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Alvo de racismo, segurança diz que levou cusparada e revela: 'Passei a noite em claro'

Foto: Arquivo Pessoal

O segurança do Mineirão que foi alvo de racismo após o clássico mineiro entre Cruzeiro e Atlético, neste domingo (10), pela 32ª rodada do Brasileirão (veja aqui), desabafou a respeito do episódio e revelou que não conseguiu dormir após o ato sofrido por um torcedor do Galo.

 

"Passei a noite em claro, minha esposa não foi trabalhar hoje. Ela está comigo aqui. Só tenho ela aqui, sou do Rio de Janeiro. Meus filhos moram no Rio, são adolescentes. Quando a ficha caiu, fiquei muito chateado. Meus filhos fizeram contato e disseram que viram na rede social: 'Ele cuspiu na sua cara'. Aí eu disse não foi bem assim, disfarcei", afirmou Fábio Coutinho ao GloboEsporte.com. 

 

Em um clássico muito conturbado, marcado por brigas generalizadas dentro do estádio, a Polícia Militar usou spray de pimenta para apartar a briga. Por conta do gás, a torcida do Atlético tentou acessar uma área restrita, mas os seguranças tiveram que barrar a tentativa dos torcedores. 

 

"Situação lastimável. Era uma área restrita aos profissionais da imprensa, ocorreu um tumulto numa outra extremidade da torcida do Atlético, e os policiais intervieram com uso de spray de pimenta. A gente abriu uma exceção para crianças. Até a vovó do Galo. Eu, pessoalmente, retirei ela. Alguns outros, poucos baderneiros infiltrados, queriam adentrar a área restrita da imprensa e da torcida do Cruzeiro. Eu, juntamente com apenas quatro ou cinco vigilantes, impedimos o acesso deles. Não fizemos o uso de força ou violência", explicou Fábio. 

 

Além de ter sofrido injúria racial, o segurança revelou que também levou uma cusparada de um torcedor: "Nós verbalizamos e, infelizmente, no primeiro momento, eram dois ou três. Um deles cuspiu na minha face. E com o dedo empurrando meu rosto, eu virei para ele e disse: 'Pô... Você cuspiu na minha cara. É feio. Nenhuma sociedade no mundo permite isso'. Alguns torcedores retiraram ele. Depois ele retornou e disse: 'Você pôs a mão em mim. Olha sua cor'. Eu disse: 'Você é racista! Você é racista!' Aí, os demais torcedores pararam na hora e retiraram ele". 

 

Fábio ainda explicou o motivo de não ter revidado às agressões que sofreu pelo torcedor do Atlético. "Não quero me vitimizar, não quero ter uma causa particular. É uma causa um tanto quanto coletiva. Muitas vezes, o segurança é mau visto. Eu disse: "Ninguém vai agredir ele, deixa ele". Como nós estávamos em menor numero, se tivéssemos agredido ele, nós perderíamos a razão e todos os outros torcedores viriam em cima da gente. Eu me mantive calmo", contou. 

 

"Eu sou profissional da área, nós não podemos retribuir uma agressão, mesmo que seja uma agressão baixa como esta, nós somos capacitados, somos instruídos", concluiu. 

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