Após instabilidade na presidência, Galícia só venceu um jogo nas últimas três temporadas
Por Leandro Aragão
Já tem mais de um ano que o Galícia não sabe o que é deixar o gramado celebrando uma vitória. A última vez que isso aconteceu foi no dia 11 de março de 2018, quando o Azulino bateu o Colo-Colo, fora de casa, por 1 a 0, pela primeira rodada da Série B do Campeonato Baiano. De lá para cá, colecionou treze derrotas e um empate, sendo que perdeu todas as cinco partidas que fez na atual edição da competição estadual. A equipe é a lanterna da tabela. Neste domingo (14), a partir das 15h, o time da colônia espanhola de Salvador tenta quebrar esse jejum diante do PFC-Cajazeiras, em Cachoeira, pela sexta rodada.
Coincidência ou não, uma briga pela presidência começou em 2016, ano da última boa temporada do time, quando chegou às quartas de final do Baianão e disputou a Série D do Campeonato Brasileiro. No dia 31 de outubro daquele ano, Dario Rego foi deposto da cadeira de presidente por ter as contas, referentes ao exercício de 2015, reprovadas. Na sequência, Manolo Muiños assumiu o comando do clube. A disputa foi parar na Justiça. E após idas e vindas de liminares judiciais, o Conselho Deliberativo aprovou o impeachment de Rego no dia 4 de setembro de 2017. Pouco mais de dois meses depois, em 6 de novembro, Muiños foi eleito por aclamação.
Da troca de presidente até o momento, o Galícia colecionou campanhas vexatórias e derrotas uma atrás da outra. Em 2017, o time foi rebaixado ao terminar na última posição no Baianão com a pífia campanha de nove derrotas, um empate e nenhuma vitória em 10 jogos. Na Série B de 2018, o Azulino foi o lanterna da competição com oito derrotas, um empate e a sua última vitória desde então. Neste ano, o calvário continua e a equipe perdeu todos os cincos jogos que disputou. O atual presidente Muiños não relacionou a instabilidade da direção com o péssimo desempenho em campo. "São as coisas do futebol. A gente está trabalhando, procurando acertar, mas os resultados não estão vindo. Nesse ano, você vê as derrotas por 1 a 0, 2 a 1, placares apertados, com gols no final do jogo... É isso. Não tem um motivo específico, não", justificou em entrevista ao Bahia Notícias.

Muiños foi reeleito presidente no final de 2018 e seu novo mandato vai até 2021 | Foto: Divulgação / Arquivo pessoal
Já o ex-presidente deposto, Dario Rego, foi mais direto. "Incompetência da diretoria", resumiu à reportagem do BN. "A atual gestão está iludindo a torcida de que estão investindo nas categorias de base, mas não vejo perspectiva nenhuma. O clube está um caos total, perdeu a credibilidade no mercado e não consegue bons patrocínios. Eles também ficam dizendo que vão reestruturar o Parque Santiago. O Parque Santiago está em disputa judicial e o clube pode perder o espaço lá a qualquer momento. Por isso que não investi no Parque na minha gestão", completou.
O ex-presidente do clube não vê uma solução a curto prazo para tirar o Galícia dessa situação. Ele até comparou o Azulino ao pernambucano Íbis, que se intitula com orgulho como o pior time do mundo. E afirmou que não tem mais interesse em voltar ao mundo do futebol.
"Vejo um horizonte péssimo para o Galícia. O clube tem a pior campanha de um clube profissional, pior até do que o Íbis", disse. "Eu não volto mais para o Galícia, não torço mais. Tenho meus amigos que fiz no futebol, mas não volto mais", garantiu.

Dario Rego foi tirado do cargo em 2016 | Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias
Dario ainda falou do impeachment que sofreu. "Me tiraram de forma sorrateira. O dinheiro da transferência do jogador ficou todo com o clube. Eles também exigiram antecipar a minha prestação de contas, enquanto a do atual presidente teve atraso na prestação e ninguém falou nada", reclamou. Um dos motivos para o impeachment de Rego foi a transferência internacional de um jogador feita de forma irregular. O meia Davidson foi emprestado ao Covilhã, de Portugal, entre 2014 e 2015. Após este período, o atleta foi adquirido pelo clube português em definitivo gratuitamente, sendo que havia uma multa prevista de 4 milhões de euros.
PASSADO DE GLÓRIAS
O Galícia foi fundado em 1º de janeiro de 1933 por imigrantes espanhóis vindos da região de mesmo nome. O clube colecionou glórias na sua primeira década de fundação, conquistando seu primeiro título baiano em 1937. Depois, foi tricampeão estadual seguido nos anos de 1941, 1942 e 1943. Em 1968 voltou a ser campeão da Bahia.
