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Notícia

ONG acusa Catar de explorar trabalho de imigrantes no Mundial de Atletismo

Foto: Michael Steele/Getty Images

Organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, a Anistia Internacional divulgou um relatório acusando o Governo do Catar de explorar trabalhadores imigrantes na organização do Mundial de Atletismo de Doha. O documento relata que muitos dos trabalhadores contratados não foram remunerados e outros estão impedidos de deixar o país por conta das leis locais. 

 

"Apesar das promessas do Catar de melhorar os direitos dos trabalhadores, nossa pesquisa mostra que muitos trabalhadores migrantes no país ainda estão à mercê de empregadores sem escrúpulos. A Anistia não é contra o Catar, que organiza eventos como o Mundial de Atletismo, mas a situação dos trabalhadores migrantes que possibilitam ao país desenvolver sua infraestrutura e sediar grandes torneios não deve ser negligenciada", disse o vice-diretor de questões globais da Anistia Internacional, Stephen Cockburn, segundo o GloboEsporte.com. 

 

Ainda de acordo com o material da Anistia Internacional, o sistema trabalhista conhecido como "Kafala" contribui para violação dos direitos dos trabalhadores, já que os contratados são vinculados aos empregadores por cinco anos e, com isso, alguns grupos ficam impedidos de deixarem o país sem a permissão dos chefes. 

 

"Trabalhadores vêm de outros países, principalmente da Ásia e África, seduzidos pelas propostas de emprego e, quando chegam ao Catar, são tratados de forma indigna. Com o tempo correndo e muito pouco progresso feito, tememos que os trabalhadores migrantes continuem enfrentando abuso e exploração, a menos que o governo do Catar acelere o ritmo da reforma", explicou Cockburn. 

 

Em nota, o Governo do país rebateu as acusações e afirmou que reformas trabalhistas estão sendo realizadas para resolver essas questões. "O relatório também afirma incorretamente que o Fundo de Seguro e Apoio aos Trabalhadores ainda não está operacional. De fato, o Fundo já interveio em vários casos para resolver problemas enfrentados pelos trabalhadores convidados". 

 

Já a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) preferiu minimizar o caso. O presidente da entiddade, Sebastian Coe, afirmou que a competição trouxe mais benefícios do que prejuízos ao país. 

 

"Vejo o esporte como grande oportunidade para mudar situações como essa, inclusive dou força para que organizações como a Anistia Internacional trabalhem do nosso lado. Quero que o esporte transforme a vida dessas pessoas como transformaram a de vários atletas, então estou muito feliz com a realização do Campeonato Mundial aqui", salientou Coe. 

 

CONFIRA NOTA DO GOVERNO

Temos conhecimento de um relatório recente publicado pela Anistia Internacional sobre o status dos trabalhadores no Catar.

 

Muitos dos casos incluídos no relatório precedem alterações legislativas recentes - incluindo o estabelecimento de comitês para solução de controvérsias trabalhistas. Isso melhorou significativamente os processos e aumentou a velocidade de resolução de disputas trabalhistas.

 

O relatório também afirma incorretamente que o Fundo de Seguro e Apoio aos Trabalhadores ainda não está operacional. De fato, o Fundo já interveio em vários casos para resolver problemas enfrentados pelos trabalhadores convidados.

 

O Catar fez progressos substanciais nas reformas trabalhistas. Dissemos, desde o início, que isso levaria tempo, recursos e comprometimento. Continuaremos a trabalhar com ONGs, incluindo a Organização Internacional do Trabalho, para garantir que nossas reformas sejam abrangentes e eficazes. Quaisquer problemas ou atrasos no nosso sistema serão abordados de maneira abrangente.

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