grande do Sul e nos causou perplexidade, deixou a categoria bastante atiçada ao ponto de se reunir e exigir que a Fenapaf afastasse definitivamente", disse na entrevista. "Nós nos reunimos em assembleia geral no dia 3 de dezembro e assim o fizemos. Eles foram definitivamente afastados da Fenapaf, já tinham sido afastados do sindicato local. E a assembleia também encerrou um órgão que tinha na Fenapaf, que era um conselho deliberativo formado por ex-presidentes. Então, hoje não tem mais esse conselho deliberativo, o regime tornou-se absolutamente presidencialista. Mas é importante ressaltar que eu tenho como norte na minha administração fazer com que a diretoria atue juntamente com o presidente. Nós compusemos uma nova diretoria composta por Washington, ex-centroavante, como tesoureiro da Fenapaf. Ivo Amaral, que era ex-tesoureiro foi expulso, mas não detectou nada de anormal. Também o Paulo Mocelim, que era o presidente do sindicato do RS, que era secretário-geral da Fenapaf, também foi afastado. Hoje o secretário-geral é o presidente do sindicato do Ceará. O vice-presidente é o Forssato, um jogador muito longevo que passou por mais de 25 equipes no Brasil nas décadas de 80 e 90, é o presidente do sindicato de Alagoas. O presidente do sindicato do Paraná é o diretor de Relações Institucionais. Nós estamos diversificando de modo que estamos esperando dar uma nova dinâmica à Fenapaf", detalhou.

 

Uma das lutas do Fenapaf é por melhores condições aos jogadores de futebol. Ele destacou as diferenças de realidade e salariais entre os atletas que jogam nas elites do futebol brasileiro e os demais, onde muitos recebem cerca de dois salários mínimos e não tem emprego durante o ano inteiro.

 

"Nós fazemos um trabalho de formiguinha que é mostrar à sociedade e, principalmente aos que veem o futebol de cima para baixo, para o torcedor que frequenta o estádio, assiste jogos na televisão, porque às vezes pensa que o futebol brasileiro se resume ao Bahia e Vitória, que são os grandes clubes da Bahia, aos grandes clubes do Rio, de Série A, basicamente, e alguns poucos da Série B. Mas não é verdade. O futebol brasileiro tem um número que orbita entre 16, 18 mil atletas profissionais, mas que na verdade, algo em torno de 1.200, 1.500 atletas é quem tem uma profissão duradoura durante todo o ano. A verdade é que mais de 90% trabalha, infelizmente, por quatro ou até cinco meses no ano", pontuou.

 

Além dessa realidade, outra questão que a entidade combate é o atraso de salários. O dirigente ainda criticou os projetos de lei que facilitam a vida dos clubes endividados.

 

"Eu, particularmente, somos contrários a esses projetos de refinanciamento de dívidas. Agora mesmo houve um projeto de Lei que concede mais prazos aos clubes para voltarem a pagar parcelas do Profut. Eu confesso que é uma aberração. Você está incentivando a falta de cumprimento das obrigações mínimas do contrato de trabalho. Temos que mudar essa realidade. Precisamos mudar através dos nosso parlamentares. É fundamental que haja uma interação dos parlamentares e haja uma moralização, de fazer uma lei dura, forte que leve responsabilidade ao gestor. E não ficar passando a mão de tempos em tempos nos clubes, que não pagam a ninguém, ficam devendo", finalizou.

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