Natação: Ex-presidente da CBDA, Coaracy Nunes, morre aos 82 anos
O ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, morreu nesta quinta-feira (14), no Rio de Janeiro. Com diabetes, hidrocefalia e demência senil, ele lutava contra o coronavírus (veja aqui) e chegou a testar negativo, mas precisou fazer uma cirurgia para aliviar a pressão intracraniana na semana passada e não acordou mais, falecendo nesta manhã. Ele deixa a mulher, Maria da Glória Nunes, e duas filhas.
"O Coaracy semana passada estabilizou clinicamente, chegando a negativar o Covid-19 e, na execução de tomografia para verificar a piora do nível de consciência, foi evidenciado um aumento dos hematomas subdurais bilaterais já existentes. Foi realizada uma cirurgia para alivio da pressão intracraniana na última quinta-feira, mas, infelizmente, o Coaracy não despertou e constatou o que já esperávamos uma fase terminal do Alzheimer. Na manhã de hoje, dia 14 de maio, fez sua passagem de forma tranquila. Sinto-me privilegiada de ter o Coaracy como meu pai, mentor, amigo e de poder acompanhá-lo em toda sua trajetória como um homem realizador e amante incondicional do esporte. Um exemplo para meus filhos... e que seu carinho, sorriso, alegria, espontaneidade e empolgação inspire as pessoas de bem", disse Luciana Nunes, uma das filhas do ex-dirigente, ao site GloboEsporte.com.
Nascido em Belém, capital do Pará, o advogado Coaracy Nunes comandou a CBDA por quase 30 anos, entre 1988 e 2017. Durante a sua gestão, os esportes aquáticos brasileiros conquistaram dez medalhas olímpicas, sendo uma de ouro, três de prata e seis de bronze com os atletas nadadores Gustavo Borges, Fernando Scherer, Carlos Jayme, o baiano Edvaldo Valério, Cesar Cielo, Thiago Pereira e Poliana Okimoto.
Em setembro de 2016, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou desvio de recursos públicos federais por dirigentes da CBDA, dentre eles Coaracy Nunes, o diretor financeiro Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, o coordenador do polo aquático Ricardo Cabral e o superintendente da entidade Ricardo de Moura. Em 2017, Nunes e outros três dirigentes da Confederação chegaram a ser presos, mas pouco menos de três meses deixaram a cadeia depois de um habeas corpus. No entanto, em outubro de 2019, o ex-presidente foi condenado em primeira instância a três anos de detenção e 11 anos e 8 meses de reclusão, além de multa de cerca de 120 mil reais pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo (TRF-SP). Ele recorreu da decisão e esperava a sentença em liberdade.
