Projeto social de bicicross que revelou medalhista no Pan volta a funcionar
Por Leandro Aragão
Parado desde 2017, o Projeto Pedal voltará à ativa a partir do próximo dia 17. A ação social, promovida pela Associação Baiana de Bicicross (ABS), tem o objetivo de atender crianças e adolescentes matriculados na rede pública de ensino municipal e estadual para conhecerem a modalidade. Com idades entre 7 e 17 anos, os jovens e as jovens terão aulas gratuitas na pista Tertuliano Torres de Bicicross, na Praia do Corsário, em Salvador. A atleta Paola Reis, de 19 anos, que vem conquistando resultados expressivos em competições nacionais e internacionais, inclusive a medalha de prata dos Jogos Pan-Americanos de Lima, foi descoberta por essa iniciativa (saiba mais aqui).
De acordo com a diretora do projeto, Carmen Gonçalves, as aulas serão todas as terças e quintas das 14h às 18h, e às quartas e sextas das 8h às 10h. "A partir desta segunda-feira (2), nossa equipe vai visitar algumas escolas em Itaupã, Boca do Rio e Mussurunga para divulgar a abertura do projeto e convidar as crianças. Vamos tentar fazer parcerias com as escolas para ajudar também os meninos no rendimento escolar", afirmou em entrevista ao Bahia Notícias.
Qualquer criança pode participar das aulas, inclusive as que possuem alguma deficiência. A única exigência é que elas saibam e consigam andar de bicicleta do tipo BMX, própria para a prática do bicicross. "Me ligou até um rapaz dizendo que o filho dele tem 18 anos. Eu só posso pegar até 17. Mas disse que ele tem uma deficiência. Ele não me explicou qual seria a deficiência, mas eu disse que levasse o garoto lá, porque se ele tiver condições de andar de bicicleta, com certeza poderá fazer parte do projeto", exemplificou Carmen.
As inscrições podem ser feitas através do site oficial do projeto (clique aqui), ou na pista na Praia do Corsário nos dias e horários das aulas. "No domingo (15) vai ter a final do Campeonato Baiano. A gente está convidando as crianças que queiram se inscrever para ir lá confirmar a inscrição ou conhecer o BMX e o que estamos oferecendo. Lá vamos distribuir os kits com duas camisas, um será a camiseta de aluno e outra de manga longa de BMX, que é a farda das aulas", apontou Carmen. "Tem que ir os pais e os responsáveis para assinar o documento, porque às vezes o menor leva a ficha toda assinada, mas nem sempre são os pais que assinaram", completou.
O Projeto Pedal disponibiliza aos alunos a bicicleta e todo o equipamento necessário.
INÍCIO E PARALISAÇÃO
O Projeto Pedal foi criado em 2010, idealizado pelo treinador Leonardo Gonçalves, que era piloto de BMX e já foi campeão brasileiro. Nesse período, segundo Carmen, as primeiras aulas eram feitas na praça de Stella Maris e na pista de bicicross na Praia do Corsário.
"Começamos com apenas seis bicicletas doadas pelo prefeito da época, João Henrique. Ele também doou os equipamentos de segurança. Aí depois, em 2016, tivemos o apoio da Sudesb. O deputado estadual Bobô doou mais 16 bicicletas", contou Carmen.
O projeto foi apoiado pela Sudesb até 2017. No entanto, sem receber mais recursos, a organização foi obrigada a reduzir drasticamente o número de crianças atendidas, praticamente paralisando a ação. Após ingressar com o edital de pedido de apoio, o projeto ficou parado por falta de recursos. "A gente tinha quase 200 alunos", lamentou a diretora. No início deste mês de agosto, porém, o projeto começou a receber novamente o investimento do Governo da Bahia, através da Sudesb.
Além de revelar Paola Reis, o Projeto Pedal também descobriu outros talentos do bicicross, como o irmão dela, Gabriel Reis. "Mas ele parou por falta de patrocínio e apoio, porque ele era elite", emendou Carmen. Entre as meninas, também surgiu através do projeto outra menina que fez sucesso no bicicross.
O nome citado por Carmen é de Caroline Guimarães. Moradora de Itinga, a garota foi vice-campeã brasileira em 2017, mas parou de praticar a modalidade por falta de patrocínios. "Tudo se refere a apoio e patrocínio. De 100 crianças do projeto social, pode ter certeza que 20 tem talento. Mas e aí, o que a gente vai fazer com esses meninos talentosos? Eu vou ter problemas no futuro com esses meninos. Vou passar a mesma coisa que passei com Paola, com Gabriel, com Caroline e com os outros. A gente consegue revelar talentos. A gente tem o apoio da Sudesb, que consegue passagens para levar os meninos para as competições, tem a Bolsa-Atleta, que é importante. Mas as grandes empresas deveriam abrir mais o leque e apoiar os projetos sociais de qualquer modalidade", desabafou. "Paola rodou por muito tempo com o equipamento da Associação. No primeiro ano dela foi campeã brasileira com uma bicicleta e o material todo da Associação. Aí depois ela ganhou uma bicicleta e foi ganhando o restante do material", continuou.
ORÇAMENTO
O edital da Sudesb destina cerca de R$ 330 mil ao Projeto Pedal. O Governo liberou a primeira parcela, no valor de R$ 130 mil. "Essa primeira parcela foi só para aquisição de equipamentos, capacetes, joelheiras, cotoveleiras, luvas, contratação do pessoal e a manutenção das bicicletas", disse Carmen. "Como as bicicletas estavam paradas, a gente precisa renovar o material. E esse material não tem aqui e é caro. Como o edital é de 2017, tivemos que negociar com todas as empresas e, por se tratar de um projeto social, mantiveram o mesmo preço", explicou.
Outras duas parcelas ainda serão pagas ao longo da duração do projeto que é de oito meses. Essas parcelas serão destinadas para cobrir os custos da mão-de-obra. A equipe do projeto será composta por um coordenador, um supervisor, dois professores, dois estagiários, auxiliar administrativo e auxiliar de serviços gerais.

Foto: Reprodução / Facebook
